Contos Minilua: A menina que queria voar (parte III) #170

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A menina que queria voar (parte III) Desistência, entrega, pena e justiça.

Por: Garota Infernal

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- Você está maluca, Bela? Você deve estar alterada pelo o que aconteceu, eu sei que ama sua irmã e…

- É verdade, Gustavo! Nunca percebeu que tudo o que faço é para vê-lo feliz?

 - O quê?

- Daniel é o melhor partido da cidade, ele praticamente pediu minha mão no jantar de natal e você…- Argumento falho, senhorita Bela. Daniel “praticamente pediu” e pede a mão de todas as meninas da cidade… e das senhoras também.

- Eu estive doente no jantar de natal…

- Eu poderia ter tentado me salvar…-Se salvar? - me casando com ele. Papai confiaria em mim de novo…- Uma lágrima tímida e reprimida nasceu em seus olhos.- Mas eu descobri que…

- Isto não quer dizer que esteja grávida, talvez seja só um atraso, talvez esteja errada.- Protestei.

- Você não me corresponde. Eu sempre pensei que gostasse de mim, passamos por momentos ótimos e todos dizem que somos o melhor casal, nós…

- Não! Quer dizer… - Eu não sabia o que dizer. O que eu queria dizer há algum tempo estava duelando com o meu medo dentro de mim. Eu estava no meio da encruzilhada e tinha 4 caminhos, pensava eu. O primeiro era me entregar por inteiro e dizer que amava também. O segundo era fugir. O terceiro era negar que sou o pai e perdê-la para sempre.

O quarto e mais ridículo era dizer que não amava-a, me casar e fingir que começava a amá-la. Tolo, este sou eu! Meu maior medo sempre foi eu mesmo. Eu fui meu maior obstáculo. Como era simples abandonar corações partidos em cidades estranhas, era só por diversão. O amor é a maior incógnita do universo.

-Somos tão jovens, Bela. Tens 18 anos!

- Você pode até me salvar!- Do quê, Bela? Do quê! Se tivesse aberto o jogo antes…

Um silêncio esquisito tomou conta. Sim, a gravidez me fez ter medo, mas um medo maior veio em volta do “Me salvar”. 

- Salvar do quê?

Senti que algo incomodava ela.,

- Da vida.- Respondeu com uma expressão molhada de “Claro que é!” e o rosto virando em sinal de negação.

Ela queria falar mas não conseguia, enquanto chorava sua garganta fazia contrações.

- De tudo… Meu pai tem razão… Se não fosse o reformatório eu não seria o que sou hoje, e eu ainda não estou preparada.

- Preparada para o que?

- Tudo… Eu nunca vou conseguir criar essa criança sozinha, eu…

- Ela não existe.

- POR FAVOR, ACREDITA EM MIM!- Isabela se entregou a um choro de dor. Um choro que apenas a mesma compreendia. 

Nenhuma mulher abandonada choraria como ela chorou, pois para ela isso era maior. Parecia uma mulher que vi em um cemitério nos tempos de mascate, ela chorava por perder 6 filhos e o marido em um incêndio…

Era uma dor destruidora, capaz de fazer em pedaços um coração aventureiro e durão como o de Isabela. Ela era outra Bela. Eu não sentia a criança ali. Não que eu tivesse que sentir, mas ela parecia tão insólita em suas palavras. Na verdade, minha covardia me impedia de acreditar em suas palavras.

Palavras devem ser contrárias a sua natureza, elas não devem voar, devem ser cravadas em uma pedra. As palavras dela voavam em minha mente, um quebra-cabeça de peças erradas.

- Prove.- Falei em um tom tão baixo que nem eu mesmo conseguia ouvir direito. Era um tom de vergonha. Ela simplesmente me olhou com desprezo e dor.

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- Monstro!- Disse ela, rápida e clara. Estava em minha face, o mundo todo veria que eu era um monstro. A principal característica de um monstro é ser forte, no entanto eu era fraco, logo não era um monstro, mas uma anomalia da natureza. Isso me fez lembrar do que disse a Dora. Disse que era um monstro.

- Eu não estou pronto.

- Não me ama?

- Amar é uma palavra forte, Bela. Você me faz feliz…

Eu amava, mas não tinha coragem de dizer porque Bela não estava ali, era uma outra pessoa… Eu não sentia Bela. Isabela era forte, determinada, feliz, vivaz, saudável e segura. Isabela estava triste e fraca, era como uma rosa vermelha quase morta que suplicava por água e um pouco de luz.

- Não me deixe sozinha, Gustavo.- Sussurrou quase sem voz. Seu rosto tinha a súplica espalhada pelas lágrimas. Seus membros estavam cansados e sua luz estava piscando fraca…

Eu vi o medo em seus olhos e minhas mãos, ainda em seu ventre diziam que meu dever estava ali. Este é o sentido da vida. Eu nunca tive pelo o que lutar e agora eu tinha dois motivos para acordar. Eu tinha dois motivos para comer. Eu tinha dois motivos para viver.

- Não está sozinha, Bela. Eu só… Não consigo pensar na ideia de ser pai agora, e nem de você ser mãe… Parece uma de suas brincadeiras. Vai ficar tudo bem, Bela.

Nos abraçamos e ela me agarrou como se eu fosse o caminho para o seu porto seguro.

- Não me abandone.

- Eu nunca vou te abandonar.

- Não faça isso, Gustavo.

- O senhor teve um filho?- Perguntou-me a simpática enfermeira.

 - Sim, senhora. Eu tive, e amei com todo o meu coração. Eu fiz tudo por ele.

 - Mas… Não consta nenhum filho nos seus documentos.- Disse Dr. Gabriel.

 - Ouçam…- Falei olhando firme em seus olhos.

No outro dia falamos sobre nosso casamento. Foi uma surpresa espantosa, mas logo se tornou uma festa. Não falamos da gravidez, o casamento seria uma tragédia.

Estávamos tão felizes e o amor que eu sentia por Bela era maior que tudo, maior que o mundo. Eu pensei que o destino havia feito eu me apaixonar por Dora como preparação para quando Bela chegasse. Bela tinha muito medo que eu fugisse, o que era engraçado. Para irritá-la, eu bebia água de madrugada. A coitadinha vinha atrás de mim pensando que eu ia fugir… 

A gente se amou tanto…

Donadom estava triste porque queria que Dora fosse ao casamento, mas o médico disse que ela havia se tornado perigosa. Não entrava na minha cabeça de Dora, uma menina doce e inocente pudesse se tornar uma ameaça.  Alguém fez alguma coisa, pensei. Eu visitei ela. Parecia um ato trivial, a gente fazia isso as vezes para que ela se sentisse “parte da família” mas ela não falava nada, só se balançava de um lado para o outro cantando uma velha canção que sua mãe ensinara. Não entendíamos o que ela dizia.

- Dora… Aconteceu alguma coisa?- Perguntei. Isso mesmo. Nada de “bom dia” ou “como vai”, ela iria misturar tudo, pensei.

- Eu me sinto suja.- Disse penetrando fundo em meus olhos. Era sarcástica, não era inferior ou frágil.

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- Por que se sente suja?

- Eu não sou…- Isadora começou a falar como se fosse dizer que não era alguma coisa, mas pelo o seu tom de voz dava para saber que estava começando a se descrever.-  insignificante, trivial, normal, como as outras, jogada fora, descartável… Eu não sei me comportar, não sei ficar quietinha e eu não sei ir até o fim com as minhas obrigações… Acha que a mamãe vai me deixar aqui pra sempre?- Ela não era apenas irônica, era uma criança irônica. Ela realmente achava que a mãe iria lhe salvar.

- Isadora, sua mãe está…

- MORTA?- Berrou.- Morta? Ela me prometeu que tudo ia acabar bem e que ninguém iria se machucar, ela me disse que o mundo era limpo! Que droga de mundo limpo você está vendo? E vocês me mandam para esse lugar branco! Cheio de velhos e gente mostrando a língua…- Ela começou a ter uma fixação pela lâmpada.- E agora eu sou uma casca do que eu era antes.

- Era verdade quando você disse que sua mãe te ensinava a “ser uma mocinha”?

- Daniel… Ele…- Dora olhava para a lâmpada, que começou a piscar um pouco. Sua fixação era tanta que dava para ver suas pupilas se dilatando um pouco…

- O quê?- O transe dela estava me contagiando por que antes eu também olhava para a lâmpada,  e agora acordava deste transe. Eu estava bem acordado, mas ela ainda estava presa.

- Tem alguém em casa?…- As lágrimas saiam de seu rosto sem expressão, ela lacrimejava, piscava e falava enquanto olhava para a lâmpada. Eu estava disposto a responder a pergunta dizendo que seu pai e sua irmã estavam lá, mas ela continuou.

- Não, eu estou sozinha… Gustavo está?… Ninguém está hospedado, não há ninguém… Você quer brincar?- Ela falava como se estivesse conversando consigo mesma. 

Me dei conta. Eu já sabia o que era. Ela começou a chorar de verdade.

- Desculpe, Dora…

- Sim, eu quero brincar… Seja uma boa menina, Isadora… QUAL É A BRINCADEIRA? Qual… É… A… Brincadeira, Daniel… O que a mamãe faz aqui? - Agora ela gritava, como se gritasse com a lâmpada que parecia queimar a qualquer momento.

- Desculpe, Isadora.

Sai daquele lugar com os soluços do choro de Dora em minha cabeça. Daniel destruiu ela. Eu me senti tão impotente… Eu queria mata-lo, eu queria bater nele… Mas ela disse que a mãe estava presente no dia… Eu passei o dia pensando naquilo. Em todas as possibilidades. Cheguei a pensar que eles haviam brincado de verdade de algo como pega-pega… Ele brincou de destruir.

Na rua, me encontrei com Rafael e ele me chamou para tomar alguma coisa em um bar após o trabalho. Cheguei lá e estavam todos, até o Daniel… Boa oportunidade. Não conseguia trocar uma letra com ele.

Pegamos nossas garrafas e resolvemos conversar fora do bar, estava tendo uma briga lá, e a gente precisava conversar em paz, afinal, ainda éramos jovens e não queríamos levar uma garrafada no pescoço. E Fabrício tinha uma mulher e um filho pequeno para criar. Mas fui eu quem motivei todos a sair por que eu queria ter um particular com Daniel depois, mas as coisas tinham que ser sutis.

- Sabe aquelas meninas que ficam atendendo lá na padaria da Rua Central de manhã? Aquelas de uns 16 aninhos e sonham em ser professorinhas? Então, ela deu o troco todo errado quando me viu, se atrapalhou, quase me deu 20 mil cruzeiros.

Todos riram da história nojenta do Daniel. A confraternização entre amigos era ânsia de vômito para mim.

- Ela ficava doidinha com as notas enquanto dizia, “me desculpe, me desculpe.”… Então eu disse que ela era bela e desastrada.

- Você é nojento, Daniel.- Vomitei. Não literalmente, calma. Quer dizer que eu falei, bem bravo.

Me olharam com estranheza.

- Mas… Não estou te reconhecendo mais, Gustavo, eu…- Tentou argumentar como um cachorrinho inocente.

- É nojento. Não acredito que tentou algo com uma miúda tão novinha.

- Sempre fizemos isso.- Disse tomando um gole de sua cerveja.

- Fizemos vírgula. Eu nunca tentei…

- E Dora?- Questionou. Ele já tinha uns goles a mais na cabeça, por isso se sentia O Dono Do Mundo, com seu olhar de bêbado louco e estuprador.

Os outros deram risinhos idiotas e covardes. Mas Fabrício se pôs entre nós dois e falou.

- Será que fugimos de uma briga e agora vamos fazer uma outra?

- E Dora?- Questionei com olhar de “Eu sei”. Eu também estava levemente alterado, mas meu olhar estava bem claro e a lucidez tomou conta da minha mente como se não houvesse álcool no meu sangue.

Ela tomou um gole generoso de cerveja e cochichou “depois” como sinal de conversarmos depois que os outros fossem embora. Os caras viram que o clima não tava bom, eu não estava bom. A gente sempre ficava rindo e conversando, mas hoje eu estava lutando com Daniel. Cada palavra, cada gesto soava como um duelo.

Eles não aguentaram a tensão e acabaram por ir embora. Eles já haviam andado uns 50 metros. A rua estava vazia e o único barulho que tínhamos eram os grilos e os murmúrios do bar. A briga acabou e nem percebemos com o clima de ódio e possível assassinato. 

- Tudo bem, eu…- Tentou dizer. A lucidez subiu na cabeça como balão de festa junina (desculpe a comparação…).

Você o quê? - Interrompi. - Estuprou Dora?

Ele me olhou com uma interrogação na testa.

- Estuprei? Desonrei, e não tenho orgulho, mas…

- Judiou dela, eu deveria te entregar…

- Não. Não, ela quis, ela me procurou, ela e aquela mulher…

- Que mulher?

- Não sei que mulher, não sei, as duas. Ela veio acompanhada por uma mulher, uma morena… Ela começou a se insinuar, a tirar as roupas e eu sou homem…

- Mentiroso! Você quem foi atrás dela…- Gritei.

- Você só diz isso por que é apaixonado por ela e não consegue aceitar que ela é uma..- Interrompeu.

- Uma o quê?

- E agora você casa com a outra por que é igual a ela…

- Nunca! Eu só não tolero que você estupre ela e depois minta, ela é como uma irmã para mim…

- Eu não estuprei! - Berrou. Ainda bem que a rua estava vazia…

- Ela está em um manicômio por sua culpa! - Falei com uma expressão sarcástica de “Não quero saber, fique com sua culpa!”. Daniel me lançou um olhar de quem está acordando para algo.

- Não foi minha culpa, ela quem veio…

- Não, ela me contou tudo. Contou tudo, Daniel. Você foi até a casa dela e estuprou ela… Só não entendo onde esta tal mulher entra… Ela diz que é a mãe dela, mas a mãe dela está morta… Quem ela é, Daniel?

Ele me olhou com os olhos cheios de lágrimas.

- Eu não sei… Eu não errei, ela errou!

- Você merece a cadeia, você merece a morte…

- Você não vai me entregar… Somos amigos… - Falou sorrindo.-  É o meu fim, Gustavo…

- Foi o fim da Isadora… É pouco para você.

Rafael fez uma coisa que eu nunca achei que ele fosse fazer. Se ajoelhou e abraçou minha perna chorando e implorando.

ajoelhado

- Por favor, por favor, por favor…

Eu poderia bater nele. Poderia matá-lo. Poderia torturá-lo… Mas ele quem estava se torturando. Dali para a frente nenhum castigo chegaria perto do que a própria alma dele proporcionava. Eu podia ver a mistura de ódio e dor em seus olhos, um doce pesadelo que ele desejava que tivesse fim… Eu sabia o que era isso.

Rafael se entregou para a polícia no dia seguinte, mas não pelo o estupro, isso ele nem mencionou, eu fiquei sabendo por ele mesmo que ele havia obrigado Dora a ajudá-lo a roubar a casa de um senhor muito rico que havia na região. Aquele ato resultou no infarto do mesmo, que caiu da escada, mas não o óbito.

Falavam nos jornais e na delegacia que o ladrão havia empurrado-o da escada e que só depois ele sofreu o infarto.  Daniel pediu para os policiais sigilo e que não falasse para os jornais, tudo o que publicaram foi uma reportagem de menos de uma página dizendo que haviam achado o ladrão de casas e que estava tudo certo e seguro. Foi indiciado por abuso de incapaz, furto e tentativa de homicídio.

Ele não mencionou sobre a mulher morena em seu depoimento. Eu sei disso por que eu escrevi seu depoimento. Ele também não mencionou Dora diretamente, apenas falou da existência da menina com problemas mentais na história. Ele precisava se punir envolvendo Dora. Sua gana por auto-punição era muita, mas não venceu a vergonha de Dora.

O sol nasceu em minha vida. Depois de achar que o pesadelo estava acabado eu me senti leve, muito leve. Eu podia voar… Voar pelos ares da minha felicidade.

- Seu porco! - Exclamou Paola me batendo e chorando.

- Paola… Eu nunca te prometi nada… Você disse que não queria nenhum compromisso… Você nunca me levou para conhecer os seus pais. Bela e eu nos apaixonamos, você estava viajando. Errei… Mas eu não me importo.- Falei segurando seus braços. Decidi que não iria mais me culpar, Paola não era a mulher mais limpa das redondezas, eu estava pouco me lixando!

- Eu te odeio! Morra, Gustavo! - Seu orgulho feminino sangrava de ódio e vergonha. O que diria as amiguinhas? Que foi trocada por uma outra, e que, ainda por cima, eu me casaria com essa outra?

- Eu te entendo Paola. Olha - Falei me aproximando e enxugando suas lágrimas. - você é linda, linda! Você não pode se prender a mim… Você vai encontrar um homem que te ame como eu nunca amei, te respeite como eu nunca respeitei… Você não precisa ficar presa…

Ela sorriu… Parecia o sorriso de Dora naquele dia…

- Isadora tinha razão.

- Sobre o quê?

- Você é difícil… Ela nunca cumpriria com você.

- Cumpriria o quê?

Paola me olhou fixamente, ela nadou pelo verde dos meus olhos por uns 30 segundos. Descobri tudo. Descobri o mundo. Mas quando ela deixou de me olhar eu esqueci, tudo pra mim era um déjà vu.

SARCASMO

- Tens razão… Eu não mereço ficar presa a você… Fique com Isabela… Vocês se merecem, ela é uma ladra, e você é um cafajeste!- Me bateu por uma última vez e foi embora, correndo. As escadas não eram seguras, eu sempre disse para Donadom, mas ele dizia que ia procurar alguém para consertar. Tudo o que ouvi foi o barulho de Paola rolando pela escada.

Levei-a para o hospital na hora.

- Ela fraturou a clavícula, torceu o joelho, quebrou o úmero e deslocou a escápula.- Murmurou o médico que não me recordo o nome, com um olhar cansado.

- Ela está bem?- Perguntei preocupado.

- Ela está dormindo… Ela sentirá muita dor. Devemos fazer cirurgia… Mas ela está bem, não terá muitas sequelas.

- Meu Deus. - Exclamei.

- Não seja besta, seria pior se tivesse fraturado a vértebra. Ficaria aleijada.

Me espantei com o que o médico disse, mas é que os médicos daquela região tinham aquela maneira realista além da conta de falar. Ele era um senhor careca com o saco cheio da vida. Ainda tive chance de ouvir um diálogo engraçado naquele hospital. Uma mãe desesperada chegou para ele perguntando sobre a perna quebrada de seu filho.

Ele suspirou e disse que tiveram que amputar. Eu fiquei curioso sobre aquilo e me virei vendo ela chorando e ele olhando para ela. Depois de um minuto ele disse “Deixe de besteiras, a perna dele ainda está lá.”…

Ela lhe lançou um olhar de ódio e repúdio… Eu já vi aquele olhar… Entre uma multidão de mulheres que vieram “Das Arábias” em São Paulo… A mulher que me olhou me apontou, só dava para ver seus olhos, furiosos… Ela tinha olhos negros… tão negros que eu não podia ver nem a alegria, nem a tristeza…

Pobre Paola… Quer saber? Eu estava cansado de lutar por verdades, de seguir pistas. Eu não iria mais atrás do que Paola falou. Eu iria ser feliz. Eu e Bela estávamos felizes, mas não era a felicidade de um casal normal, estávamos muito felizes. Não era o casamento… Era simplesmente por estarmos juntos e por funcionarmos tão bem.

E então, eis que um dia eu estava lendo  o jornal local sentado no sofá. Eu lia o jornal local, o jornal de Belo Horizonte e de mais duas cidades vizinhas. Não pergunte por que, é uma daquelas manias esquisitas, eu precisava saber o que acontecia nas outras cidades. Bela ligou o rádio e começou a dançar.

E como ela dançava bem! Na verdade, todos os movimentos que ela fazia pareciam uma dança com… Tudo o que pode existir (desculpe por não achar a palavra certa, talvez ela seja atmosfera…). Ela fazia movimentos com as mãos enquanto girava e andava pela sala. Fiz que não sabia de sua existência…

Mas ela não se deu por vencida. Ela arrancou graciosamente o jornal de minhas mãos e colocou sobre a mesa. Quem disse que eu ia me deixar abater tão fácil? Fingi que nem vi… Mas ela me levantou me forçou a dançar com ela, e eu fiz como na água e deixei ela dominar a situação. Estava vencido. Eu e Bela dançávamos sem compromisso com as regras dos bailes e inventávamos nossos próprios movimentos, mas era um encaixe perfeito por que tínhamos sincronia.

- Bela…- Suspirei.

- O que, bailarino?- Disse com sua voz doce e risonha.

Segurei-a com um braço colando-a a mim. Tirei uma mecha de cabelo do seu rosto e olhei seus olhos negros. Podia ver sua felicidade.

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- Você me faz voar.

Ela sorriu e eu me aproximei para beijá-la. Ela protestou colocando seu indicador em meus lábios.

- Você devera conferir o jornal de BH!- Disse virando o rosto.

 - Não! - Exclamei. - Não acredito!

 - Não acredita no quê?- Disse me olhando com cara e “Que tipo de trama sórdida está planejando?”, que para ela é um sorriso com um ar esperto.

 - Não acredito que você quer ser atacada…

 - Não. - Protestou, mas o sorriso precoce pintava seu rosto.

 - Você quer muito ser atacada.

 - Não… Se você me machucar…

 - Eu vou te machucar.

 Prendi seus braços para trás e fiz cócegas em seu pescoço.

 - Quer mais?- Perguntei.

 Ela me abraçou e fez cara de criança mimada.

 - Acho que deveria ver o jornal de BH.

 - Ah, Deus, o que há de tão importante em BH? Um terremoto? Um Tsunami… Já sei! Virgem Maria desceu lá!

 Bela levantou o rosto risonho e acariciou a ponta do meu nariz.

 - Bobo! - Sussurrou.

 Me dirigi até a mesa onde colocamos o jornais e procurei pelo jornal de BH. Ela me abraçou por trás e esperava apreensiva. 

 - Que foi? É pra procurar alguma coisa?- Perguntei olhando-a por cima dos ombros.

 - Não dá pra te surpreender…

 - É dinheiro?

 - Oportunista!- Disse me dando um soquinho nas costas.

 Ela me abraçou novamente e eu comecei a procurar no jornal o que ela tanto queria me mostrar.

 - Tão quente quanto um gol…- Indicou.

 - Caderno de esportes…- Sussurrei.

 E então achei… Ela havia ido ao médico e eu tive a confirmação: Estava grávida de 3 meses. Me fiz de indiferente.

 - Era isso?- Perguntei frio.

 Ela se silenciou… Deve ter feito uma expressão triste…

- Pois eu não precisava disso para saber que do teu ventre nascerá a menina mais amada deste mundo.- Me virei e vi sua expressão de surpresa. - Filha da mulher mais amada deste mundo. Filha do homem mais inteligente e cavalheiro deste mundo…- Cavalheiro?

- É… Um… Gentleman…

- E eu aposto que este homem é também o pior jogador de tênis.- Arriscou.

- Você sempre usa isso contra mim. 

- Uso não…

- Essa menina - Continuei. - Será linda como a mãe. - Afirmei.

 Ela deu uma risada.

- E essa menina será a mais feliz deste mundo. - Completei.

- Quem disse que vai ser uma menina? - Perguntou, sorrindo.

- Eu disse, e vai ser.

- Não, vai ser menino! - Disse acariciando a ponta do meu nariz.

- O que importa é que será o mais feliz do mundo.

- Sim, será!

Me aproximei de seus lábios…

- Posso?

Ela sorriu e suspirou.

- Deve!

Os meses se passaram dessa forma. Feliz. Dora estava riscada das nossas agendas, apagada de nossas mentes e digna apenas de oração. Não queria me preocupar. Só me preocupava com nosso filho, por isso me ofereci para trabalhar de outras formas. Eu ajudava escritores, cobria folgas dos datilógrafos de outras delegacias, escrevia para jornais…

- “E quando ela voltou a beber seu chá de camomila naquela sorridente manhã de março, eu me senti…”

Eu escrevia para Pierre. Era um escritor muito metido que nem me olhava na cara, ele ficava falando e eu escrevendo. Um tipo bem arrogante e desconfortável, não tinha ido com a cara dele, mas era um gênio. Pierre escrevia (risos). Gargalhadas de estourar a garganta.) enquanto acariciava seu gato, um bicho muito feio e peludo.

- Pierre… Desculpe por acabar com seu momento de genialidade - Ironia, mas era verdade… - Telefone para você.

Minha visão estava tampada, mas era uma voz feminina… Eu diria mais, feminina e conhecida. Aquela moça esguia e ruiva entrou no quarto. Eu conhecia mas não sabia o nome, não lembrava…

- Helga, queridinha. Não sei se sabes, mas ainda se usa a palavra “licença” e não é de bom tom para uma mulher entrar no quarto de um homem solteiro. - Pierre falava rápido… Me lembro disso de algum lugar…

- Não é de bom tom dois homens no mesmo quarto. - Ofendeu (a mim também…).

- Também não é de bom tom ironia nesta linda boquinha.- Rebateu (mas não a altura…).

- E não é de bom tom ter preguiça de escrever os próprios livros… Se fossem manuscritos, tudo bem… Estamos no século vinte, Pierre! - Ela começou a apertar as bochechas dele… Esquisito. - O tempo em que as coisas acontecem.- Humilhou (fantástico.).

- Você e suas ideias malucas, Helga! - Ele perdeu…

Isso! Helga, esse é o nome…

- E vocês ainda brigam deste jeito? - Falei tirando meu chapéu.

Não havia reconhecido aqueles dois antes por causa dos chapéus e da mudança. Quem diria! Helga e Pierre conseguiam se manter juntos no mesmo lar. Sem brigar… Não garanto…Helga ainda estava com seu rosto virado para o outro lado.

 - Em que lugar uma dama adentra um quarto e não recebe os devidos comprimentos apresentações?- Resmungou.

 - Não me apresento a ti, Helga, por que já nos conhecemos.

Helga se vira e eu tenho a oportunidade de ver seus olhos cor de mel e seus lábios finos antes que eles se curvassem em um sorriso e ela se jogasse em cima de mim, sentando em meu colo. Esquisito para um homem   noivo, isso eu concordo. 

- Meu Deus, Gustavo! Como está? Senti tanto sua falta, nós sentimos! Os estudos fora foram um martírio sem ti e tuas bobagens! Senti tanta, tanta, tanta saudade! - Dizia enquanto me esmagava e me sufocava com seu abraço “carinhoso.”.

- Tantas saudades que nem reconheceu minha voz. - Tentei dizer, mas eu parecia um morto falando tendo em vista que ela me impedia de respirar com sua fraternidade exagerada. Tudo nela é exagerado, por isso amo-a e ela é a melhor amiga que pude ter.

- Não reconheci pois nos tempos de escola você parecia uma galinha falando… - Respondeu me soltando e deixando-me respirar. Brincadeira, sua voz é linda e eu senti saudade de ouvir ela!- Deus! Ela me abraçou de novo quase quebrando minhas costelas.

Helga me soltou e ficou de pé sorrindo enquanto eu recuperava o fôlego. Tive até que afrouxar a gravata depois dessa!

Pierre bateu as palmas das mãos 3 vezes. Eu reconheço isso. Era sinal de que Helga passou dos limites de forma ridícula.

- Muito bem, Helga. Que espetáculo melodramático-parisiense-moulin-rouge fantástico! E você, Gustavo? Continua jogando água na cama dos outros? Continua se escondendo no armário da cozinha para que seus pais não te peguem no sábado?

- Nada disso é mais ofensivo que um escritor que não escreve. Muito bem! Faz jus a sua antiga preguiça. - Rebati.

Ele deu risinhos baixos, mas o clima de combate acabou e eu pude abraçar meus amigos. Eles eram meus melhores amigos no colégio interno. Quando nos formamos tomamos rumos diferentes. São irmãos, seus pais mandaram eles para Portugal para que estudassem, e eu, como sabem, peguei uma grande quantia em dinheiro e fugi de casa. Não foi como fugir… Meus pais não me queriam lá.

Um dia, soube que Dr. Alfredo teve um AVC e não podia mais ver. Muitos achavam sorte, pois lhe restou a vida. Em um encontro que tivemos na igreja pensei o mesmo, pois era o mesmo ancião sábio de sempre.

- Sabe, filho? Estive pensando em escrever um livro sobre psicanálise…

- Muito bom, senhor! És um ótimo psiquiatra.

- Já escrevi livros antes, mas agora não posso mais escrever em minha máquina. O fato é que terei a viagem de férias as crianças em meu sítio em BH, acho que seria um bom lugar para escrever. Se importaria de datilografar para mim?

Fiquei receoso.

- Eu adoraria, mas minha mulher está grávida, não posso deixa-la sozinha.

- Eu lhe pago. Pago o suficiente para que a vinda de seu filho seja segura financeiramente. Soube que está fazendo este tipo de trabalho. Será apenas uma semana, o livro não é tão grande.

- Uma semana?

- Sim.

- Então aceito!

Avistei Fabrício fumando perto da árvore. Como nos velhos tempos, mas agora ele podia faze-lo sem disserem que seu pulmão iria explodir.

- Como vai?

- Bem… Trabalho demais… Júnior está dando os primeiros passos, já a patroa está reclamando bastante, mas eu amo ela. Só tome cuidado, quando seu filho chegar vai ser decretado que não iras mais dormir.

- Eu faço este sacrifício.

- Fiquei triste quando soube do Daniel. Antigamente ele não era assim, agora o diabo encostou nele e ele faz tudo quanto é coisa errada, e nem precisa de dinheiro.- Ele tragou e eu cheguei mais perto afim de entender melhor o que dizia. - Rico  não precisa ficar roubando. 

- É…

- Escuta… Naquele dia…

- Naquele dia eu quis dar bons conselhos para ele. 

- E Dora? Você mencionou Dora. - Perguntou pisando no cigarro.

- É que ele já tinha se engraçado com ela, ela é doente, não pode. Mas meus conselhos não chegaram a seus ouvidos a tempo.

- Ele vai passar um bom tempo vendo o sol nascer quadrado.- Afirmou.

- Duvido, quem tem dinheiro não fica na jaula muito tempo.- Eu duvidava em partes, afinal, eu sabia que a culpa iria fazê-lo sucumbir, fraquejar e, por fim, mata-lo.

O dia de minha viagem cairia justo após o dia nebuloso… O dia… Dia do aniversário da morte da mãe de Bela, Isabel. 25 de junho. Faziam 13 anos… Neste dia Seu Donadom chorava, mais triste que qualquer um naquela casa. Bela lamentava, mas tinha alguma coisa esquisita em relação a sua mãe… Foi neste dia que minha mãe pediu que eu guardasse algumas coisas no porão.  Eram uns móveis que não precisávamos.

- Podes vir a precisar quando for para outra casa com Bela.- Falou mamãe, sorrindo como se eu tivesse vindo de seu ventre.

- A gente vai continuar aqui, Bela não quer sair daqui.

- Estou tão feliz, meu filho!

- Eu também, mamãe!

Como era bom largar os medos e me deixar levar pela felicidade de forma tão plena. Eu estava sempre sorrindo…

- Meu amor!- Gritava Bela.

Ela corria com um papel na mão até mim.

- Eu já falei para não correr! - Repreendi, sorrindo, mas repreendi.

- Carta para você!- Disse entregando a carta junto a um beijo me abraçando por trás. Ela sempre fazia isso. As vezes  eu sinto ela me abraçando desta forma. Eu ainda sinto a impressão de que seus pés estão esticados e que seus braços estão em volta do meu pescoço.

Às vezes eu sinto seus lábios contra o meu pescoço e até ouço seus gemidos de tédio, ou ouço suas risadinhas e quando tenho sorte eu ouço um “eu te amo”. Ainda ouço as batidas do seu coração. Ainda sinto o hálito quente da sua respiração.  É a única coisa que sobrou. Lembranças e um pouco dela dentro de mim.

Mais uma carta de meu pai biológico. Agora dizia que soube de meu matrimônio e paternidade e que quer apenas que eu leve minha mulher para passar uns dias lá. 

- O que foi, meu filho?- Perguntou Neide.

Sua voz macia e confortável me dizia que era minha única mãe.

- Meus pais biológicos.

- Não quero ir! - Exclamou Bela.

- E quem disse que vamos?

Umas 15 cartas com convites e súplicas de perdão haviam sido mandadas para lá, mas eu não queria ir e ignorava todas. 

- Vá confortar seu pai, Belinha. - Pediu dona Neide.

- Ele está muito triste… Sempre fica assim.

- Dorinha costumava ficar lá com ele, e este ano está sendo difícil para ele, apesar de todas as bênçãos.

- Eu vou lá.

Bela foi correndo até o pai…

- Não corra!- Gritei.

- Sim, general!- Respondeu batendo continência.

Olhei para a mamãe e disse.

- Você é a minha mãe. Eu te amo!

Levei 5 mesas de cabeceira até a porta do porão e abri. Ele era diferente, ele não tinha escada e sim uma rampa. Seu Donadom não tinha afinidade e nem sorte com escadas…Acendi a luz e a primeira coisa que vi foi um retrato. Era uma mulher, linda.

unnamed(2)

Mas não demorou muito para eu perceber que aquela mulher não era ninguém se não a mulher que me perseguia em meus sonhos na rua. Era aquela que me olhava furiosamente com seus olhos negros dos quais eram tão profundos que não se podia ver alegria ou tristeza.

Isabela passava casualmente por ali e me deu um abraço.

Eu ainda estava paralisado olhando a foto.

- É a minha mãe. 

- Como ela morreu mesmo? - Perguntei. Eu sabia, mas esqueci…

- Afogada… Ela caiu no lago e não sabia nadar.

Senti seu hálito quente no meu pescoço.

- Deus sabe o que faz. - Disse. 

Aquela frase ficou ecoando na minha cabeça. Sua voz doce e concreta me dizia isso, diz até hoje. Deus sabe o que faz… Levei todos os móveis para aquele porão quente e empoeirado e fechei a porta. Naquele porão havia muitas coisas do passado. Fotos das gêmeas quando criança e os brinquedos delas, os desenhos que faziam na parede. Estrelas, círculos, e animais.

Desenhado com tinta vermelha. Pois quando eu fechei aquela porta era como fechar o passado. Bela pegou a chave da minha mão…

- Não gosto do porão.- Suspirou me abraçando.

- O que tem lá?

- Parece maligno. Eu tinha medo… Às vezes eu podia ouvir os gritos… Mas acabou quando fui mandada para o reformatório.

- Por que você foi mandada?

Ela sorriu. 

- Eu… Eu roubei uma joalheria… Na época eu tinha 10 anos, queria fugir daqui… Mas eu fui pega, óbvio. Digamos que não é muito comum ver uma criança adentrando a área escrita “apenas funcionários”.

- Não tem mais do que fugir.- Sorri para ela.

- Esse é o motivo. - Disse apontando para meus lábios.

- Este é o motivo! - Falei apontando para os dela.

Depois do dia triste e cansativo fomos dormir. Eu não pregava o olho, eu tinha sede. Mas Bela dizia que só dormia abraçada comigo, portanto, tive que esperar ela pegar no sono para tomar água.

No caminho para a cozinha eu ouvia seu Donadom murmurando.

-  Eu fiz certo. Eu fiz certo. Eu fiz certo. Eu fiz certo. Eu fiz certo…

Mudei meu destino e caminhei até a sala, de onde o som vinha. Seu Donadom havia tirado o quadro e olhava para ele enquanto repetia aquelas palavras. Parecia uma oração.

- Seu Donadom…- Chamei sua atenção.

Ele me olhou assustado, mas logo se acalmou.

- Você está ai. - Disse olhando para as mãos e depois para o quadro.

- Esta era a sua mulher…

- Sim, era… Linda… Isabel.

- Eu sinto muito… Sei que está sendo difícil para o senhor.

- Eu não aguento mais tanta dor…- Era muito ruim ver um idoso sofrer. Eu já devo ter mencionado que os velhos têm um poder sobre mim, ver ele daquele jeito me deu uma dó devastadora. 

- O senhor está vivo…- Eu começava a chorar junto. Eu não entendia sua dor, mas eu via e isso era suficiente.

- Não quando eu me lembro do que aconteceu.

- O que aconteceu?

- O que eu fiz para proteger minhas filhas… 

Todo fato antecede ao ato….

  1. Livya Silva

    16 de junho de 2016 em 00:33

    E até hoje espero a última parte.. Chega a bater tristeza

  2. Gabriel Cosendey

    12 de abril de 2015 em 19:40

    quero parte 4 por favoooor

  3. Rodrigo Castro

    27 de abril de 2014 em 18:35

    lança logo a parte 4 adorei a história

  4. Tayuya QS

    3 de março de 2014 em 11:32

    Mt bom! Quero a quarta parte:)

  5. Dollúcifer Seuamygynhu

    3 de março de 2014 em 10:50

    Um conto extremamente GAY e sem nenhum proposito 0/100

  6. Marcelo Afonso

    3 de março de 2014 em 05:49

    Quando eu tiver mais paciência, leio tudo.

  7. Emanuel Ribeiro

    3 de março de 2014 em 00:58

    OMG, OMG, OMG

    Esperei tanto pra ver o final, mas descubro que tem a 4ª parte…
    Fiquei feliz e triste.
    Feliz pq vai ter mais pra eu ler.
    Triste pq vai demorar mais Ç_Ç

    • Little Uchiha™

      4 de março de 2014 em 12:05

      Tu é masoquista?

  8. Raul Seixas

    3 de março de 2014 em 00:55

    aff meneslua deletou meu comment da isabela nardoni ¬¬ (será que fui salvo do inferno agora? e.e )

    • Marvelunatico

      3 de março de 2014 em 00:58

      deletou nao man, ta aparecendo aki

      • Kairos

        3 de março de 2014 em 01:45

        aqui tb lol

  9. Little Uchiha™

    2 de março de 2014 em 23:17

    ta porra, que texto grande do carai.

    • Thiago.

      3 de março de 2014 em 00:11

      Vou soltar essa piada level praça de novo:
      Conto:
      [img]http://files.ultimate-ben10.webnode.com.br/200000012-1b53c1d471/5-Enormossauro%20ben10.jpg[/img]

  10. Um qualquer

    2 de março de 2014 em 23:05

    Excelente conto! Se equipara ao mais famoso do minilua, o Shopping Mendo ^^ . Mas pelo final desta parte, acho que você vai precisar escrever mais duas……. primeiramente, explicando porque seu Donadom matou a mulher dele afogada, do que ele tentou salvar as filhas 😀 Tá de parabéns!

    • Garota Infernal

      2 de março de 2014 em 23:12

      Tá vendo, você provou que eu não quis surpreender, está de parabéns! A questão é outra, meu jovem… Acho que tenho espaço pra tudo o que vai acontecer.

      • Um qualquer

        3 de março de 2014 em 11:30

        Depois que este conto acabar, mande mais dos seus contos pra cá. Você é uma excelente escritora. Já pensou em fazer livros?

  11. ultramen Tiga

    2 de março de 2014 em 22:59

    scroll quebrou mas valeu a pena 😀

  12. Nameless

    2 de março de 2014 em 22:43

    Achei essa parte meio arrastada, não fiquei tão curioso pra saber o que aconteceria a seguir, como nas outras partes do conto… E houve certa troca com Daniel e Rafael que deixou o texto meio confuso.

    Maaas os erros gramaticais diminuíram e eu ainda continuo curioso pra saber como isso vai acabar. Então, você nos deve a parte final da história, Garota.

    Ah, de qualquer modo, obrigado pelo tempo dedicado a isso, pois sei que escrever exige certa paciência e que ideias originais e boas não vêm na hora que você quiser.

    • Garota Infernal

      2 de março de 2014 em 22:50

      Meu intuito não foi instigar a curiosidade do leitor para a próxima, na verdade esta fala do Donadom é um divisor de águas, e se continuasse tiraria um pedaço dos eventos da próxima parte deixando o conto “errado” ao meu ver. Rafael e Daniel são nomes que me deixam confusa, eu não deveria ter escolhido esses nomes, eu deveria ter escolhido Serverino e Juvinilson kkkkkkk
      Agradeço sua atenção e curiosidade, isso é muito importante pra mim.

      • Emmanov Kozövisck

        5 de março de 2014 em 19:06

        Ei, tu não resolvestes a questão do Rafael e Daniel que eu lhe disse na correção? Báh!

      • Nameless

        2 de março de 2014 em 23:16

        Escuta, sei que posso tá enchendo o saco e esses mimimis ae, mas de onde você tirou o plot inicial disso tudo? E quanto tempo em média leva pra escrever cada parte?

        • Garota Infernal

          2 de março de 2014 em 23:20

          O que significa plot? Bom, eu levo uns 30 ou 40 minutos escrevendo uma parte, é a minha velocidade de digitação, por que eu não reviso, reviso muito mal e também a colocação das palavras, eu já cheguei a ver o conto pronto e apertar delete porque as palavras estavam de forma errada, não eram as certas, as apropriadas.

          • Nameless

            2 de março de 2014 em 23:38

            Não me referia a velocidade pra escrever em si, mas ao tempo de concepção da ideia na sua mente, algo como cada situação em que o personagem se envolve, cada diálogo… Se quando você escreve uma coisa leva a outra, entende? Acho que estou me expressando meio mal, espero que compreenda o que quero dizer.

          • Garota Infernal

            2 de março de 2014 em 23:55

            Olha, minhas idéias são… Atemporais. Eu tenho ideias enquanto lavo a louça, ou enquanto cozinho, ou antes de dormir, a qualquer hora do dia. É que eu vivo procurando inspiração, eu nunca sentei e forcei é desse jeito forçado que péssimas obras são escritas. Eu guardo essas idéias e quando vou escrever uma coisa leva a outra. Então eu diria que estou tendo idéias 16 horas por dia(O tempo em que estou acordada, mas tiro inspiração de sonhos também) e quando executo nascem novas. Há um fato interessante na próxima parte que eu só inventei quando estava escrevendo(Eu perdi ela.). Espero ter respondido sua questão.

          • Nameless

            2 de março de 2014 em 23:59

            Obrigado pela atenção que dedica ao seu público, Garota. Gosto das suas ideias e torço pelo se sucesso. E vou parar de te encher agora. Boa noite.

          • Nameless

            2 de março de 2014 em 23:29

            Plot é tipo a ideia original. Algo assim.

          • Garota Infernal

            2 de março de 2014 em 23:37

            Ah, eu me sentei para escrever, iria ser outro conto com uma ideia diferente, algo que eu queria desenvolver já a algum tempo, é sobre um homem que se casou com a mulher errada… Mas quando eu comecei vi que podia ser diferente e ai eu fui construindo a história enquanto escrevia e ia imaginando cada cena.

  13. Jabuscrêison

    2 de março de 2014 em 22:23

    Eu gostei mais dessa parte, pois não tem tanta explicação como as outras partes. Também achei essa mais dramática. 🙂

    • Garota Infernal

      2 de março de 2014 em 22:47

      É que essa parte tem mais fatos e menos devaneios ou reflexões. Se você classificou as outras como perfeitas, não sei que palavra dizer sobre essa…

  14. Shun

    2 de março de 2014 em 22:11

    Tive que ir lá ler a parte II de novo, pq já tinha até esquecido onde tinha parado .-.
    ps: o conto tá cada vez melhor, só acho que a Cat tava meio indecisa pra escolher o nome do Daniel, pq teve vezes que ele apareceu como Rafael 😉

    • Garota Infernal

      2 de março de 2014 em 22:19

      Sim, duas vezes. É que o nome Rafael e Daniel são muito parecidos pra mim e eu digitei rápido. Além de me confundir um pouco pois foi o Rafael quem convidou o Gustavo para beber… Mas eu cometi esse erro muitas vezes e deixei duas passarem sem querer, mas faz parte shuashuashua

      • Shun

        2 de março de 2014 em 22:31

        O bom é que mesmo assim deu pra entender, já que na cena não tinha mais ninguém além dele e o Gustavo kkk xD

  15. Moonlight Wins

    2 de março de 2014 em 22:06

    Hum, parece ter se esforçado mais nessa 3 parte.. mas não o suficiente pra escapar do meu deslike.

    • Senhor do Tempo

      3 de março de 2014 em 01:04

      Sério pessoal quem é o sem noção que curte os comentários do moonlight?

      • Marvelunatico

        3 de março de 2014 em 02:52

        Um é o próprio fake dele, o outro é algum troll que quer por fogo na bagaça e da like em tudo

    • Raul Seixas

      3 de março de 2014 em 00:11

      como ele é bicha má e.e

    • Ismael Siqueira

      2 de março de 2014 em 23:18

      O nada vale mais que você, seu deslike é pura inveja.

    • el chupacabra

      2 de março de 2014 em 22:07

      vayne tá roubando seu ponto de prostituição

      • Vayne, A Cupida Mortal

        2 de março de 2014 em 22:56

        A sua mãe roubou o meu antigo

        • el chupacabra

          2 de março de 2014 em 23:44

          minha mãe morreu sua hemafrodita filha de cú

  16. Gin

    2 de março de 2014 em 22:01

    Achei que não sairia mais…
    Img 7 Soraya Montenegro? .-.

  17. Litzen Vampiro

    2 de março de 2014 em 21:47

    Vou ter que ler outro dia, ja que ta por aqui Jeff, quando vai postar meu big hits?…

    • Jeff Dantas

      2 de março de 2014 em 21:53

      Ah, em breve hehehe.. É que tem muito texto na fila.. Principalmente contos! Daí, já viu? Até separar cada um… 🙂 ^^

      • Kairos

        2 de março de 2014 em 22:07

        serio?
        como foi q meu big hits veio em menos de uma semana entao? o_Õ

        • Jeff Dantas

          2 de março de 2014 em 22:13

          Então, depende muito do estilo tb.. Se é algo mais Pop, comercial… Se tem um apelo um pouquinhio maior. 🙂

          • Kairos

            2 de março de 2014 em 22:16

            ce ta hierarquizando pq?
            as bandas deveriam ser tratadas todas iguais ce nao acha?
            (ainda mais tardando em meses o big hits do cara)

          • Jeff Dantas

            2 de março de 2014 em 22:19

            Hey, eu prometo que sai… heheh Deixa comigo!!! 🙂

          • Litzen Vampiro

            2 de março de 2014 em 22:22

            Qualquer coisa eu envio de novo, pra ficar no topo da caixa de emails e.e…

          • Litzen Vampiro

            2 de março de 2014 em 22:14

            É Doom metal na verdade…

      • Litzen Vampiro

        2 de março de 2014 em 22:02

        Sim, tu deve se perder bastante lá, e muito conto…

        • Jeff Dantas

          2 de março de 2014 em 22:12

          Sim, são mais de 30 por mês!! Além de umas 20 matérias 🙂 ^^

  18. Jeff Dantas

    2 de março de 2014 em 21:41

    “Chove lá fora, e aqui faz tanto frio..” http://www.atualfm.com.br/site/wp-content/uploads/2013/09/Chuva-1.jpg

    • Raul Seixas

      3 de março de 2014 em 00:13

      Me lembrou: Me chama-lobão 😛

    • From Hell

      2 de março de 2014 em 22:06

      Faz frio porque as casas brasileiras não tem calefação…

  19. Raul Seixas

    2 de março de 2014 em 21:33

    vou pro inferno mas tudo bem:
    [img]http://geradormemes.com/media/created/pvcqkv.jpg[/img]

  20. el chupacabra

    2 de março de 2014 em 21:31

    eu esperaria um vídeo do “eu te salvo” sobre esse conto

    • Garota Infernal

      2 de março de 2014 em 21:34

      “A menina que queria voar, foi uma garota que viveu nos anos 40 e tinha problemas menta-tais(Arrahn) desculpa, e essa garota…” – EU TE SALVO, Cara do.

      • Raul Seixas

        2 de março de 2014 em 21:40

        nao esquece da risada meio down .-.

    • Jeff Dantas

      2 de março de 2014 em 21:33

      Ah é, não seja por isso.. Pera aí, deixa eu chamar o Edu… hehehehe

      • el chupacabra

        2 de março de 2014 em 21:40

        aí sim eu assistiria

  21. Senhor do Tempo

    2 de março de 2014 em 21:29

    Muito bom Garota Infernal tem muito talento. Espero a parte IV. 🙂

    • Garota Infernal

      2 de março de 2014 em 21:30

      Muito obrigada, você não sabe o quanto isso é importante pra mim ^^

      • Dollúcifer Seuamygynhu

        3 de março de 2014 em 10:49

        Foda-se não vou ler um artigo de merda escrito por uma P#TA que não tem nada de melhor a fazer.Li as primeiras 3 linhas e fui logo no banheiro vomitar,essa merda aew não merece nem o tempo que eu gasto pra dar um deslike.

        • Emanuel Ribeiro

          3 de março de 2014 em 20:41

          Então pra que comentar?
          Se nem vale o tempo do deslike…

      • Marvelunatico

        2 de março de 2014 em 23:19

        Vc me inspirou a escrever um conto, escreverei, baseado numa “profecia” q foi proferida aki no Minilua…

  22. Garota Infernal

    2 de março de 2014 em 21:23

    Depois de se entregar a seus desejos e se desprender dos seus problemas, Gustavo é novamente lançado para os mistérios envolvendo Dora e encontra a solução. Com sua felicidade em mãos, Gustavo decide parar de procurar explicações para o improvável e se pensa em seus planos para o futuro com sua amada. Não há mais questões e todos os problemas foram resolvidos, não há o que temer e nem o que procurar. Na noite do aniversário da morte de Isabel, mãe de Dora e Bela, ele percebe que ainda não acabou…

    • Patrick Luz

      16 de setembro de 2014 em 02:40

      Sei que possui um lomgo tempo que isso foi postado mas,se vir esse comentário…onde esta a ultima parte?pq do começo até esse conto foi mt bom. Ótimo trabalho msm :).

    • Ismael Siqueira

      2 de março de 2014 em 23:20

      afinal esse conto tem quantas partes?

      • Super Choque

        3 de março de 2014 em 00:54

        Quatro partes. Eu acho…

      • paulo ferreira

        3 de março de 2014 em 00:10

        O suficiente

    • O Mentalista

      2 de março de 2014 em 22:21

      Já pensou em escrever o livro?

      • Garota Infernal

        2 de março de 2014 em 22:26

        Eu já, mas penso mais nos curtas metragens que um amigo meu me deve…

        • O Mentalista

          2 de março de 2014 em 22:50

          Interessante eu também penso em produzir curtas, mas o custo é muito grande…

          • Moonlight Wins

            2 de março de 2014 em 22:52

            Vc gosta msm é de uma coisa bem longa neh.

          • Eren Jaeger

            2 de março de 2014 em 23:27

            Para de denunciar os coments dos outros

          • Kairos

            3 de março de 2014 em 00:06

            aposto que ele jah denunciou esse

          • Kairos

            3 de março de 2014 em 00:12

            e esse tambem

          • Marvelunatico

            3 de março de 2014 em 00:13

            e esse tambem

          • Kairos

            3 de março de 2014 em 00:25

            e talvez esse

          • Marvelunatico

            3 de março de 2014 em 00:33

            e quem sabe esse

          • Kairos

            3 de março de 2014 em 00:34

            provavelmente esse tambem

          • Marvelunatico

            3 de março de 2014 em 00:37

            de acordo com as estatísticas esse tambem

          • Kairos

            3 de março de 2014 em 00:46

            através dos calculos feitos a partir da multiplicaçao do numero de monossilabas desse post, a area da barra papo do minilua em dm² e o volume cilindrico da minha jeba, esse tambem

          • Marvelunatico

            3 de março de 2014 em 01:08

            por intermédio da posição da lua em direção a África, analisando o sentido vetorial de pi, levando em conta que delta= b² – 4 x a x c que equivale ao diâmetro total da cavidade anal do moonlight, esse tambem

          • Kairos

            3 de março de 2014 em 01:26

            baseado nos meus estudos inuteis de filosofia, eu penso em tudo isso como algo baseado nas possibilidades, vc vasculha em seu interior a resposta para algo q possa ser futil de certo ponto de vista e q msm assim eh importante para vc buscar a resposta para esta pergunta q o assola e atraves do pensamento (vide Descartes: “Penso, logo existo”) nois podemos chegar a uma conclusao q no caso seria esse tambem

          • Marvelunatico

            3 de março de 2014 em 02:50

            levando em conta que o período de gestação da fêmea do suricato dura em média 77 dias, pois é preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã, a N.A.S.A. descobriu que 90%, que é 100% menos 10%, que multiplicado por 10 é igual ao nível de satanidade dos posts do Diego, alegaram que esse aqui tambem

          • Kairos

            3 de março de 2014 em 13:23

            kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
            nem to mais com cabeça pra continuar xD
            (ah, e esse tambem)

          • Marvelunatico

            3 de março de 2014 em 14:15

            entao vamos parar por aki, antes q ele exclua esse tambem

          • Eren Jaeger

            2 de março de 2014 em 23:04

            Depois ainda fica exaltado quando te zoam

  23. Jeff Dantas

    2 de março de 2014 em 21:21

    Hummmm, gostei desse olhar 🙂 ^http://static.minilua.org/wp-content/uploads/2014/03/SARCASMO.jpg

    • Ilto Campos

      3 de março de 2014 em 00:40

      Jeff Dantas, posta o conto do Coronel Mostarda – In Marte II
      Creio que ja tenha escrevido inclusive a parte III

  24. Wagner

    2 de março de 2014 em 21:20

    Vai ter parte IV ou acabou?

    • Garota Infernal

      2 de março de 2014 em 21:24

      Sim, vai ter. Esse pode ser meu último conto dependendo do que vocês acharem, isso é muito importante pra mim.

      • Wagner

        2 de março de 2014 em 21:26

        Não vai ter minha opinião agora não, porque eu só leio contos assim quando tem todas as partes.

      • Jeff Dantas

        2 de março de 2014 em 21:25

        Bom, até agora, eu gostei bastante.. Principalmente dessa última parte… ^^

        • Garota Infernal

          2 de março de 2014 em 21:29

          E essa era a que eu mais temia… Na verdade eu temo por todos os meus contos depois do que aconteceu essa semana. Me deram uma opinião muito dura e eu pensei em parar de escrever…

    • Jeff Dantas

      2 de março de 2014 em 21:21

      Não, tem mais uma parte ainda. Aliás, de todas, foi a que eu mais gostei 🙂 Enredo com ação, e bem elaborado. 🙂

      • Wagner

        2 de março de 2014 em 21:22

        Ok então, assim que sair a última parte eu leio 🙂

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