Bandas que marcaram época: Ira! #7

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Formado em 1981, na cidade de São Paulo, o Ira!, foi sem dúvida, um dos grupos mais importantes da geração oitentista do rock nacional. No post abaixo, você relembra um pouco da biografia da banda. Uma boa leitura!




O começo

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Edgard Scandurra, no final da década de 70, entra em contato com o Punk Rock internacional. Paralelamente a isso, o futuro guitarrista do Ira!, começa a frequentar a periferia de São Paulo, e a conhecer adeptos do estilo. Fascinado com o novo paradigma que surgia, ele, então estudante do Colégio Brasílio Machado, decide criar uma banda. Meses depois, com o suporte do amigo Dino, surge a “Subúrbio”. A ideia em si, nada mais era, do que uma forma encontrada por Scandurra, para sintetizar, através da música, os problemas da juventude da época.




Parceria

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Muitos devem estar se perguntando, mas e o Nasi? Bom, o contato entre Edgard Scandurra e o futuro vocalista do Ira!, nasceu ainda nas instalações do Brasílio Machado. Lá, por sua vez, seria feito o convite para que o jovem Marcos Valadão Rodolfo, participasse de um festival interno. Convite aceito, e o evento enfim, é realizado. Voltando ao “Suburbio”, seu grande hit da época, digamos assim, era “Pobre Paulista”, música que se tornaria nos anos seguintes, uma das canções mais emblemáticas da carreira do Ira!




Ira!

Edgard Scandurra, no começo dos anos 80, é convocado para servir o Exército. Lá, ele criaria “Núcleo Base”, que se transformaria em hit, um ano mais tarde. Ainda dentro desse contexto, o Ira!, nasceria a partir de um convite feito por Nasi para Scandurra. Nele, a possibilidade de uma apresentação na PUC (Pontificia Universidade Católica). O nome da banda, por sua vez, seria inspirado no chamado Exército Republicano Irlandes (Irish Republican Army). Em sua primeira formação, o Ira!, ainda sem o ponto exclamação, contava com Marcos Valadão (Nasi) nos vocais, Edgard Scandurra (guitarra), Fabio Scattone (bateria) e Adilson Fajardo (baixo). Dois anos depois, o grupo é descoberto pelo produtor Pedro Schmidt, (na época, contando com uma breve participação de Charles Gavin (Titãs) na bateria). Schmidt, por sua vez, teria papel decisivo na assinatura do contrato dos músicos com a gravadora Warner.




O primeiro álbum

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Novas mudanças na formação, e a banda passa a contar com as presenças do baixista Ricardo Gaspa e do baterista André Jung. No ano de 1985, é lançado o primeiro disco do Ira!. “Mudança de Comportamento”, como ficou conhecida a obra, traria entre outros destaques, as canções “Longe de Tudo”, “Tolices”, “Coração” e “Núcleo Base”. Esta última, por sua vez, composta na época em que Edgard Scandurra servia ao Exército. Ainda sobre o disco, ele foi gravado em apenas 09 dias, (um feito e tanto para a época), e venderia 60 mil cópias.

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Vivendo e Não Aprendendo

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Lançado em 1986, pela WEA, “Vivendo e Não Aprendendo”, é tido por muitos fãs, e pela crítica especializada, como o melhor álbum do Ira!. Entre os destaques, as canções “Dias de Luta”, “Gritos na Multidão” e “Pobre Paulista”. Ainda sobre o trabalho, ele venderia 180 mil cópias aproximadamente, tendo seu show de lançamento realizado na Praça do Relógio da USP (Universidade de São Paulo).

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Daí pra frente, a banda passaria por um surto de popularidade, digamos assim, que teria início a partir da canção “Flores em Você”. A trilha, por sua vez, faria parte da novela “O Outro”, da Rede Globo. Com a popularidade conquistada, o grupo se apresentaria, a partir de então, em diversos programas televisivos. Ainda na década de 80, mais precisamente em 1988, o Ira! seria convidado para a primeira edição do Hollywood Rock.

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Psicoacústica

Visto com certa ousadia para época, “Psicoacústica”, foi lançado em 1988. Nele, a banda já buscava outros elementos para sua música. Isto, aliás, fico nítido a partir de “Receita Para Se Fazer Um Herói”, uma das faixas principais do trabalho. Aclamado pela crítica, o álbum decepcionaria nas vendas, totalizando apenas 50 mil cópias.

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Clandestino

Lançado no início dos anos 90, o quarto álbum de estúdio do Ira!, “Clandestino” marca um período de crise criativa em seus membros. O LP trazia como grande diferencial, uma dedicatória ao músico Pedro Gil, filho do cantor Gilberto Gil, morto em um acidente no começo de 1990. O trabalho traria como grande destaque, a faixa “Tarde Vazia”.

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Isso é Amor

Após alguns álbuns sem grande repercussão, o Ira!, voltaria aos holofotes da mídia com “Isso é Amor”. O disco em si, marcava uma nova etapa na carreira da banda, e trouxe entre os principais destaques, as músicas “Bebendo Vinho”, regravação do cantor Wander Wildner e “Teorema”, cover da Legião Urbana.

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MTV ao Vivo - Ira!

Gravado no Memorial da América Latina, em São Paulo, o álbum marcava o retorno do Ira! em grande estilo. Nesse período, foram diversas as canções que ganharam as principais rádios brasileiras, entre elas: “Tolices”, “Longe de Tudo” e “Vida Passageira”. Esta última, aliás, fazia menção a diversos ícones da música nacional, entre eles, o eterno vocalista da Legião Urbana, Renato Russo.

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Entre Seus Rins

Fruto da parceria com a Abril Music, o álbum, lançado em 2001, traria entre outros hits, as músicas “Superficial (como um espinho) “Homem de Neanderthal”, além é claro, da faixa homônima. A trilha, aliás, ganharia um videoclipe animado, sendo exibido de forma contínua nos canais MTV e Multishow.

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Ira! Acústico MTV

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Surpreendendo a todos, a banda, aceitaria em 2004, um convite da MTV Brasil para gravar um álbum acústico. O trabalho, entre outras coisas, contaria com as participações de Samuel Rosa (Skank), na faixa “Tarde Vazia”, Os Paralamas do Sucesso em “Envelheço na Cidade”, além da cantora Pitty, na faixa “Eu Quero Sempre Mais”. O trabalho ainda contaria com a faixa “Pra Ficar Comigo”, cover de “Train In Vain”, do The Clash, e daria origem, nos meses seguintes, ao lançamento de um DVD.

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O Fim

Após o lançamento de “Invisível DJ”, de 2007, seus integrantes decidem se separar. O primeiro a abdicar do grupo foi Nasi, que na época, já enfrentava uma série de problemas com o irmão e empresário, Airton Valadão. Por sua vez, o término do grupo seria anunciado por Edgard Scandurra, por meio de um perfil no Orkut. Mesmo sem a participação de Nasi, se cogitou dar continuidade a banda, ideia que foi logo deixada de lado.

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Curiosidades

CD JIMI HENDRIX - EXPERIENCE - THE BEST OF

A “Subúrbio”, primeira banda de Edgard Scandurra, foi na verdade, criada em pleno regime ditatorial brasileiro. Entre suas influências estavam os cantores Jimi Hendrix e Led Zeppelin.

Scandurra, por sua vez, já foi integrante de outro expoente do rock nacional, o “Ultraje a Rigor”. No grupo de Roger Moreira, ele permaneceria nos primeiros anos.

Ira

“Pobre Paulista”, uma das canções mais emblemática do Ira!, foi composta ainda na época da “Subúrbio”. Segundo Edgard Scandurra, sua letra é uma reação contra a invasão baiana na música brasileira dos anos 80.

Como citado anteriormente, a partir de “Flores em Você”, o Ira! conquistaria um status nunca antes visto. Para se ter uma ideia do fenômeno, a banda era constantemente convidada a participar de programas na tv. Isso só mudaria, a partir da desistência de Nasi de se apresentar, juntamente com o Ira!, de uma das edições do “Cassino do Chacrinha”. Na ocasião, os músicos convidados deveriam se apresentar com um gorrinho vermelho, fato este, que desagradou o vocalista do grupo.

Nasi, por sua vez, nunca escondeu sua admiração pela história do bandido da luz vermelha. Na faixa “Rubro Zorro”, do LP “Psicoacústica” de 1988, isso fica bastante nitido.

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No ano de 1989, é lançado “Amigos Invisíveis”, primeiro trabalho solo do guitarrista Edgard Scandurra.

“Meninos da Rua Paulo”, título de um dos álbuns mais conhecidos do Ira!, foi na verdade, uma homenagem ao Ferenc Molnár. O disco, trazia como grande diferencial, a faixa “Você ainda Pode Sonhar”, cover de “Lucy in The Sky With Diamonds (Beatles).

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O cover acima, não foi o único realizado pela banda. No álbum “7”, de 1993, era a vez de “The House of The Rising Sun”, do grupo The Animals.

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Fernanda Takai, vocalista da banda Pato Fu, participaria da faixa “O Telefone”, do álbum “Isso é Amor”.

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Com o término do grupo, Nasi, daria continuidade a sua bem sucedida carreira solo, interpretando músicas voltadas aos amantes do Blues.

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Edgard Scandurra, por sua vez, segue se apresentando com o grupo de eletro-rock Benzina. Ele ainda dirige um restaurante, e participa, nas horas vagas, de eventos específicos ao lado de cantores como Arnaldo Antunes.

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Ricardo Gaspa retomou o grupo “Gaspa e os Alquimistas”. Já André Jung, segue se apresentando com o grupo “Urban To Tem”.

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Discografia

01_mudanca_1985

Mudança de Comportamento

1985

Ira (1986) Vivendo e Não Aprendendo

Vivendo e Não Aprendendo

1986

ira1988psicoacustica

Psicoacústica

1988

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Clandestino

1989

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Meninos da Rua Paulo

1991

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Música Calma Para Pessoas Nervosas

1993

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7 (sete): 1996

capa

Você Não Sabe Quem Eu Sou

1998

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Isso é Amor

1999

ira

MTV ao Vivo - Ira!: 2000

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Entre Seus Rins

2001

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Acústico MTV - Ira!

2004

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Invisível DJ

2007

  1. Morgan Derelictum

    22 de junho de 2012 em 15:39

    PObre São Paulo, pobre Paulista! oooh ohh

  2. José Candido

    11 de outubro de 2011 em 17:32

    O Nasi é o Wolverine Valadão. Devia acompanhar mais a MTV…

  3. Oscarito

    9 de abril de 2011 em 00:47

    Porra !! o Nazi parece o Wolverine 😡

3 Comentários
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