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Brasil: exterminador de raças

Como você se sentiria se, depois de décadas morando em uma certa região, recebesse uma ordem judicial determinando a desocupação da área? Revoltado, não?

Pois bem, em setembro, a Justiça Federal obrigou a tribo guarani-caiovás a saírem de suas terras em uma região do Mato Grosso do Sul, dentro da fazenda Cambará, em Iguatemi.

O grupo é composto por 50 homens, 50 mulheres e 70 crianças; possui um alto índice de 62 pessoas por cem mil habitantes – um índice muito alto até para padrões mundiais.

Depois da decisão da justiça, os índios divulgaram uma carta, na qual eles se manifestam contra a liminar da justiça que os obriga a abandonar a “própria terra”.

O Governo sequer está considerando o fato de que a tribo habita o local desde que o Brasil fora descoberto – sim, há mais de 512 anos – são, portanto um povo nativo e histórico. Deveriam ser mantidos em sua terra.

Quem deveria proteger está violentando. Está sendo tirado dos Índios a única forma de sobrevivência, não estão considerando suas tradições. Então, como lutar contra alguém que foi feito para te defender, mas, quando você menos espera, recebe dele um golpe?

Na carta, a aldeia afirma que serão mortos coletivamente ali, ou seja, não sairão de sua terra natal por nada. Confira alguns trechos:

“Queremos deixar evidente ao Governo e Justiça Federal que já perdemos a esperança de sobreviver dignamente e sem violência em nosso território antigo, não acreditamos mais na Justiça brasileira. A quem vamos denunciar as violências praticadas contra nossas vidas? Para qual Justiça do Brasil? Se a própria Justiça Federal está gerando e alimentando violências contra nós.”

“Cientes desse fato histórico, nós já vamos e queremos ser mortos e enterrados junto aos nossos antepassados aqui mesmo onde estamos hoje, por isso, pedimos ao Governo e Justiça Federal para não decretar a ordem de despejo/expulsão, mas solicitamos para decretar a nossa morte coletiva e para enterrar nós todos aqui. Pedimos, de uma vez por todas, para decretar a nossa dizimação e extinção total, além de enviar vários tratores para cavar um grande buraco para jogar e enterrar os nossos corpos.

Decretar que “já vão e serão mortos”, e ainda pedir para que seus corpos sejam enterrados em seu cemitério histórico, é um anúncio de um possível suicídio coletivo, não é mesmo?

Não nos esqueçamos, também, que há anos muitos deles morrem em conflitos com fazendeiros e pistoleiros. Estão abandonados, sem condições de sobrevivência, e o governo não faz nada para ajuda-los, pelo contrário! Os índios declararam que normalmente comem apenas uma vez por dia, porque é tudo o que conseguem sem se arriscarem a levar tiros dos fazendeiros.

Com essa declaração, não duvido nada que a decisão da Justiça Federal seja a pior. Afinal, para o Brasil, que já exterminou tantas raças e espécies, o que seria acabar com mais uma?

Vivemos em um país que estampa “Ordem e Progresso” na bandeira, mas a Ordem é a favor daqueles que vivem pelo e do progresso, e não em prol daqueles que realmente precisam e são injustiçados. 

Que tal o nosso Governo, brasileiros?

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