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Contos Minilua: Embaixo da cama #247

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Embaixo da Cama

Por: Vinícius Lopes

Quase quando a lua virava sol,

Michel ainda babava em seu lençol.

Vagabundo, ainda morando com os pais,

logo teria uma experiência que não esqueceria jamais.

 

Se revirando no colchão com preguiça de acordar,

um barulho debaixo da cama começou a lhe incomodar.

Batia, batia e batia, aquilo era um tormento,

O rapaz se remexia incomodado ainda sonolento.

 

Com um medo que se tornava maior naquele que deveria ser um domingo qualquer,

Ele primeiramente pensou em chamar a sua mãe, Ester,

Mas relutou com a ideia,

Achando que poderia acabar sem a mãe naquela odisséia;

 

“É um fato que não preciso da minha mãe para matar um rato”, pensou, porém: “ratos não fazem esse barulho”, e, por fim: “mas onde está o meu orgulho?”.

Com cautela foi ver o que o incomodava

Embaixo da cama que a pouco deitava.

Abaixando-se lentamente

E se lembrando de histórias do fundo de sua mente.

 

Quando a mãe falava histórias macabras

Como do chupa-cabras,

Apenas para que tivesse a garantia

Que ele faria o que ela queria.

 

De primeira não achou a causa do estardalhaço,

Porém quando levantou viu que ao seu lado estava um palhaço.

Isso aí que você acabou de ler pode ter parecido meio sem sentido,

Mas Michel, com certeza poderia te confirmar o acontecido.

 

– Não quero te assustar, só quero brincar. Você só precisa ficar aí enquanto faço meu serviço, alguma pergunta ou você já leu sobre isso? Dou-te uma opção: quer fazer uma oração? Não sou de nenhuma crença, mas tem gente que venera essa doença, nada contra, nada a favor, gosto de ser simpático, sim, eu sei, sou um ser fantástico.

O ego do monstro era mesmo incontrolável,

Mas ele era até agradável,

Alguma força que Michel não sabia qual,

Fazia-o sentir um afeto que não era normal,

Na visão dele o monstro era mesmo um palhaço legal.

 

De alguma forma o monstro leu o pensamento – pelo jeito ele tinha esse talento:

– Seus pais? Estão bem, só necessito de você, rapaz, só você já me satisfaz, só preciso jantar você e eu fico em paz.

 

Você pensa que ele devia ter lutado corrido, chorado,

Suplicado, mas ele ficou parado, bestializado,

Não sabendo se dormia ou se estava acordado,

Um caminho apenas, seu fim se aproximava, e o rapaz nada expressava.

 

Uma sensação estranhamente acolhedora pairava sobre o ar,

Ambos há minutos só estavam a se encarar,

Quem ia começar a dança da morte?

Aquele que é cortado ou o que faz o corte?

Será que a vítima estava no seu dia de sorte?

 

Estranho como sempre se retrata o encontro do monstro com quem ele mata, acho isso uma coisa tão chata,

Ele faz o seu serviço

E a vítima tem que aceitar esse compromisso

E esse é o caso do protagonista,

Que por algum motivo aceitava ser o próximo da lista.

 

Quem sabe seja do monstro mais um talento natural

O de acalmar o animal,

Do que adianta ser o mais forte

Se a presa vai recusar a morte,

 

É uma coisa poética para ser discutida,

Mas estamos falando da vida,

Ela não é bela como nos prometem livros e histórias,

Mesmo com a vida tendo suas glórias.

 

O pior sempre existe,

Mas o povo ainda insiste,

Tem a luz no fim da estrada,

Só para que você continue a jornada,

Mas uma jornada sempre leva a mais uma até o fim da vida,

Como pode ver, não há saída,

O fim sempre é triste,

Mas é o único que existe.

 

Era esse o pensamento que passava na cabeça de Michel agora que o fim estava tão perto: afinal

Se a morte acaba chegando para todo mundo, por que não dar a esse palhaço tão legal?

Sim, um pensamento idiota e limitado,

Mas ele pensava o que pelo palhaço fosse desejado.

 

Agora o nosso vagabundo se arrependia de nunca ter sido nada no mundo,

O efeito da mágica tinha acabado,

Mas agora o medo que era do palhaço um aliado,

Não conseguia mexer um músculo sequer,

E com certeza agora era tarde demais para chamar por Ester.

 

Em uma cena extremamente estranha ele se posicionou como se fosse uma aranha, seus dentes começavam a ficar afiados,

Enquanto isso Michel rezava para não ser devorado e, se fosse,

Para que não fosse demorado,

 

A paciência do palhaço tinha acabado agora o que viria é uma cena desagradável de ser descrita,

Ainda mais quando a vítima tanto grita,

Mas ainda que acaba rapidamente,

Porem é uma cena que fica na mente.

 

O palhaço voltava para debaixo da cama orgulhoso pelo que fez,

Pensou em ir para a Inglaterra, devorar um pequeno menino inglês.

Trajetória essa por fim teve um final feliz,

Pensem no palhaço que conseguiu o que quis.