Minilua

Contos Minilua: A vingança é um prato que se come gelado #153

 Sim, e para participar, é muito fácil. Para tal, envie o seu texto para: equipe@minilua.com! A todos, uma excelente leitura!

A vingança é um prato que se come gelado…Só que não!

Por: Elson Miranda

 

– Tu vai fazer a barba ou tá escovando a porra dos dentes? Não sei se para escovar os dentes tem que babar tanta espuma, parece um retardado. Sabe estes respingos que você está fazendo no espelho? Sabe o que eu vou fazer? – E Berenice agarrou Ignácio pelos cabelos e quebrou o espelho com a testa dele, batendo sua cabeça várias vezes contra o espelho quebrado.

O sangue fluía vivo do alto da cabeça até o queixo de Ignácio, quando Berenice o largou, este só fez se ajoelhar no chão e começar a chorar feito criança, ele tremia todo de ódio,  antes de sair do banheiro, Berenice deu um chute na cara de Ignácio e o xingou de filho da puta, este caiu ofegante no chão chorando. Reaja e bata nela seu idiota!

Pensava ele, mas ele sabia que não podia fazer nada contra aquela monstrenga, era ela quem pagava quase todas as contas com o salário de Delegada aposentada, ela quem bancava a vida que eles tinham. Ela tinha passado tudo para o nome dela, a casa que o coitado havia herdado, tudo mesmo, ele não possuía nem as próprias cuecas! Se ele ousasse pedir separação, como ele fez da última vez a mais de 1 ano, não seria somente o braço que ela quebrou daquela vez, talvez ela até o matasse de tantas pancadas!

Berenice nunca dava folga para o coitado do Ignácio, brigava com ele o tempo todo, dava murros na cara dele na frente de qualquer um. Fazia da vida dele um verdadeiro inferno. Ela gostava mesmo era de fazer ele passar vergonha na frente dos outros.

– Lá em casa esse traste tem que mijar sentado igual uma mulherzinha, senão o faço limpar o respingo de mijo no chão com a língua – Falava Berenice com os colegas de trabalho no hospital onde Ignácio trabalhava como enfermeiro, fazendo chacota dele e todos riam de Ignácio no hospital!

O único lazer que Ignácio dispunha era pescar e como Berenice odiava isso, ele sempre ia sozinho, não pegava um peixe sequer, mas só o fato de estar por algumas horas livre daquela megera já era o suficiente para se sentir melhor e renovado. Aquele lago era seu refúgio, mesmo que ficasse um pouco distante de casa.

-Mas Berë!!  Era só isso que Ignácio se dignava a responder, senão todas as marcas de cinto que possuía nas costas, das inúmeras surras que tomava, só iriam aumentar!

Certa vez Ignácio estava dormindo, acordou com uma enorme dor nos pés, Berenice havia jogado álcool nos pés de Ignácio e ateado fogo, só porque ele esqueceu os sapatos no tapete da sala. Ele ainda teve que comprar novas roupas de cama e outro colchão com o próprio salário, isso depois de levar uma surra olímpica.

Ela quase sempre não o deixava se alimentar, pois gostava de vê-lo implorar por comida. Ainda assim, Ignácio tinha dificuldades até para comer, pois havia perdido vários dentes das tantas porradas que levava.

Por sorte, eles não tinham filhos após 30 anos de casamento. Ela o usava somente como um brinquedo sexual, ele tinha que aplicar uma injeção no pênis para conseguir uma ereção todas as noites, mas se ele não correspondesse ou ficasse broxa, ela o chamava de viado e dava tapas na cara e cuspia na cara dele.

Ela mantinha sempre um pequeno chicote debaixo do travesseiro, com o qual o surrava demoradamente até que ele desse um jeito de satisfazê-la e não deixava ele nunca chegar até o final. Às vezes ele tinha que dormir na área de serviço do lado de fora, feito um cachorro no frio, pois ela sentia nojo dele. Uma vez ele passou dois dias preso dentro de um pequeno quarto escuro, ela só entrava para torturá-lo e para várias sessões de espancamento. Ele passou dois dias com frio, fome e muita sede.

Noite passada, somente porque ela não aceitava que ele dormisse no Domingo pela manhã, enquanto Ignácio dormia morto de cansado depois de passar a noite toda de plantão no hospital, Berenice, por pura maldade, pegou um conta-gotas e pingou várias gotas de pimenta dentro do nariz do pobre coitado.

Este acordou se sufocando e tossindo muito, até os olhos estavam ardendo.  E ainda por cima, não satisfeita, ela jogou uma caneca de água fervendo na cabeça dele. De repente, Ignácio se sentiu possuído, algo o tomou por completo, toda a ira, angústia, raiva, ódio, deixou ele totalmente descontrolado e a sede de se vingar chegou no ponto máximo.

Ignácio deu um soco na garganta de Berenice, ela colocou as mãos no pescoço já perdendo o fôlego e quando tentou revidar, ele pulou e a derrubou, caindo sobre ela. Ele prendeu os braços dela com as pernas e socou a cara dela durante uns 30 minutos, tomando o devido cuidado de que ela não se afogasse com o próprio sangue.

Depois a arrastou até o banheiro e jogou a monstra dentro do boxe do banheiro. Ignácio foi até a caixa de ferramentas, pegou uma pequena marreta,  uma bola de borracha, a serrinha de mão, um alicante comum, alguns pedaços de arame, o alicate grande de corte de fios, pegou na cozinha a faca grande que sempre estava devidamente afiada e o cutelo, depois foi até a maleta de primeiros socorros e pegou alguns medicamentos que havia trazido do hospital, dentre eles  um coagulante poderoso para conter hemorragias, outro medicamento injetável para mantê-la lúcida e consciente, pegou várias doses de morfina, uma seringa enorme com adrenalina para aplicar direto no coração caso precisasse, além do clássico fenobarbital.

Também pegou o bisturi, alargadores cirúrgicos, faixas e alguns garrotes. Passou pela geladeira e lá dentro da caixinha de isopor estavam várias bolsas de sangue do tipo A+, o mesmo de Berenice, pois para aguentar o que ela iria sofrer, uma transfusão de sangue seria necessária, depois pegou agulhas e a bolsa com mangueira para transfusão.

Quando voltou para o banheiro, Berenice já estava na porta se arrastando, ele a puxou pelos cabelos e jogou de volta para dentro do boxe. Durante horas de tortura, com a boca amordaçada com a bola de  borracha dentro da boca, Berenice teve as unhas arrancadas com o alicate de corte, os dedos esmagados com a marreta, as mãos amputadas com a serrinha de mão, onde ele fez um torniquete com os garrotes e conteve a hemorragia.

Ela ainda teve as orelhas cortadas com a grande faca de cozinha, os bicos dos seios talhados e depois arrancados no dente, numa única mordida, ele prendeu a pele solta com pedaços de arame usando o alicate comum. Tudo isso com ela ainda viva! Ela se debatia muito, gemia furiosamente e olhava para ele com uma expressão de horror, parecia não acreditar que ele teria essa coragem, mas agora era tarde. Ignácio deu uma trégua e deixou Berenice recebendo sangue na veia. Cuidou dos torniquetes e verificou que toda a hemorragia já estava contida. Ele injetou alguns medicamentos poderosos em Berenice para conter o choque.

Depois de algum tempo Berenice já parecia um pouco melhor, já respirava devagar, não estava ofegante e não gemia mais tanto. Ignácio retirou as agulhas, limpou Berenice da cabeça aos pés. O olhar dela era de que agora finalmente tudo esta resolvido, ela pensava que agora ele a deixaria em paz. Ignácio saiu do quarto, voltou com uma extensão elétrica e ligou na tomada, depois ligou alguma coisa dentro do quarto. De repente ele entrou no banheiro com uma grande serra manual ligada e começou a cortar as pernas de Berenice até a altura do quadril em cortes de uma polegada, como se estivesse fazendo pequenas rodelas. O sangue espirrava até no teto, tudo estava incrivelmente vermelho.

Terminando as pernas, Ignácio começou nos braços que já estavam com as mãos amputadas. Cortou da mesma forma até chegar nos ombros. Berenice estava entrando em convulsão. Mas Ignácio era um exímio enfermeiro e tinha participado de várias sessões de cirurgia e sabia exatamente onde cortar e qual medicamento aplicar para evitar uma parada cardiorrespiratória, além de fazer exímios torniquetes.

Quando havia sobrado somente o torso com a cabeça, ele começou a remover cirurgicamente os órgãos internos que não fariam com que ela morresse de imediato. Com todo aquele sofrimento, Berenice não entendia porque ela ainda estava viva, como poderia estar passando por tudo isso tão consciente. Os medicamentos eram muito potentes e ela já havia recebido inclusive uma injeção de adrenalina no coração e também estava entorpecida de tanta morfina e outras injeções.

Ignácio se orgulhava de conseguir esta façanha, pois ele era um enfermeiro profissional e muito habilidoso. Depois de retirar algumas partes internas de Berenice, Ignácio retirou a mordaça e a bola de borracha da boca de Berenice, certificando de que ela ainda respirava, mesmo que bem fracamente. Então com o bisturi cortou seu peito bem no meio dos seios e serrou o externo em seguida, abriu sua cavidade torácica mantendo-a  aberta com os alargadores e ficou observando aquele coração batendo acelerado, ele abaixou bem pertinho como se fosse dar um beijo no coração dela, mas ao invés disso ele arreganhou a boca e cravou os dentes naquele músculo. Berenice só conseguiu soltar um último urro de dor. Ignácio comeu o coração todo, por inteiro!

Ele passou a noite toda picando tudo o que sobrou de Berenice e colocando em baldes  grandes com tampas, aqueles tipos de baldes vazios de margarina que vendem em padarias. Ele havia escondido estes baldes na garagem na manhã do dia anterior. Todos os pedaços de Berenice, incluindo suas vísceras, couberam em exatos seis baldes grandes. Ignácio lavou todo o banheiro  cuidadosamente, passou cloro inúmeras vezes nas paredes e no chão. Aquele monte de sangue com borras corria para o ralo, os pequenos pedaços eram pegos com uma pá pequena e colocados nos baldes.

Por fim tudo estava devidamente limpo e cheiroso. Ignácio tomou banho, se limpou o máximo possível. Pegou suas roupas sujas de sangue, todas as ferramentas e frascos de medicamentos e colocou tudo num saco de lixo, somente a grande faca e o cutelo que ele lavou e colocou de volta na cozinha. Levou todos os baldes e o saco de lixo para o carro. Dirigiu durante umas 2 horas até aquela estrada de chão deserta, já eram 3 horas da madrugada. Ele levou um a um, os baldes e o saco de lixo com suas roupas sujas. Lá no meio da floresta estava um buraco enorme, que dava para esconder um carro.

Ignácio havia feito este buraco durante as várias vezes em que vinha pescar no lago que fica bem ali perto. Quando terminou de enterrar tudo, Ignácio começou a rir descontroladamente, soltando várias gargalhadas. Depois de voltar para casa, Ignácio dormiu durante quase 24 horas de tão cansado e quando acordou, foi abrindo os olhos com dificuldade, tudo estava embaçado, sentiu um enorme peso sobre seu peito, então viu  que Berenice estava sentada sobre ele, os olhos dela estavam vermelhos em brasa, ele tentou se mexer, mas estava amarrado na cama, não conseguiu gritar de tanto pavor… pois Berenice tinha a grande faca da cozinha e o cutelo em suas mãos!