Minilua

Contos Minilua: A vingança do dia 7 #51

E antes que me perguntem, não, eu não me esqueci do conto anterior. Acredite, ele terá sim uma continuação. Uma boa leitura a todos!

 

Vingança do dia 7

Por: Julio Augusto

Era uma tarde chuvosa e escura, Flaviana se preparava para sair do trabalho rumo a sua casa.

Era feriado de sete de setembro por isso ela podia sair cedo naquele dia. 

A loja onde trabalhava era em frente à rua principal de sua cidade, onde passaria o desfile. Porém, tampouco estava interessada em assisti-lo.  Naquele mesmo momento ela só pensara em relaxar em seu sofá, ou quem sabe beber um pouco com as amigas logo à noite.  

Saindo do trabalho ela se depara com uma grande multidão. Pessoas de todos os bairros tinham vindo homenagear a pátria, mas Flaviana não ligava muito para patriotismo.

– Idiotas pensa ela, como alguém pode ser tão estúpido a esse ponto? O que tem para homenagear além de corrupção e desemprego?

Com dificuldade ela sai da multidão que estava aos berros acenando para os soldados que faziam o desfile e se dirige até a parada de ônibus como de costume.

Ela olha para o ponto de ônibus que estava deserto a não ser por um velhinho que acaba de ter saído de um ônibus e se vai até a padaria da esquina onde provavelmente trabalha. Então Flaviana atravessa a rua e senta no banco do ponto de ônibus. Tudo normal, a não ser quando ela sente estar sendo observada. Não há ninguém perto dela, não haveria motivos para essa sensação. Um medo fora do comum a deixava alerta e arrepiada.

Ela se sentia como se a própria morte a estivesse observando. Seus olhos naquele momento mostravam seu medo enquanto suas pupilas dilatavam.

Ela começa a imaginar coisas de repente. Isso nunca tinha acontecido antes. Ela estava realmente com medo naquele momento, não tinha ninguém perto dela e ainda sim ela sentia que tinha.

Um barulho alto a desperta para a realidade. Seu ônibus tinha chegado. Quando ela sobe no ônibus sente um vulto atrás dela. Deveria ser pela paranoia que acabara de sentir.

Ela paga sua passagem e entra no ônibus, senta-se perto do motorista ao notar que o coletivo estava parcialmente vazio, além do motorista e do cobrador ela vê mais três passageiros: Um casal que estavam se beijando e mal notando as outras pessoas, e um homem com um capuz escuro sentado sozinho na ultima cadeira.

Ao ver aquele homem ela sente sua espinha gelar. Então ela resolver ouvir algumas notícias no rádio de seu celular. Tudo o mesmo de sempre, assassinatos, latrocínios, ocultação de cadáver, assaltos. 

– O mundo está perdido. – pensa ela.

Mais ou menos meia hora se passa, e ela chega até seu destino: o metrô. Pagando a passagem que estava mais barata graças ao feriado ela desce as escadas para esperar seu próximo e ultimo transporte.

Como é feriado o metrô estava vazio, então ela aproveita a ocasião para fumar um cigarro. Ela estava praticamente sozinha. Apenas se dá conta de um rapaz do outro lado da plataforma, em pé, com um capuz preto. Ela acha estranho o ocorrido, mas logo ignora o fato. Mesmo assim continua vidrada no rapaz, mesmo não sendo possível ver seu rosto.

– Será que é o mesmo cara que vi no ônibus?

O metrô logo chega à plataforma interrompendo seus pensamentos, ela entra no vagão sozinha e como já esperava ele estava deserto. Flaviana gosta de ficar sozinha, mas o dia estava sendo assustador para a pobre moça. O metrô avança e ela percebe que a noite já tinha caído, se não bastasse, a luminosidade interna do metrô estava com um chato mau contato. Porém ela estava tranquila, pois estava indo para casa. Ela olha pela janela do metrô e vê a paisagem passar. 

– Nossa, isso realmente está me dando sono, depois de um dia cheio o melhor que tenho que fazer é dormir ao chegar em casa.

Ela tenta deitar a cabeça no banco do vagão vazio enquanto o metrô está em movimento, mas ela percebe no ultimo banco do vagão, o mesmo rapaz encapuzado. Ela se apavora.

– Por que está me seguindo! – Grita ela.

Porém, o rapaz encapuzado não esboça nenhuma reação. Então ela se vira tentando se esconder.

Quando ela olha disfarçadamente para ver o rapaz, ele está no sentado no meio do metrô, apenas seu queixo  e seus lábios que pareciam cortado podem ser vistos, ela acha familiar aquela parte do rosto, mas ignora e tenta se esconder mais uma vez.

Tudo fica escuro. O mau contato na iluminação do metrô. Porém logo a iluminação interna volta a funcionar. Ela procura pelo rapaz. Parece que ele sumiu. Mas ele logo aparece sentado ao seu lado, com o capuz negro cobrindo seu rosto.

– O que você quer? – Grita ela.

– Você não se lembra de mim? Linda?

– Apenas uma pessoa, na minha vida toda me chamou assim.

– E é este quem vos fala. – O rapaz fala em tom sarcástico.

 Ele tira o capuz revelando sua identidade.

– Você?

– Sim linda, o ex-grande amor de sua vida.

– O que você quer?

– Vingança.

Flaviana percebe uma lâmina aparecer por debaixo da manga do rapaz.

– Thiago, o que você está pensando em fazer?

– Você destruiu minha vida ao dizer “não” no dia mais feliz que já vivi. Agora eu vou destruir a sua.

Ele puxa uma faca de sashimi e consegue cortar o braço de Flaviana, que com um chute, tira o rapaz de perto dela. Ela tenta puxar a faca, mas só consegue tirar  o casaco de Thiago.  

Ela nota a tatuagem do rapaz em suas costas. Uma tatuagem em homenagem “As Crônicas de Nárnia” na qual os dois eram fãs. Ela também tinha uma tatuagem sobre a saga feita no mesmo dia que seu ex.

– Eu vou te matar vadia.

Thiago parecia estar disposto a fazer qualquer coisa contra a pessoa que o abandonou no altar.

Para a sorte de Flaviana, sua estação tinha chegado. A jovem corre fugindo do metrô. Ela sai da estação às pressas. Sua casa ficava perto dali.

Tremendo de medo ela tira suas chaves da bolsa, abre a porta de sua casa e a tranca quando entra. Ela sobe rápido as escadas e vai para seu quarto e tranca a porta.

– Ufa… 

Agora ela parecia estar segura.

Ela fecha seus olhos ainda segurando na maçaneta da porta.

Ela agora só quer deitar e descansar.

Quando ela vira para olhar seu quarto, tem uma desagradável surpresa.

– Oi linda. – Diz Thiago com um sorriso sarcástico.

Foi a última coisa que Flaviana viu e ouviu em sua vida.

Thiago nunca foi encontrado.