Minilua

Biografia Minilua – Cazuza #2

Com a entrada de Cazuza no Barão Vermelho, a banda, que a principio só fazia covers, passa a apostar em um repertório próprio. Nessa época, é bom que se diga, nasceria uma das parcerias mais importantes do rock nacional, a do nosso eterno maior abandonado com Roberto Frejat. Dai para frente, tudo parecia propicio para o sucesso do grupo. Isso, aliás, aconteceria a partir de uma fita demo, ouvida pelo produtor musical Ezequiel Neves. Ele, por sua vez, convenceria Guto Graça Mello, então diretor da Som Livre, a gravar as composições do Barão. Etapa concluída, restava apenas o sinal verde de João Araújo, diretor presidente da gravadora. Aval conquistado, e se inicia os trabalhos para o primeiro disco da banda.

 

O primeiro álbum

Lançado em 15 de setembro de 1982, o trabalho marcava a estreia do Barão Vermelho no cena do rock nacional. Deste álbum, destaque para as músicas: “Ponto Fraco”, “Down em Mim”, Bilhetinho Azul, além da elogiadíssima “Todo Amor Que Houver Nessa Vida”. A canção, aliás, seria regravada por Caetano Veloso, em seu álbum de 1983. Mesmo com um orçamento baixo, o disco venderia aproximadamente 07 mil cópias, e revelaria, ainda aos 23 anos, o forte lirismo de Cazuza a frente de sua banda.

 

Pro Dia Nascer Feliz

Após algumas apresentações em São Paulo e no Rio de Janeiro, a banda entraria em estúdio para gravar seu segundo trabalho. Intitulado “Barão Vermelho- 2”, o álbum venderia 15 mil cópias, e seria responsável por uma maior popularização do grupo entre os jovens da época. Do disco, não poderíamos deixar de mencionar a música “Pro Dia Nascer Feliz”, um dos clássicos da carreira do Barão Vermelho e de Cazuza. A canção ainda seria regravada por Ney Matogrosso, um dos ícones da MPB.

 

 

 

 

A partir de 1984, com o sucesso conquistado, a banda é convidada para sonorizar uma das trilhas do filme “Bete Balanço”. A canção, por sua vez, não apenas ajudaria na divulgação do longa metragem, como se tornaria um dos principais clássicos da carreira do Barão Vermelho. Ainda sobre o filme, o vocalista do Barão, ainda faria uma rápida participação, interpretando a canção “Carente Profissional”.

 

 

Rock in Rio (1985)

No final de 1984, é lançado o terceiro álbum de estúdio do Barão Vermelho, “Maior Abandonado”. O disco venderia 100 mil cópias, e seria aclamado pela crítica especializada como um dos trabalhos mais importantes do rock nacional dos anos 80. Ainda sobre o disco, ele ganharia destaque com duas faixas principais “Maior Abandonado” e “Porque a Gente é Assim”.

 

Mas a frente, a banda se apresentaria na primeira edição do Rock in Rio, em 1985. Uma das apresentações, aliás, se tornou bastante emblemática, especialmente por coincidir com a eleição do presidente Tancredo Neves e com o término do período ditatorial.

 

 

Saída do Barão Vermelho

Cazuza nunca escondeu seu desejo de sair em carreira solo. Isso, aliás, já havia sido comunicado algumas vezes para Frejat. Isso de fato aconteceria. Durante os ensaios do quarto álbum do Barão Vermelho, Cazuza decide deixar o grupo. A notícia, é claro, cairia com uma verdadeira bomba, e teria um impacto tão profundo, que abalaria a forte amizade entre o líder da banda na época e seu atual vocalista. Paralelamente a isso, o artista começava a enfrentar alguns problemas de saúde. Acredita-se, aliás, que foi nesse período, meados de 1985, que Cazuza entraria em contato com a Aids.

 

Exagerado

Quem não se lembra desta canção? “Exagerado, jogado aos seus pés, eu sou mesmo um exagerado. Adoro um amor inventado”. Pois é, ela faz parte do primeiro trabalho solo de Cazuza, lançado em novembro de 1985. A canção, fruto de uma parceria com o cantor Leoni, foi responsável pela popularização do disco, que ainda traria o sucesso, “Codinome Beija- Flor”.

 

O segundo álbum solo de Cazuza seria lançado em 1986. O trabalho marca uma período de transição na vida do artista, permeado em parte, pela troca de gravadora. Já na Polygram (hoje Universal), o cantor gravaria seu segundo disco, “Só Se For a Dois”. Deste trabalho, destacamos as faixas “Solidão Que Nada” e “O Nosso Amor agente inventa”.

 

 

A luta contra a AIDS

Para os fãs de Cazuza, o ano de 1987, foi sem dúvida, um dos piores. Naquela época, o cantor seria internado com pneumonia, e após a realização de um novo teste, seria constatado que ele era portador do vírus HIV. Naquele mesmo ano, em outubro, Cazuza é internado na clínica São Vicente, no Rio de Janeiro. Lá permaneceria por um tempo, sendo transferido, meses depois, para os Estados Unidos. Já no exterior, o artista seria submetido a uma série de tratamentos a base de AZT, no New England Hospital de Boston. De volta ao Brasil, já em dezembro, é iniciado o processo de lançamento de um novo trabalho. Lançado em 1988, o disco, intitulado “Ideologia”, seria marcado pela disseminação de diversos sucessos. Além da faixa título, destaque para “Faz Parte do Meu Show” e “Brasil”.

 

 

Burguesia

Em fevereiro de 1989, um choque: Cazuza declara ser soropositivo. A partir daí, diversos veículos de comunicação passam a abordar o assunto, alguns de modo sério, outros com interesse puramente financeiro. Nesse mesmo ano, já debilitado pelos efeitos da Aids, Cazuza comparece ao Prêmio Sharp de cadeira de rodas. Na cerimônia, ele seria agraciado nas categorias “Melhor Canção” com a música Brasil, e “Melhor Álbum” para “Ideologia”. Certo tempo depois, é lançado seu último trabalho, “Burguesia”. Este, por sua vez, seria um disco duplo extremamente conceitual. O primeiro, focado em canções de rock, já o segundo, em melodias voltadas aos fãs de MPB.

 

 

Morte do Poeta

No final dos anos 80, o cantor é transferido novamente para Boston, Estados Unidos. Lá, permaneceria até por volta de março de 1990. De volta ao Brasil, Cazuza entraria em óbito, em 07 de julho, deixando uma legião de fãs orfãos de seu talento e originalidade.

 

 

Curiosidades

– Cazuza nunca escondeu ser fã de diversos compositores da música brasileira, entre eles: Cartola, Lupicinio Rodrigues e Noel Rosa. O cantor ainda nutria forte carinho pelo repertório da cantora Rita Lee.

– Caetano Veloso, no começo dos anos 80, já percebia o talento de Cazuza. Ele, por sua vez, de forma rotineira, elogiava o então vocalista do Barão Vermelho, e de modo enfático, criticava as emissoras de rádio por não dar espaço para as bandas de rock nacional.

– Ney Matogrosso, um dos principais nomes da MPB, sempre esteve ao lado de Cazuza. A amizade entre os dois se estenderia por toda a década de 80.

– Na cidade de São Paulo, um dos clubes prediletos de Cazuza era o chamado “Madame Satã”.

– Mesmo após a saída de Cazuza, o Barão Vermelho seguiu lançando álbuns. Em 1986, por exemplo, é lançado “Declare Guerra”. tendo como participações especiais, as presenças de Renato Russo, da Legião Urbana, e Arnaldo Antunes, dos Titãs.

– A canção “Brasil” seria regravada por Gal Costa, e faria parte da trilha de abertura da novela “Vale Tudo” da Rede Globo.

– Após a morte de Cazuza, seus pais, Lucinha e João Araújo, criam a Sociedade Viva Cazuza. A entidade, por sua vez, busca dar amparo para crianças soropositivas.

– No ano de 1997, a cantora Cássia Eller lança o álbum “Veneno Antimonotonia”. O trabalho em si, é focado basicamente na interpretação de antigos sucessos de Cazuza como “Blues da Piedade” e “Preciso Dizer Que Te Amo”.

 

– No ano de 1999, a Som Livre, uma das principais gravadoras da época, realiza o show “Tributo a Cazuza”. Entre as atrações do evento, destaque para o Barão Vermelho, Kid Abelha, Zélia Duncan, Engenheiros do Hawaii, entre outros.

 

– No ano de 2004, é lançado o longa “Cazuza- O Tempo Não Pára”. Dirigido por Sandra Werneck e Walter Carvalho, o filme contaria com a participação do ator Daniel de Oliveira interpretando o poeta do rock nacional.

 

Discografia (Barão Vermelho)


Barão Vermelho– 1982

 


Barão Vermelho 2– 1983

 


Maior Abandonado- 1984

 

Discografia (Carreira solo)


Exagerado: 1985

 


Só Se For a Dois: 1987

 


Ideologia: 1988

 


O Tempo Não Pára: 1988

 


Burguesia: 1989