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Uma breve história da Terra #2

Nem milhares, nem milhões, a Terra tem bilhões de anos e sua história começou muito antes de qualquer criatura viva estar por aqui:

Arqueano

Após o término do Hadeano, a Terra entrou em um período chamado Arqueano. Apesar do número de impactos de asteroides ter diminuído drasticamente, o Planeta Azul ainda era bem diferente do que é hoje em dia. A atividade vulcânica era intensa, com supervulcões surgindo nos mais diversos lugares. A formação do núcleo quente afetava todo o corpo celeste e as temperaturas eram bem maiores do que as atuais.

Tudo isso contribuiu para que as evidências dessa época fossem apagadas, pois as rochas de nosso planeta, apesar de não parecer, são recicladas periodicamente pelos vulcões. A atividade vulcânica e o movimento das placas tectônicas fazem com que a rocha que existe na superfície acabe sendo tragada para dentro da crosta terrestre, isso a esquenta, transformando-a em lava. Esse processo de reciclagem faz com que todos os traços que poderiam ajudar na datação e na descoberta da composição química do que havia na época são apagados, tornando o trabalho de busca de evidências dos períodos passados um trabalho de muita paciência e sorte.

Felizmente, algumas poucas rochas sobreviventes dessa época foram encontradas e revelaram todos os dados que sabemos dessa era, mas não foram essas pedras que trouxeram a mais incrível notícia do Arqueano.

A atmosfera daquela época era venenosa para nós. Composta principalmente de amônia e metano, seria intragável para qualquer forma de vida atual. Mesmo assim, os primeiros registros fósseis de seres vivos remontam o Arqueano!

Rochas metassedimentares encontradas na Groenlândia, datando mais de 3,5 bilhões de anos, revelaram que bactérias e diversos tipos de seres unicelulares já vivam por aqui muito antes dos seres humanos.

Proterozoico

Entre 2,5 bilhões de anos (final do Arqueano) e 0,5 bilhão de ano, a Terra viveu um período de extrema importância para a vida e para a transformação daquele estranho corpo no que conhecemos hoje em dia.

Ao contrário do Arqueano, o Proterozoico foi menos conturbado, por isso muitas evidências dessa época ainda são encontradas na Terra, possibilitando uma melhor compreensão do que realmente estava acontecendo.

Dentro do Proterozoico, há 2 bilhões de anos, um fato muito importante ocorreu. A atmosfera da Terra começou a receber quantidades enormes de oxigênio, liberado tanto pela fotossíntese de seres, quanto pelo enterramento de carbono. Assim, o planeta ganhou 100 vezes mais oxigênio do que possuía, algo que possibilitou, posteriormente, o surgimento de vida complexa por aqui.

Nessa mesma época, a Terra já possuía um grande Oceano e também um grande continente. O nome dele era Rodínia (o Pangeia só surgiu bilhões de anos depois) e foi o primeiro do seu tipo a aparecer aqui. Assim como os outros supercontinentes posteriores, esse se separou em pedaços menores, dando origem a 8 continentes que, da mesma maneira que os atuais, ficaram vagando a deriva, seguindo o fluxo das placas tectônicas que os sustentavam.

Enquanto a Terra vivia seus primeiros e alegres passos como um planeta cheio de vida, movimento tectônico e oxigênio, alguma coisa muito estranha começava a se espalhar por aquele paraíso… Gelo.

A Bola de Neve

Estudos de diversas estruturas no Planeta Terra acabaram revelando um fato curioso. Aparentemente, de alguma maneira inexplicável, parecia que em algum momento da história da Terra, ela teria sido uma bola completamente coberta de neve!

Essa hipótese surgiu depois que alguns cientistas encontraram sedimentos glaciais perto do Equador. Esse tipo de sedimento só se forma quando existe uma grande geleira no local. Por isso essa evidência apontava para um congelamento quase que total do Planeta.

Essa ideia ainda é bastante discutida pelos cientistas, mas se for real, além de ter congelado tudo por aqui, pode ter sido ela a responsável por desencadear a formação de vida complexa. Um congelamento desse tamanho afetaria todos os organismos vivos do planeta, gerando uma grande extinção em massa, que teria chego perto de extinguir a vida por completo. Felizmente, seres anaeróbio (que não necessitam de oxigênio), seres que sobrevivem devido ao calor vulcânico liberado em camadas baixas do oceano e sortudos que ficaram perto de fontes geometrais teriam uma chance de sobrevivência.

O número reduzido de seres e a necessidade de mudanças, pode ter gerado algo chamado de “pressão evolucionária”, que poderia ter desencadeado a geração de seres cada vez mais complexos. Isso tudo fez com que a Terra “Bola Neve”, quase inabitada, se tornasse o planeta da vida em poucos milhões de anos, criando um dos fenômenos mais polêmicos de todo o registros fóssil do planeta. Essa história, você confere no próximo post da série.