Minilua

Como a internet funciona?

Todos os dias você usa seu computador ou celular para acessar a internet. Durante o acesso, entra em sites, dá uma olhada nas redes sociais e também consegue ver uns vídeos no Youtube. Tudo isso parece ocorrer por mágica, mas o que será que faz a mágica acontecer?

Do computador para o mundo

Nós raramente paramos para pensar, mas a internet não se resume a uma conexão com a rede e seu computador solicitando sites ao servidor da companhia de banda larga. Na verdade, existem tantas coisas movendo a internet, que é complicado entender todos seus mecanismos em detalhes, por isso vamos simplificar tudo.

Vendo do ponto de vista do consumidor, nesse caso, nós mesmos, a internet começa em nosso computador ou celular. Toda vez que desejamos acessar um site, digitamos um endereço no navegador e um processo que movimenta muitas coisas ocorre.

O endereço digitado passa pela rede e chega ao roteador, lá ele é enviado (através de satélites ou fibra óptica) até os servidores (computadores gigantes que são capazes de realizar muitas e muitas tarefas ao mesmo tempo) da companhia que lhe provê internet (por exemplo: Oi, GVT, Net, etc.). É a partir desse momento que o endereço que você digitou é usado para encontrar um endereço dentro da internet.

Servidor de uma companhia espanhola de internet.

Os endereços dentro da internet funcionam de maneira parecida com a vida real. Cada site (da mesma maneira que uma casa) possui um endereço único no mundo. Esse endereço é dado por um conjunto de números, só que é muito mais fácil para pessoas decorarem nomes, por isso, em vez de 107.161.191.10, você digita minilua.org em seu navegador. Depois esse nome é convertido para a forma de número por um sistema chamado DNS (Domain Name System, algo como Sistema de Nomes de Domínios).

Esse monte de números é chamado de IP (Internet Protocol). Sem eles é impossível navegar na internet, pois o IP é responsável por mostrar o caminho certo que os dados precisam percorrer.

Depois que seu pedido chega aos servidores da companhia, ela envia sua solicitação para a internet, pedindo as informações que constam naquele endereço de IP. Após isso, o servidor que guarda seu site começa a mandar informações de volta para sua companhia de internet.

Para deixar tudo mais fácil, os sites se comunicam usando pacotes, que são pequenas quantidades de informação. Por exemplo, quando você solicita uma imagem a um site, ela é muito grande para ser transmitida em uma “tacada só”. Assim, o servidor divide ela em pedaços e vai mandando aos pouquinhos até formar toda a imagem.

Depois que o servidor do site que você deseja acessar já se comunicou com o da sua companhia de internet, a página vai sendo carregada no seu computador, dependendo da velocidade contratada.

É no meio dessa comunicação entre seu computador e o servidor da companhia que eles conseguem limitar sua velocidade de internet. Normalmente, essa limitação é imposta dentro do modem que está aí na sua casa, mas tentar alterar isso, hoje em dia, é complicado e é crime.

Sem perder o caminho

Representação gráfica de como seria a internet se pudéssemos vê-la.

Todos esses “uns e zeros” andando pela internet, com bilhões de conexões ocorrendo no mundo e o site que eu pedi chega perfeitamente na minha casa. Como será que esses dados não se perdem no meio dessa confusão?

A verdade é que podemos imaginar a internet como uma grande estrada circulando por todo o planeta. Ela é cheia de entradas e saídas, que levam as “cidades”, que por sua vez levam até as “casas”. Para coordenar essa estrada gigante, existem servidores enormes, conhecidos como backbones (espinhas dorsais). Eles fazem o tráfego andar na linha e usam roteadores para que sua solicitação não se perca no meio desse mar de pedidos.

Os backbones são a “internet em si”. Eles são essa grande estrada que faz a comunicação entre as ruas menores. Sem eles funcionando, a internet não consegue realizar seu trabalho. Cada país possui algumas empresas com seus backbones. No Brasil temos a BrasilTelecom, Telecom Italia, Telefônica, Embratel, Global Crossing e a Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP), todas provendo a espinha dorsal de nossa internet.

Se alguém quisesse bloquear um site para todo o público brasileiro, bastaria colocar uma restrição em cada um desses “superservidores”, que nós ficaríamos totalmente impossibilitados de acessar tal conteúdo, porque simplesmente não existira uma conexão com a “estrada menor”, que leva ao tal site bloqueado.

Passando por toda essa complexidade de servidores, estradas e caminhos, como será que minha solicitação faz para voltar até minha casa sem se perder?

Do mesmo jeito que um site tem um endereço de IP, você também possui um. Por isso, a informação solicitada a internet acha a sua casa da mesma maneira que você acha um site. Graças a esse número único para cada máquina conectada a internet, que sua mãe não recebe o conteúdo do site que você está abrindo, mesmo os dois estando conectados no mesmo modem. Cada computador, celular ou tablet conectado a rede mundial de computadores possui um IP único.

É meio complicado, mas é assim que a internet funciona. E também é graças a esses servidores de diversas empresas se comunicando e milhões de computadores, que nós temos toda essa capacidade de comunicação e informação livre. E o melhor de tudo, por ser formada por milhões de servidores de milhões de empresas e pessoas, ninguém é dono da internet. Ela é de todos e feita por todos.