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Contos Minilua: Desabafo de uma alma esquecida #44

E antes de continuarmos, apenas um pedido, galera: Sempre que possível, procurem revisar os textos ok? Isso evita, por exemplo, maiores transtornos na edição. Um forte abraço, e uma ótima leitura!

 

Desabafo de uma alma esquecida

Por: Tulio Amancio

Acordei pensando que esse seria um dia comum, mas logo mudei de ideia, quando li o bilhete que estava jogado no criado mudo.

“Precisei viajar a negócios, não sei por quanto tempo ficarei fora. Até mais!”

Ao ler a curta, porém esmagadora mensagem meu coração explodiu, fazendo com que todo o ódio, rancor e tristeza que havia guardado, fossem liberados em minhas veias como uma droga que vicia instantaneamente.- Essa foi a gota d’água, não irei mais suportar essa vida de tormenta e desamor.– Gritei com todas as forças que ainda me restavam após horas de lamentações.   

Horas onde lembrei as vezes que fui trocada por uma partida de futebol com os amigos; vezes em que precisei aturar um beberrão safado e sem escrúpulos; vezes onde simplesmente fui esquecida, jogada para o canto como um objeto sem valor e tantas outras onde fui tratada como um animal que não merece existir nesse mundo.

– O que mais me deixa indignada é o fato de tudo isso acontecer depois de tantas juras de amor, de tantas provas de um sentimento puro e verdadeiro. – Retruquei mergulhada em um mar de lágrimas. Então tomei uma decisão tão esmagadora para meu coração quando a mensagem que receberá ao acordar.Iria castigá-lo.

– Ele vai pagar pelo que me fez, sofrerá tanto quanto me fez sofrer. – anunciei com lágrimas escorrendo em minha face, pois seria difícil para eu causar sofrimento no coração daquele que mais amo no mundo.Após algum tempo de reflexão, cheguei a uma conclusão.  

– Não posso simplesmente sair de casa, pois sei que irei fraquejar e deixarei meu coração me guiar de volta a essa vida de tormentas.Essa reflexão mostrou-me a solução mais plausível para o meu problema. Após uma limpeza na casa, que usei como forma de tentar encontrar coragem para dar continuidade a minha vingança.

Fui até o banheiro e peguei todos os remédios que estavam no armário, logo depois fui até a cama que um dia fora nosso refúgio. Lá junto com um copo d’água tomei todos os comprimidos e deitei, esperando que o castigo daquele que me fez sofrer tivesse início.   Quando a lua cheia daquela noite atingiu seu auge na imensidão negra, pronunciei minhas últimas palavras.- Eu te amo! – disse isso enquanto contemplava uma foto tirada no dia em que nos conhecemos.