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Uma breve história da Terra #3

Nem milhares, nem milhões, a Terra tem bilhões de anos e sua história começou muito antes de qualquer criatura viva estar por aqui:

Final do Proterozoico

Após ter vencido sua primeira grande batalha contra o frio, a vida na Terra floresceu e se tornou mais complexa do que antes. Durante o período final do Proterozoico, os primeiros seres com mais de uma célula apareceram no planeta. Foi nessa época que vermes segmentados e folhagens simples apareceram pela primeira vez no registro fóssil.

Paleozoico

O Paleozoico é um longo período na Terra, que vai de 500 milhões a 250 milhões de anos atrás. Ao contrário das Eras passadas, nas quais pouca informação sobreviveu, esse momento do planeta era mais amigável e suas transformações menos radicais. Isso fez com que muito material acabasse sobrevivendo, ajudando os cientistas a entenderem exatamente o que ocorreu por aqui.

O Paleozoico é dividido em seis partes, por isso vamos começar pela primeira:

Cambriano

Quando o Cambriano entrou em cena, a Terra ainda não era nada parecida com a atual. Até esse momento, a vida fora dos mares era quase inexistente. Somente uns poucos microrganismos viviam na praia e os primeiros moluscos começavam a deixar para trás seu lar.

A coisa mais diferente dessa época era a formação dos continentes. Nesse período, havia um supercontinente chamado Pannotia, que espremia toda a terra seca do planeta no sul, subindo em direção ao norte em apenas um pequeno trecho. Isso criou um oceano gigantesco no centro do globo:

Tal fenômeno contribuiu para a distribuição da vida em todos os cantos, pois não haviam obstáculos.

A vida florescia lentamente na Terra de clima ameno, mas eis que algo aconteceu e o que era um crescimento lento se tornou uma explosão, mudando o rumo de nossa história para sempre:

Explosão Cambriana

Quando a Terra completou seus 4 bilhões de anos, mais precisamente há 542 milhões de anos, algo incrível aconteceu. A vida, que se resumia a seres com poucas células ou apenas vermes rastejantes, ganhou um novo fôlego, gerando seres mais complexos. A biodiversidade cresceu a uma taxa espantosa em pouco mais de 80 milhões de anos e ninguém sabe como isso aconteceu…

A ideia da Explosão Cambriana é muito controversa por diversos motivos. O primeiro é que houve uma mudança muito drástica na evolução dos seres e parece não haver nada que justifique isso. Também existe outro grande problema, que é o próprio registro fóssil. Muitos cientistas acreditam que a Explosão Cambriana não tenha durado algumas dezenas de milhões de anos, mas sim centenas de milhões. Como a geração de um fóssil é algo extremamente raro de ocorrer, alguns pesquisadores acreditam que a Explosão Cambriana possa ter sido um engano causado por um buraco no registro fóssil. Porém, tenha ela durado pouco ou muito tempo, a Explosão Cambriana de fato ocorreu.

Deixando de lado a discussão de como ou quanto tempo durou, a Explosão Cambriana foi o período da Terra onde a vida deixou de ser oceânica e foi para a Terra. Nesse momento surgiram os primeiros filos, que deram origem a tudo que é vivo hoje em dia.

Nessa época surgiram os principais filos que compõem a fauna atual. O filo é uma divisão de seres vivos que fica “logo abaixo” do reino. Milhões de espécie formam um filo, que por sua vez formam as classes e assim vai até as espécies. Um filo é extremamente abrangente, por isso é uma classificação meio arbitrária, contando com animais como crustáceos e aracnídeos no mesmo grupo.

Apesar de todos os problemas, mistérios e dificuldades, a vida na Terra parecia ter encontrado seu caminho. Aquele planeta cheio de água e terra marrom começava a ser coberto por vida.

O Cambriano se despedia, depois de dar a Terra toda a vida. A frente vinha uma nova era, mas sua história não seria tão bonita:

Ordoviciano

Essa era se iniciou com uma catástrofe: Extinção. A Terra estava vivendo seus primeiros momentos tendo a vida estabelecida como algo importante em seu sistema e eis que o destino tenta mudar tudo. Há 488 milhões de anos, uma grande extinção acabou com diversas classes, diminuindo drasticamente o número de espécies e freando a Explosão Cambriana. Porém esse era apenas o vento que anuncia a verdadeira tempestade.

Recém o ecossistema tinha se recuperado dos problemas iniciais do Ordoviciano e outro golpe foi desferido contra a vida. Durante toda sua história, a vida na Terra lutou bravamente para se manter em pé. Nos últimos 500 milhões de anos, cinco grandes eventos de extinção em massa ocorreram no planeta. O segundo maior deles devastou o Ordoviciano.

A grande extinção do Ordoviciano

Naquela época, a Terra tinha dois grandes continentes, sendo o Gondwana um deles (o outro era a Laurásia). Acredita-se que a movimentação de Gondwana tenha afetado o clima do planeta de uma maneira drástica, causando uma queda rápida da temperatura por todos os cantos. O resfriamento fez o nível do mar diminuir drasticamente, destruindo as plantas e seres que viviam a beira da água. Isso destruiu praticamente todas as formas de vida existente em solo, deixando apenas o mar como sustentáculo.

Nos oceanos, mais de 60% dos seres invertebrados marinhos foram extintos. Dois terços de outras espécies aquáticas deixaram de fazer parte da história.

A luta pela vida era uma batalha diária para aqueles seres vivendo em um mundo hostil. Mas o tempo passou e as coisas começaram a voltar ao normal. O mar se estabilizou, as temperaturas subiram e a primeira grande batalha entre a vida e o Planeta se encerrou com uma grande vitória para os seres vivos. Uma era de prosperidade estava à frente e havia chego a hora da vida se tornar, finalmente, a dona do Planeta Terra.