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Uma breve história da Terra #1

Nem milhares, nem milhões, a Terra tem bilhões de anos e sua história começou muito antes de qualquer criatura viva estar por aqui:

O início

Toda vez que uma estrela gigante explode em uma supernova – devido a um colapso causado por falta de combustível estrelar – ela espalha, por todos os cantos da galáxia, uma quantidade gigantesca de detritos. Com o passar de milhões de anos e a junção de diversos restos de estrelas, inicia-se a formação de novas estrelas e, consequentemente, novos planetas.

Foi dessa maneira que a Terra surgiu. Antes de qualquer coisa existir por aqui, havia a Nebulosa Solar, uma grande nuvem de detritos gerada pela explosão de algumas supernovas nessa região da galáxia. Essa nuvem era formada, basicamente, de hidrogênio e hélio, materiais criados no início dos tempos, ainda no Big Bang. Outros materiais mais pesados, como carbono, ferro e ouro, foram forjados no núcleo das estrelas, ou seja, grande parte do material que hoje forma a Terra veio das supernovas, que explodiram antes do Sistema Solar existir.

Há aproximadamente 4,5 bilhões de anos, a Nebulosa começou a se contrair. Acredita-se que isso tenha ocorrido devido a onda de choque liberada por uma supernova próxima. Isso fez com que os materiais, anteriormente parados, começassem a se mover. O movimento ganhou uma forma circular e o ponto central da nebulosa, obviamente, ficou estático, criando uma facilidade de acúmulo de material no local. Foi dessa maneira que o Sol surgiu, angariando 99% de toda a matéria existente na região.

O material que não foi sugado pelo Sol em formação, acabou se juntando em diversas regiões diferentes do que viria a ser o Sistema Solar. No começo, cada planeta era apenas uma pequena bolinha de material. Naquele momento deveriam existir milhões delas, mas com o tempo elas foram se chocando e se unindo devido a força da gravidade.

A Terra, em algum momento, deveria ser apenas uma pequena rocha no espaço, vagando sem destino e crescendo conforme ia angariando mais material. Outros protótipos de planetas iam surgindo, até que um planeta grande o bastante fosse formado, tomando conta da região e trazendo todos os restos de matéria para perto de si.

Formação do núcleo

A gravidade é a grande responsável pela existência de planetas e estrelas no Universo. Sem ela, as coisas ficariam voando por aí e a vida jamais poderia se formar.

Aqui na Terra, nós convivemos com a gravidade diariamente, afinal tudo que soltamos tende a ir em direção ao chão. Contudo, na verdade, as coisas não buscam o chão em si, mas sim o núcleo da Terra, de onde emana uma força gravitacional grande.

Quanto mais matéria algum corpo possui, mais força gravitacional ele tem. Ou seja, se pegarmos uma bola de oxigênio com uma quantidade X de átomos e uma bola de ferro com a mesma quantidade X de átomos, o corpo formado pelo ferro vai ter uma força gravitacional maior. Isso ocorre pois, apesar de o número de átomos serem iguais, o corpo de ferro possui uma massa maior, porque seus átomos são mais pesados.

É por esse motivo que o Núcleo da Terra é formado por uma grande bola de ferro derretido. Quando o planeta estava se formando, os materiais mais pesados, por se atraírem com mais força, tendiam a afundar no meio dos materiais mais leves, criando um núcleo composto de metais pesados. Entretanto, muitos átomos desses materiais, que chegaram depois de um tempo a Terra em formação, não conseguiram fazer seu caminho até o núcleo. Graças a essa chegada atrasada de alguns materiais mais pesados, que nós temos ferro, chumbo e outros materiais pesados na superfície (ou logo abaixo).

O grande bombardeamento

Quando a Terra já tinha se estabelecido como um planeta no Sistema Solar, as coisas ainda eram bem confusas por aqui. Assim como nosso planeta se formou da união de uma infinidade de átomos unidos pela gravidade, haviam muitos outros corpos menores, que vagavam a volta, sem um destino muito certo.

Há pouco mais de 4 bilhões de anos, o cenário por aqui era perturbador. O planeta Terra mais parecia um grande alvo cósmico, sendo atingido diariamente por pequenas rochas vindas do espaço. Toda vez que uma dessas pedras vagantes do Sistema Solar batia aqui, uma explosão gigantesca se levantava, fazendo com que a superfície da Terra sempre tivesse uma temperatura na casa dos milhares de graus Celsius. Nessa época, o Planeta Azul deveria ser vermelho, como se fosse uma grande bola de lava.

Os impactos constantes não permitiam que o planeta esfriasse e a água existente ficasse em estado líquido. Esse período de fuzilamento cósmico ficou conhecido como Bombardeio Pesado Tardio e durou, mais ou menos, 300 milhões de anos. Com a passagem do tempo, aquela quantidade incrível de cometas e meteoros, que estavam pedidos dentro do Sistema Solar, começaram a encontrar seu destino final, sendo atraídos pelos planetas formados, até que o estoque “acabou”.

As evidências dessa época ainda vivem no Cinturão de Kuiper, uma região do espaço que vai de Netuno até bilhões de quilômetros fora do Sistema Solar, onde milhões de corpos rochosos de todos os tamanhos vagam. E também há o Cinturão Interno de Asteroides, que fica entre a órbita de Marte e Júpiter.

O esfriamento

Após o término do Grande Bombardeamento, a Terra começou a viver uma vida mais calma, tendo a oportunidade para que toda aquela rocha fervente começasse a se assentar. Elementos mais pesado da superfície iam um pouco para baixo, os mais leves subiam, permitindo a formação de continentes, oceanos e tudo mais.

Foi nessa época que a Terra saiu do período Hadeano (nome dado em homenagem a Hades, o Deus do Submundo, pois a Terra parecia um inferno fervente naqueles dias) e entrou no Arqueano, onde os primeiros contornos atuais foram ganhos.

Mas essa parte da Breve História da Terra fica para o próximo post da série!