Contos Minilua: A Culpada Inocente #236

Pois é, e lembrando que todos os temas são aceitos: mistério,suspense, terror, enfim! Sinta-se à vontade ok? O e-mail de contato: [email protected]! A todos, uma excelente leitura!




A Culpada Inocente




Por: Thalyta Sodero

Era mais um dia naquela casa. Lisanne Sodero morava sozinha naquele lugar fazia um ano e meio já. Antes dessa data, aquele era o lugar onde o Seu Marcos, e Dona  Silvia moravam com sua única filha, Lisanne. A menina, que não era mais menina: já era uma mulher de quase 18 anos, tinha lindos cabelos negros compridos, olhos azuis, e a pele branquíssima. Ela não tinha sua própria casa, estava fazendo faculdade de medicina ainda. Agora, com 19 anos, mora sozinha naquele lugar, onde era a casa de sua família.

Seus pais haviam morrido em um acidente de carro, que por sinal, Lisanne estava junto, mas foi a única sobrevivente. Era dia 8 de outubro de 2012 quando a família Sodero saia para um dia em família, que era comum eles terem dias assim, mas aquele dia era diferente: era o aniversário de 18 anos de Lisanne, por isso eles foram passar um dia na praia.

Mas não aconteceu o que eles esperavam para aquele dia. Era um dia lindo, a família estava já no fim da serra, quando foi fazer a penúltima curva um carro na contra mão estava vindo em direção ao carro da família Sodero. No impulso, Seu Marcos desviou e o carro caiu no barranco. Ele e Dona Silvia morreram na hora, mas Lisanne só teve alguns ferimentos.

Um ano depois dessa tragédia, Lisanne não se lembra de nada daquele dia, tudo o que ela sabe é o que os outros contam para ela. Mas isso é melhor para ela, não se lembrar de nada. Ela adorava viver naquela casa, onde passou sua infância com seus pais. Às vezes se sentia sozinha, pois não saia de casa nunca, só vinha uma mulher de vez em quando visita-la, mas não tinham muita proximidade.

A casa era linda, aconchegante: as paredes com a cor azul claro, piso de madeira, quadros em todos os lugares, uma janela branca enorme, e um vasinho vermelho com rosas que ela toda manha o regava. Ah sim, e havia uma cama, só uma, bem do lado da janela, sempre com o lençol branco.

Toda manhã era a mesma rotina: Acordar, regar as rosas, café da manha com pão e leite, dormir, acordar, tomar sopa, regar as rosas e ir dormir, acordar, jantar novamente a sopa e ir dormir para no dia seguinte fazer as mesmas coisas. Mesmo com só isso ela era feliz. No meio dessas atividades ela tinha um prazer: tricotar sentada em sua cama. Ela ficava horas e horas com a linha na mão.

Era como sua mãe, Dona Silvia fazia. Ela ficava horas e horas tricotando na cadeira de balanço, enquanto Lisanne brincava na rua com seus amigos. De vez em quando, Lisanne parava e ia ver se a peça que sua mãe estava fazendo, tinha ficado pronta. Era desde meias, até roupas. Ela adorava aquelas roupas, eram tão quentes no inverno.

Ela também queria aprender a tricotar igual sua mãe, então às vezes, Dona Silvia parava e ensinava sua filha. Ficavam pelo menos uma hora, Lisanne aprendendo com sua mãe. Era um momento especial para ela, diferente das suas outras amigas, que saiam e só voltavam a noite para casa sem dar satisfação aos pais.

Pintar era outra atividade que Lisanne fazia depois de tricotar, ela tinha vários desenhos espalhados pelas paredes. Eram desenhos de animais, de pessoas, de lugares, de coisas da imaginação, de tudo… O pai dela, Seu Marcos, adorava desenhar. Depois do trabalho, ele sentava na mesinha da sala, e ficava uma, ou duas horas desenhando… E pintando… E assim também, ele ensinou à Lisanne suas técnicas para desenhar.

Assim, todos os dias que Lisanne tricotava ela se lembrava de sua mãe, daqueles momentos juntas. E as vezes que ela pintava, ela se lembrava dos momentos que tinha com seu pai.

E as rosas… Ah as rosas. Todos os dias depois do trabalho, Seu Marcos chegava com uma rosa vermelha para sua esposa. Era uma demonstração de amor, dizendo que o amor dos dois ainda não tinha acabado. Então Dona Silvia a colocava num vaso com água, e toda vez que a rosa estava quase murchando, Seu Marcos vinha com outra  linda rosa vermelha.

Por isso todos os dias, Lisanne rega aquele vasinho, pois não esquece, e nem pode esquecer-se da memoria de seus pais. Agora tinha feito dois anos que Lisanne morava naquela casa. Numa manhã típica de 10 de fevereiro de 2014, ela acorda em sua cama com os mesmos lençóis brancos.

A primeira coisa que ela faz é pegar um copo d’água para regar as rosas. Ela, com um sorriso no rosto, deixa a água cair lentamente do copo. De repente o copo cai de sua mão, e se parte em vários pedaços. A rosa havia murchado do nada. Mas não foi por esse motivo que ela deixou o copo cair. As janelas, cadeiras, mesas, o ventilador, tudo havia sumido.

As paredes azuis, e o piso de madeira haviam sidos trocados pelo infinito branco. Sua roupa, agora era uma camisola branca, e seus pés estavam descalços. Aquela casa agora era um lugar pequeno, com o mais puro branco. As únicas cores que haviam, eram dos cabelos negros de Lisanne, a rosa, o tricô, e as pinturas espalhadas pelas paredes de cores únicas. Lisanne se levanta rapidamente, e vê atrás do vidro retangular que havia na porta, seus pais de mãos dadas com o olhar triste de agonia.

Seu Marcos usava uma calça jeans, sapatos, e uma camiseta azul; Dona Silvia vestia seu vestido florido favorito. Rapidamente, sem eles se moverem,  eles vão se desfazendo, deixando somente uma poça pequena com um liquido vermelho, que também ia sumindo, até desaparecer.

Em pouco tempo era como se eles nunca estivessem lá. Ela se levanta com calma, com os olhos cheios de lágrimas, e pedindo perdão, desculpas, sem parar. Lisanne se apoia na porta, e vai escorregando até sentar no chão branco. Ainda chorando, ela  encosta seu ouvido na porta, e ouve vozes, parecia que estava na sala a frente. Eram duas pessoas.

- Sim Doutora Marcia. Mas a senhora podia me explicar do caso da paciente do quarto 507, Lisanne Sodero? – diz uma das vozes.

- Bom… Ela era uma menina calma como os amigos dela diziam. Com 16 anos tinha notas altas, era boa aluna, saia e voltava com as amigas na hora combinada com os pais. Enfim, era uma garota típica de uma família respeitada. Mas a partir dos  17 anos seu comportamento mudou completamente. Tinha brigas constantemente com seus pais, quebrava copos, pratos, vasos da casa, saia e só voltava para casa dois dias depois ou mais…

Era outra pessoa. - doutora Márcia faz uma pausa, dando um suspiro - Até que um dia os pais dela resolveram conversar com ela, pois já suspeitavam que ela estava ficando alcoólica, e usava drogas. Mas era tarde demais… Quando voltou para casa depois de ficar 3 dias fora, ela os envenenou, colocando veneno para ratos em suas bebidas. Então ficou lá… Olhando eles morrerem, pedindo por ajuda… – termina a Doutora

- Mas Doutora, fiquei sabendo que Lisanne contou à policia que seus pais morreram em um acidente de carro. – novamente diz a primeira voz, com um ar de duvida.

- É verdade… Lisanne inventou isso na sua cabeça. Ela não se lembra do dia em que seus pais morreram. Mas no fundo, ela sabe o que fez. Ah, e além dessa historia, ela tem tido alucinações, visões de seus parentes, e acredita estar morando em sua própria casa… Esse é um caso triste… - responde Doutora Márcia.

- Entendo Doutora… Para a senhora ver né, o que as drogas podem fazer com as pessoas. Mas aquela menina foi uma vitima das drogas, ela não sabia que isso podia acontecer. Vou cuidar dela direitinho, pois qualquer pessoa merece uma segunda chance. É como se ela fosse uma… Uma culpada inocente!

- Completa o enfermeiro Antônio.
- Sim, é claro que ela merece uma segunda chance. É como minha mãe dizia: “É acreditando nas rosas que as fazemos desabrochar”.

  1. Juninho Cineasta

    23 de março de 2015 em 10:42

    Bem escrito e muitp bem desenvolvido. Triste mas interessante

  2. Tolerância Zero

    15 de março de 2015 em 21:46

    Oh rível.

  3. thalyta_sodero

    14 de março de 2015 em 14:14

    quem fez esse conto me conhece n é possivel, meu sobrenome é sodero e lisanne é meu nome de jogo ‘-‘

    • Pensador Alternativo

      15 de março de 2015 em 16:57

      O conto ficou muito bom, parabéns Thalyta =]

      • thalyta_sodero

        15 de março de 2015 em 17:57

        fico feliz q tenha gostado, muito obg ;D

    • thalyta_sodero

      14 de março de 2015 em 14:14

      pera… o conto é meu kkkkk, disfarça

  4. André Silva

    13 de março de 2015 em 23:04

    Muito bom, gostei.

  5. Weverton Costa

    13 de março de 2015 em 21:58

    Saudade da época em que “contos minilua” eram historias de terror 🙁

    • Jeff Dantas

      14 de março de 2015 em 03:49

      Em breve, pode deixar!! ^^

  6. Jeff Dantas

    13 de março de 2015 em 19:53

    Ah gente, quem quiser, pode mandar matérias ou desenhos! O endereço é o mesmo… 🙂

    • Mutley

      14 de março de 2015 em 12:56

      Jeff eu te mandei uma matéria agora pouco , é para o Monte a sua matéria , é sobre o planejamento de Nova York , por favor se puder , de uma olhada lá 😉

  7. Greengineer

    13 de março de 2015 em 19:13

    Um hospício iria fazer bem para ela.

  8. Luiz Eduardo Araújo Oliveira

    13 de março de 2015 em 18:49

    First. Uhu sempre quis fazer isso

  9. Pequena_Corvo

    13 de março de 2015 em 18:20

    1 primeira a comentar e o que eu ganho com isso…?????

    • Tolerância Zero

      15 de março de 2015 em 21:45

      Pau no cu da first.

    • cassio simer

      13 de março de 2015 em 20:29

      depende

    • Jeff Dantas

      13 de março de 2015 em 19:52

      • Greengineer

        13 de março de 2015 em 22:04

        Só se foundue aí kkk

    • Pequena_Corvo

      13 de março de 2015 em 18:21

      nada

19 Comentários
mais Posts
Topo