Contos Minilua: Eu escolho você (parte II) #196

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Eu escolho você

Parte 2

“O homem na cabana”

Por: Aluízio Franco

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Logo um veículo estacionou na porta. O motorista parecia ser indiano, era jovem e ajudou Faller com sua pasta. David disse o destino e assim eles partiram para o aeroporto. O deus da morte, porém, passou a acompanhar Faller e junto com ele, seguia no táxi.

- Você vai junto comigo? - Perguntou David ao Shinigami, que por sua vez deu uma estrondosa gargalhada.
- Como disse senhor? -Respondeu o indiano, encarando David pelo retrovisor.
- Não, não estou falando com você. -Respondeu Faller. O deus da morte novamente soltou uma explosão de gargalhada, obrigando David à por as mãos sobre as orelhas e gritar:
- Você pode, por favor, parar com isso!

O taxista se aborreceu com a situação. David parecia um viciado em drogas pesadas, não apenas por suas atividades, mas também por sua péssima aparência. Várias vezes o taxista quis parar e mandar Faller descer, porém,  apenas perguntava se o passageiro estava se sentindo bem; para o indiano era evidente que não. A cada pergunta do motorista, porém, David apenas respondia, “claro, não se incomode” ou “apenas dirija, sim?” E isso deixava o garoto bastante irritado.

Durante todo o trajeto David conversou com o risonho espectro, enquanto o motorista assistia com estranheza o monólogo de seu passageiro, supostamente drogado. Aparentemente, apenas David podia ver o Shinigami. Ao chegar ao aeroporto David pagou o taxista com dinheiro a mais, o que, para o indiano, era mais que justo depois do completo absurdo que aconteceu em seu táxi.
David saltou rapidamente do táxi, sem dar chance para o Shinigami descer.

A criatura continuou dentro do carro olhando de perfil enquanto David assistia o carro se afastar. O táxi desapareceu na curva da esquina e com ele o Shinigami. David estava de saco cheio das risadas velhacas daquela sombra. David então foi encontrar-se com Leonel que já o aguardava. David ao se aproximar, causou espanto a Leonel.

- Deus do céu, David! Vai realmente vestido assim para o Tibete? Lá é constituído necessariamente por gelo! Precisa de trajes quentes.
No entanto, Leonel se sentiu consternado com a visão que tinha de seu primo, que parecia estar meio morto.
- Oh, isso. Bom, quando você me ligou eu fiquei tão atônito que nem pensei direito. Lá no Tibete eu dou um jeito de resolver isso. - Disse David.

Os dois seguiram ao encontro de um amigo de Brittcher, o qual levaria David até o Tibete. Michel Roquelaine era um ex-fuzileiro britânico que se mudou para Praga logo após a cidade se tornar a capital da República Checa, em 1993, desde então ganhava a vida como piloto de vôos particulares. Essa viagem sairia bem caro para Leonel, mas Roquelaine deixou pela metade do preço.

David a todo o momento olhava ansioso para todos os lados, se certificando que o Shinigami realmente não o estava seguindo. Faller finalmente embarcou. Leonel disse que havia negócios a tratar na cidade e por isso não poderia acompanhar David. O adoecido primo, no entanto não demonstrou se importar com a companhia de Brittcher. Assim Michel Roquelaine despediu-se do amigo e decolou rumo ao Tibete.

David conseguiu adormecer durante a maior parte do trajeto, mas, entre um acesso e outro de tosse, se despedia de doses de sangue cada vez maiores e a cada vez estava mais viscoso e escuro.

- Logo estará tão negro quanto petróleo.
Uma voz áspera rugiu bem ao lado de David que o fez saltar da poltrona assustado.
-Oh! Santo Deus! - Gritou David.
O Shinigami estava sentado bem ao seu lado. Uma estrondosa risada reverberou nas paredes da aeronave e dentro da cabeça de David, o estampido pungente feria seus ouvidos.

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- Estou curioso senhor Faller. O que iria fazer ao chegar ao Tibete? Acha que é realmente possível encontrar Haradad sem minha ajuda? - Perguntou o monstro.
- Eu não fiz por mal. Só estou com medo e atordoado. - Gaguejando, David tentava explicar.
- Ora, já basta! - Apelou o deus. - Se quer minha ajuda senhor Faller, então não pense que pode escapar da minha presença. Não pode! Não vou mentir e dizer que achei sua inútil fuga engraçada, pois não achei. E agora, se me dá licença…

David se afundou na poltrona do avião tremendo de medo. O Shinigami se levantou e David se encolheu ainda mais.
- Não estou aqui para lhe fazer mal David. - Dizia o Shinigami com a voz calma. - Eu estou realmente disposto a lhe ajudar a encontrar Haradad. Agora preciso que confie em mim.
O monstro olhou por uma das janelas redondas do avião, esboçou o sorriso mais largo que possuía.
-Tibete. - Disse o Shinigami.

A criatura estendeu o braço em diagonal para baixo com sua mão ossuda aberta e fantasmagoricamente nuvens de sombra se reuniram e se adensaram transformando em uma imensa e grotesca foice, à qual se fixou na mão estendida do Shinigami.

- Deus do céu! O que vai fazer com isso? - Gritou David com os olhos arregalados admirando a lâmina com espanto. O deus olha sorridente para David e depois volta sua atenção para a cabine do piloto, começa a caminhar em sua direção como se estivesse apenas flutuando.

- Uma curiosidade sobre Haradad, senhor Faller, é que não se pode encontrar sua casa em circunstâncias comuns. O Shinigami atravessou a porta da cabine e em seguida veio uma pequena turbulência. David ficou alarmado.

- Oh não. Por favor. - Suplicava David, adivinhando o que viria a seguir.
Um novo solavanco aconteceu, mas esse foi bem mais forte e arremessou David para fora de sua poltrona. Imediatamente o alarme de pânico começou a ulular ameaçador. David se levantou no corredor e tentava se equilibrar enquanto caminhava em direção à cabine. Ao abrir a porta, David constatou a tragédia.

- Seu desgraçado! Por quê? Por que fez isso? - David chorava e gritava enquanto tentava, em vão, reviver Roquelaine, que aparentemente morrera a poucos segundos de enfarte.
- Mas que droga de ajuda é essa, seu Shinigami maldito!
David ouvia somente a risada do deus da morte, não o via em lugar algum. O avião mergulhava vertiginosamente enquanto a risada do Shinigami se fundia ao barulho ensurdecedor do alarme. David empurrou o corpo de Roquelaine e tomou o manche para tentar evitar a queda. Faller não sabia direito o que fazer, apenas puxou o manche do avião, mas a coisa parecia pesar toneladas.

O jato despencava rumo ao chão enquanto David tentava, em vão, deixá-lo no ar. Ele conseguiu levantar o bico do avião, mas ainda sim ele passou surfando na encosta gelada de uma montanha. Faller chorava feito um bebê e uma grossa geleia preta escorria em seu rosto no lugar das lágrimas.
- Jesus Cristo! - David berrava enlouquecido.

Toda uma miserável vida de merda, seguida de um incomensurável arrependimento passava pela cabeça de David: códigos idiotas, programas resolutos, prostitutas nuas _ em uma tela da TV ou em uma cama suja de bordel. Livros e mais livros, uma vida fugaz e maçante onde noventa por cento das lembranças eram pornográficas.

David, claro, não era piloto e não seria de repente que tornaria um. Ainda que tenha tentado de forma heroica, não pôde evitar o iminente. Uma das asas tocou a encosta da montanha e catapultou a aeronave fazendo-a rodopiar, indo de encontro ao sopé da cordilheira. Ao colidir a cauda tocou o chão primeiro, o que fez o avião girar violentamente e enterrar a cabine até a metade na neve dura e explodir, igual a uma bola de fogo infernal.

No momento da explosão, David foi lançado para o alto, ha uns quinze metros, com as roupas todas chamuscadas, contudo, impossivelmente ele estava ileso, sem nenhum arranhão sequer.
Suas roupas haviam sido desintegradas, com exceção dos sapatos. Praticamente tudo estava incinerado, partes da fuselagem do avião ainda pegavam fogo sobre a neve vitrificada.
David estava caído perto de algumas pedras, com marcas de fuligem por todo o corpo. Somente alguns trapos restavam sobre seu corpo praticamente nu. Sua cabeça parecia estar oca, não distinguia sons, pois havia um assobio agudo que ocupava seus ouvidos.

Ele sentia seu corpo doer, decerto por conta da surra que acabara de levar ao cair com um avião. Sua visão estava desfocada, estava atordoado, mas logo tudo começou a clarear e ele viu as chamas que crepitavam, viu o que parecia ser uma parte do corpo de Roquelaine ainda queimando.
Havia uma crosta preta e seca em seu rosto, proveniente das lágrimas que mais pareciam sangue gangrenando.

O vento que soprava no sopé daquela montanha era voraz e cruel. David se levantou e começou a caminhar encolhido entre os destroços enquanto chorava ganindo baixinho, entre um acesso e outro de tosse seca. Entre peças e mais peças quebradas ele encontrou sua maleta que, milagrosamente, não havia sido destruída. Diferente de seus óculos horríveis que nunca mais os veria de novo, mas a essa altura não eram mais necessários, pois David enxergava incrivelmente melhor sem os óculos. Porém, isso não amainava a dor e a cólera que sentia. David abraçou a maleta e continuou a caminhar sem rumo deixando os destroços para trás.

- Por quê? - Urrou a plenos pulmões. Nitidamente ele dirigia as palavras ao Shinigami. - O que eu fiz contra você? Foram as pornografias? As prostitutas? Ou simplesmente aquele maldito gato preto que morreu em minha casa depois de comer a própria merda? Responda-me seu filho da puta! Apareça pelo menos, seu covarde!
À medida que ele gritava sua voz se enfraquecia até se tornar um lamento.

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- Eu não fiz nada de mal contra o mundo. Minha vida foi sempre uma bosta. Sou só um maldito desgraçado que não tem sorte.
David se ajoelhou na neve, nu e desolado. Agora ele chorava em alto e bom tom, manchando a neve de preto com suas lágrimas de sangue morto.

- O sempre chorão David Herald Faller. - Disse o Shinigami que estava bem próximo ao ouvido de David, surgindo inesperadamente. David nem sequer se mexeu, continuou ajoelhado chorando cabisbaixo.

- Não é nada pessoal Sr. Faller. Você não fez nada contra mim. Não foram suas pornografias ou suas perversões e seu gato preto já estava doente quando o adotou. Não o culpo por nada que tenha feito David, pois, não me importo nem um pouco com seus pecados. Nem mesmo com o filme de pedofilia que você comprou e depois se culpou para sempre. Não seja ridículo homem!
David insistia em seu pranto.

- Olhe para você. Sobreviveu a uma queda e a uma explosão de um avião…
- Que você causou! - David gritou interrompendo o Shinigami.
- Sim! Eu causei, mas o fato é que você sobreviveu. - Se irritou o deus da morte. - Você deveria chorar menos e sorrir mais, agradecer mais. Somente assim nós poderíamos encontrar Haradad, mas se chegarmos tarde, você será um Shinigami para sempre. E então o que vai fazer depois? Chorar para sempre? Se lamentar por toda a eternidade?

Eu não suporto isso! Não suporto você, se quer saber. Acho que é melhor deixar que você aprenda sozinho e a duras penas o que é ser um deus da morte.

O Shinigami se afastou, mas David se jogou aos pés da criatura e a agarrou pelas canelas implorando por ajuda.
- Não! Não me deixe, por favor, me ajude. Eu não quero me tornar um monstro.
Uma dor abrupta e seca se espalhou pelo rosto de Faller repentinamente, o Shinigami cravou um chute forte na cara de David sem nenhum remorso, atirando-o longe.

- Eu já lhe disse para não por suas mãos em mim. -Disse o monstro em tom de escárnio. - Agora pare de perder tempo e levante-se. Vista alguma coisa e vamos logo, o caminho é difícil, mas não estamos longe de chegar à cabana de Haradad. Podemos alcançá-la ainda hoje.
O Shinigami olhou para David, o qual vomitava uma gosma negra e começou a caminhar deixando para trás os destroços do avião.

- Vamos Sr. Faller. Você não vai querer encontrar Haradad estando assim pelado, não é?
O deus da morte deu uma de suas gargalhadas, longa e potente. David se levantou e abriu sua pasta para vestir algo, porém ele se esquecera de algo muito importante e ao abrir a pasta sua raiva por si mesmo aumentou ainda mais.

- Ah, merda. Por que eu fico me sacaneando? - Disse Faller com a voz chorosa e triste ao olhar para sua camisa branca de manga longa e sua ceroula, as únicas peças de roupa dentro daquela pasta.

- Ao menos - disse o mostro zombando de David. - Ainda está de sapatos. David se livrou de alguns farrapos que ainda estavam presos ao seu corpo e vestiu sua camisa e sua ceroula. Agora ele se arrependia amargamente de sua estupidez. Deveria ter sido coerente com a situação e organizado uma bagagem com agasalhos, mas agora se arrepender era tarde demais.

Em meio ao vento forte da cordilheira, David seguia o enorme Shinigami que não se incomodava com a situação. David, no entanto, percebeu que mesmo estando apenas de camisa e ceroula nas montanhas do Tibete, não sentia frio. Ainda assim era péssimo saber que estava andando apenas com aqueles trajes em pleno Himalaia, procurando um ser sobrenatural. David não se conformava por estar tão ridiculamente mal vestido.

Os dois seguiram pelo sopé por um longo tempo, rumando ao norte e depois começaram a subir deixando o sopé alguns metros abaixo. Um ponto cinza longínquo em meio à vastidão branca chamou a atenção do Shinigami.
- Veja David - disse o deus erguendo o dedo ossudo apontando para frente o ponto cinza. __ Haradad mora lá.

- Será que ele está em casa? - Perguntou David olhando para o perfil do monstro, o qual mantinha o sorriso dentro da escuridão do capuz.
-E para onde ele iria? - Respondeu o Shinigami.

O caminho para chegar até a cabana ainda exigiu uma longa caminhada, mas enfim chegaram à porta da cabana. A morada tinha um aspecto feio e velho. As paredes e o teto de meia água eram de madeira cinza, estava coberta de neve quase até a metade da altura, a casinha mais parecia um esquife de gelo. Não deveria ser possível que alguém pudesse morar ali naquelas condições, um lugar totalmente agressivo e mortal.

O Shinigami parou em frente à porta e só agora David percebia que a criatura estava com um cajado em sua mão. Com o cajado, a sombra deu duas batidas na porta e ela se abriu bem rápida. Da cabana saiu um rapaz de cabelos compridos, alto e forte. Estava sem camisa e um pouco suado. Era moreno e parecia ser árabe ou de raça semelhante. Tinha os olhos verdes claros. Seu rosto era comprido e magro, usava um cavanhaque, o qual era castanho ruivo da cor de seus cabelos ondulados. Os lábios finos quase se escondiam debaixo dos pêlos. Usava uma calça velha, surrada e suja da cor da madeira de sua casa, estava descalço e parecia ofegante. Aquele era Haradad.

- Pois não? -Disse Haradad. Ele tinha uma voz grossa e vibrante. Ele encarou os dois viajantes, ele era destemido. Fez-se um silêncio e ele prosseguiu.
- Desculpem - disse Haradad estendendo a mão e cumprimentando os dois. - Não estou acostumado a receber visitas. Ainda mais quando são de minha trupe.- Disse olhando para o Shinigami.

- Espero que uma visita de um velho amigo não seja um incômodo. - retorquiu o Shinigami fazendo uma pequena reverência. - Vejo que os boatos são verdadeiros e o tempo não lhe encontra!
Haradad fixou os olhos no capuz e logo reconheceu o Shinigami.

- Ora, mas é você Imorhad! - Haradad pareceu muito feliz ao ver o deus. - Há quanto tempo, meu caro. Não o reconheci, embora ainda seja o mesmo. Vamos, entrem!
O Shinigami irritou-se por ter seu nome revelado e enquanto adentrava na cabana, deu uma bronca em Haradad.

- Droga Haradad! Precisa realmente dizer meu nome? Grite aos quatro ventos então! Veremos se o mundo todo escuta. - Vociferou o Shinigami.
Haradad riu e não se incomodou com a ira do deus da morte. David sequer abria a boca para respirar. Sentia-se tímido diante da situação, diante do belo Haradad, cujo qual Faller imaginava ser grotesco ou decrépito.

- Vejo que você não mudou nada mesmo.- Disse Haradad ao Shinigami. - Continua escondendo seu nome, mas por quê? Você deve ser a coisa mais perigosa a quilômetros de distância. Aliás, acho que não existe nada pior que você…
Haradad olhou para David que estava calado no canto da sala.

- Bem, ao que posso ver, ele também conta como algo perigoso.
- Ah, não seja precipitado. - Disse Imorhad. - É exatamente por causa dele que estou aqui.
David ficou vermelho. Sem saber o que fazer ele estendeu a mão para cumprimentar Haradad novamente, já que David não tinha se apresentado.

- Me desculpe senhor Haradad, eu me chamo David Faller e é um imenso prazer conhecê-lo.
O rapaz olhou sério para David e pôs uma das mãos em seu ombro.
- Não preciso dizer meu nome a você, pelo que vejo. Mas meu nome não tem um senhor no início. Apenas Haradad deve bastar.

David ficou totalmente desconcertado diante daquelas palavras. Ele gaguejou procurando uma desculpa, mas de sua boca não saiu nada. O Shinigami se curvou para frente e deu uma gigantesca gargalhada. Haradad percebeu que havia nocauteado David, esboçou um sorriso em seus lábios e acalmou Faller.

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- Eu entendo - disse Haradad. - Não precisa se desculpar, não me ofendeu. Digamos que eu tenho trauma desse título. Não o use mais e ficaremos bem. Vejo que você é uma boa pessoa rapaz, mas está com sérios problemas. Aliás, é bastante anormal a coincidência, estou sem camisa e você está sem calças!
David olhou incalculavelmente entristecido suas pálidas canelas finas.

- Eu peço desculpas pelo inconveniente. - Disse David.
- Não é necessário. Não me deve nada, nem mesmo desculpa. Quase não recebo visitas e, pode acreditar você foi um dos mais normais que já recebi. - Retorquiu Haradad. - Veja só. Imorhad, por exemplo, chegou aqui com metade das entranhas para fora, mostrando bem mais que um par de pernas finas.

- Haradad - interrompeu o Shinigami juntando as duas mãos e apoiando-as sob o queixo. - David realmente tem um grande problema, como você mesmo pode ver. Algum Shinigami, aparentemente, trouxe um esporo do diabo para a Terra e acidentalmente foi encontrado pelo Sr. Faller.
Enquanto Imorhad contava a hipotética história, Haradad os convidou para se sentar em um belo tapete bordado no chão de sua sala. O tapete parecia ser persa.

- Concluindo - prosseguiu Imorhad. - David, porém, não quer de forma alguma se tornar um deus da morte. Por isso estamos aqui. Você é o único que tem a cura e pode ajudar. Isto é, se você quiser ajudar.
Haradad examinou David. Olhou as bolsas escuras abaixo dos olhos, a língua, os dentes e as mãos. Sentou-se de frente para David com as pernas cruzadas, fechou os olhos e pôs a mão sobre a cabeça de Faller. Meditou por um longo tempo e então abriu os olhos para dar o diagnóstico.

-Você chegou há tempo David. Se demorasse um pouco mais seria impossível fazer a reversão.
- Quer dizer que já estou curado? -Perguntou David que fez Haradad rir.
- Ainda não, mas vai ficar. Vou lhe dar um esporo de luz. É a única coisa que pode eliminar a toxina do esporo do diabo. Em uma semana você estará normal.

David se animou com a notícia. Haradad se levantou e foi até uma velha prateleira cheia de frascos e potes de vidro, com coisas estranhas dentro deles. O móvel ficava num canto afastado e escuro da sala, quase não era notada, mas pela falta de mobília para encher a sala era normal olhar para os potes sobre ela. Haradad fisgou um pequeno frasco em meio aos potes grandes, o frasco emitia um pulsante brilho azulado. Ele destampou o frasco e retirou uma pequena semente, do tamanho de uma ervilha ou menor, parecia uma gota de luz.

Brilhava bem mais forte fora do potinho, era assustadoramente lindo. Haradad a colocou em uma cuia de cerâmica e a esmagou com um amassador, parecia ser bem dura. Depois de esmagar a semente, acrescentou um gole de água e deu a mistura para David.

-Tome. Beba tudo e logo se sentirá melhor. O esporo de luz é um grande purificador e trará as partes que você perdeu de sua alma de volta.

David tomou a poção. Nada de diferente aconteceu, não tinha gosto nenhum a não ser o de água fresca. Faller observava as duas crias sobrenaturais, Haradad mantinha os olhos fechados, meditando. Imorhad permanecia inalterado, com seu sorriso sacana e sempre de perfil. Nunca se tinha certeza de para onde ele estava olhando. David finalmente terminou a bebida.

- O que  eu devo fazer agora Haradad?

- Nada. É só isso, o esporo de luz se incumbe de tudo. Como lhe disse em uma semana tudo estará normal. - Disse Haradad, despertando de sua meditação sorrindo.

Imorhad se levantou batendo a poeira de sua túnica negra e amarfanhada.
- Bem, Haradad. - Disse. - Se isso é tudo, o Sr. Faller e eu já vamos. A viagem é longa e cansativa. Por ser péssimo piloto, o Sr. Faller aqui destruiu nosso único meio de transporte, antes mesmo de chegarmos aqui. David olhou com raiva para o Shinigami abusado. Afinal de contas David não teve culpa sobre o avião. Roquelaine estaria vivo e o avião inteiro se não fosse por Imorhad, no entanto, David não disse nada Sobre o verdadeiro fato.

- Haradad - disse Faller. - Se me permite, eu gostaria de agradecê-lo. Não fosse por você, eu me tornaria algo totalmente desprezível. - Disse olhando para Imorhad. - Sem querer ofender, claro. Também agradeço muito a você, Shinigami.
- Nem se esforce para isso. - Respondeu Imorhad com completo desdém. - Alguém desprezível como eu não merece tanto vindo de quem vem.

David ficou aborrecido com a tremenda falta de educação do Shinigami, mas não deu uma resposta a altura. Imorhad, por alguns minutos, perdeu o sorriso, enquanto ficava murmurando em voz baixa a palavra desprezível, remoendo dentro de suas sombras. Haradad não interferiu na discussão, apenas respondeu o agradecimento de David.

- É um prazer poder ajudar, David. Realmente não precisa se incomodar em agradecer. Apareça para uma visita quando quiser, podemos conversar enquanto tomamos um chá.
David sorriu e consentiu com um aceno de cabeça.
- Ouça Haradad, você teria ainda aquela coisa que envia quem a joga no fogo para qualquer lugar deste mundo? Aquilo viria bem a calhar agora. Não para eu, claro, mas para o Sr. Faller. __ Pediu Imorhad.

- Claro, ainda tenho aquilo. O nome é pó de nebulosa. Posso mandar David de volta para casa agora se é isso o que quer.
- Se puder fazer isso, o Sr. Faller e eu ficaremos satisfeitos e prometo que não o incomodarei mais. - Disse Imorhad.

Haradad foi até a prateleira novamente, pegou algo e voltou. Uma vela grossa com um pavio grosso e um saquinho de pano dourado bem amarrado com um barbante prata. Haradad pôs a vela sobre o tapete e a acendeu. A sala se iluminou um pouco, mas continuou com um aspecto lúgubre. Ele abriu o saquinho e pediu para que David retirasse uma pitada do pó e assim David fez.
- Agora David -explica Haradad. - Diga o nome de um lugar e pense em uma pessoa, a qual está neste lugar.

David pensou por alguns segundos. Talvez sua mãe, mas em dezembro ele iria visitá-la. Seus pais não, não agora, muito menos seus colegas de trabalho, assim só lhe sobrava voltar à Praga. Ver a cara de surpresa de Leonel quando souber que está curado ou, infelizmente, souber do avião e que Roquelaine estava morto.

- Eu já sei para onde quero ir.
- Então esfregue os dedos sobre o fogo da vela soltando o pó e diga o nome do lugar enquanto pensa na pessoa. - Haradad com um sorriso no rosto, colocou a mão sobre o ombro de Faller. -Adeus, meu amigo.

David assentiu com a cabeça as palavras de Haradad.
- Praga. - David jogou o pó sobre a chama da vela.
“A escolha.”

Um forte clarão surgiu e David levou as mãos ao rosto tentando proteger os olhos. Quando a luz se apagou, era escuridão total, mas logo tudo foi ficando claro e David abriu os olhos. Faller estava de volta à Praga, em frente à grande casa de seu primo Leonel. Era noite e chovia bastante. David tocou a campainha e logo Brittcher o atendeu encarando o primo com espanto.

- Deus do céu Faller, é você mesmo? - Disse Leonel atônito e feliz. - Fiquei sabendo sobre o infeliz acidente do avião de Michel há uma hora, como você pode estar aqui?
Leonel estava muito agitado.

- Jesus Cristo! Por que você está de cueca na chuva, homem? Entre depressa David.
David apresentava estar bem melhor do que quando saiu de Praga há quase dois dias. Leonel não acreditava no que via. Depois de um longo banho quente, David se sentou para conversar com Brittcher.

- Poxa vida, David. Pensei que você estivesse morto. Mas não entendo como veio tão rápido do Tibete. Nessas circunstâncias devo acreditar que, infelizmente, o avião de Michel caiu quando retornava à Praga sem você, não é?
David sorriu.

- Preciso lhe contar uma história, Leonel. Algo incrível que aconteceu comigo nestas últimas trinta e oito horas. Espero que você não esteja com sono.
Faller contou toda a história para Leonel. Tudo era muito irreal para o médico, mas não duvidou de David hora nenhuma. Era espantoso saber de tal situação e como seria assombroso caso David não tivesse conseguido encontrar o estranho tibetano a tempo.

-  Então, tais entidades existem realmente. Quem diria. Um Shinigami. - Concluía Leonel.
- Pois é. - Murmurou Faller. - E eu quase me tornei um.
Leonel arregalou os olhos admirando David.

- Acha que já está curado, David? - perguntou.
- Talvez, no fim da semana. Haradad disse que demora um pouco, mas vou ficar bem. Não vou me tornar aquela coisa horrível.
Depois de tudo esclarecido, David foi para o hotel, mesmo a contragosto de Leonel que insistia para que ele ficasse em sua casa.

Aquela semana passou como num piscar de olhos. Depois que retornou do Tibete usando o pó de nebulosa, David não viu mais o rastro de Imorhad. Ao que parecia tudo voltara ao normal e David se preparava para voltar ao Japão. Agora ele se sentia perfeitamente bem.
Porém, muita coisa havia mudado em Faller. Havia tomado a decisão de deixar a empresa aonde trabalhava e iria embora para o Brasil morar com os pais por um tempo. Deixaria aquela vida desgastada e podre para trás.

Seu voo sairia pela manhã. Agora era questão de tempo até alcançar sua verdadeira liberdade. Deixou sua bagagem previamente arrumada. Tomou banho, jantou ali mesmo no quarto e foi dormir, o dia seguinte seria estressante. Seria.

Naquela noite David não conseguiu dormir, poderia ser a comida que não lhe caiu bem. Talvez, se aquela sensação de que algo estava errado e fora do lugar o deixasse em paz, mas não. Não era simplesmente isso. David já havia sentido aquilo antes. Ele acordou assustado, havia um ar pesado em seu quarto. A sombra sentada aos pés da cama, aquela visão lhe explicava muita coisa. O sorriso, o brilho vermelho dos olhos. Ele estava ali mais uma vez e mais uma vez o medo possuía o coração de David. O pânico brotou instantaneamente em seu coração. “Não acabou”. A frase nascia na mente de Faller, berrando igual um recém nascido e desesperado ele tentou alcançar o abajur.

- Não acenda a luz! -Disse a voz como da última vez. - Ao menos dessa vez não precisará dos seus óculos, Sr. Faller.
A risada entre os dentes, mas David realmente não precisava mais dos óculos, assim como não precisava mais do Shinigami. Agora ele estava curado e não seria mais acossado por Imorhad e suas zombarias.

- Não aceito ordens de você, aberração. - David gritou enquanto acendia a luz com a mão trêmula.
A luz revelou todo o quarto e também o enorme Shinigami caótico. David voltou-se para Imorhad e viu que pela primeira vez tinha os olhos espontaneamente fixos em Faller.

David olhou para sua face que saia de foco. Sua visão se embaçava enquanto olhava calado para o Shinigami por alguma razão. Ele notou que o monstro estava com o braço esticado em sua direção e em sua mão a famosa foice corria até chegar ao peito de David, atravessando-o ao meio.
- Por… Por quê? - Gaguejou Faller com o sangue subindo a sua boca.
- Ora Sr. Faller, não é nada pessoal. - Imorhad explicava com a voz paciente. - Você pensou que eu iria lhe ajudar sem um propósito? Ouça David, você iria se tornar um de nós, um imortal!

E isso seria, para mim, uma lástima. Há algum tempo, antes de você por sorte encontrar o esporo do diabo, eu encontrei sua imagem e seu nome e então eu soube que deveria matá-lo. Mas depois tudo aquilo aconteceu e eu não podia mais tirar sua vida, infelizmente para mim.
“Mas como o destino pode ser astuto por um lado, ele também pode ser bastante cruel e traiçoeiro por outro Sr. Faller.

Eu descobri que você estava com medo e assim eu só precisava lhe oferecer a cura. Depois da oferta você se tornou um aborrecimento para mim, eu deveria te ajudar se quisesse te matar e então… Aqui estamos nós. Você, novamente mortal e eu no final do cabo de minha foice, assistindo a luz da vida deixar seus olhos. Finalmente acabou Sr. Faller.”

Imorhad puxou a foice de dentro do peito de David sem deixar rastros. Faller se ajoelhou no chão do quarto, o sangue escorria da boca pingando de seu queixo. Sua visão estava assustadoramente turva. David limpou a boca, olhou o sangue em sua mão.
Não daquele jeito. Não sem ver seus pais. Não tão novo. Vários pensamentos frustrantes desvaneciam pela última vez da cabeça de Faller, agora era tarde demais. O Shinigami se aproximou de David e pôs a mão em seu ombro.

- Desculpe Sr. Faller, mas são apenas negócios e eu vivo disso, se é que posso chamar de vida. Eu escolhi você David, um Shinigami jamais volta atrás em sua decisão. Adeus meu amigo.
- Imorhad… - disse Faller pela última vez e tombou.

O Shinigami pegou a centelha de Faller e depois sumiu, evaporando como neblina.
Assim terminou a vida de David Herald Faller. Muito mais emocionante que seu começo e duvido que ele fosse preferir outra forma de morrer. Ele foi encontrado pela manhã pela camareira, Leonel foi o primeiro, a saber. Em seguida seus pais, no Brasil. Constatou que David sofria de um tipo raríssimo de câncer altamente agressivo no fígado e nem mesmo Leonel soube explicar aquilo. A empresa onde David trabalhava enviou uma gratificação à família de Faller e uma carta de condolências. Nenhum amigo ligou.

Fim.

  1. Dr.V

    4 de junho de 2014 em 17:06

    Gostei do conto,mas bem que você poderia ter dividido essa parte do conto em duas.Ficou grande demais.Digno de um 8,5.

  2. Anna

    2 de junho de 2014 em 18:06

    Na primeira parte do conto eu achei muito promissor,me lembrou o livro “O jogo do anjo”,aí de repente mudou e pareceu Death Note,tinha certeza que ler a segunda parte não ia valer a pena. Mas aí eu li e gostei do final,achei que o rumo da história escolhido pelo autor ficou interessante. Enfim,gostei.

  3. Little Uchiha™

    2 de junho de 2014 em 13:01

    Carai, grande pa cct.

  4. Aluizio Franco

    2 de junho de 2014 em 09:14

    Antes de qualquer coisa, eu gostaria de agradecer ao Jeff Dantas pela publicação do conto, agradecer aos que leram o conto e gostaram e também aos que não gostaram, mas leram mesmo assim. A todos vocês, muito obrigado.
    Sobre o conto, deixo a cargo da genialidade e a maturidade de cada um falar por si. Vejo muita gente madura com bom senso de humor satirizando o título do conto, fazendo referência ao anime Pokemon, pois é, pensei que essas piadas ficariam restritas a primeira parte do conto, mas acho que eu me enganei e não contava com a astúcia dos leitores e comentaristas profissionais e críticos especializados do site.
    Quanto a qualidade do conto, eu nada posso fazer a não ser me desculpar, visto que não sou escritor profissional, não vejo porquê fazer algo que agradará a todos e fará com que todos os meus sonhos sejam edificados ao apresentar meu trabalho amadorista à críticos de mesma estirpe. Devo alertar aos muito exigentes de que não ganhei um tostão ao mandar meu conto ao site, ganhei apenas uma massagem em meu ego e, digo que isso é muito bom. Admiro muito o site Minilua por abrir este espaço aos fãs. Isto é um grande incentivo aos que gostam de literatura.
    Sou o autor do conto, qualquer pergunta sobre o conto estarei disposto a responder. Valeu.

    • João Vitor

      8 de junho de 2014 em 21:45

      cara esse conto foi muito bom eu tenho uma pessima mania de julgar o livro pela capa no caso o conto pelo titulo pensei até q seria um romance e sobrenatural então paguei pra ver e me surpreendi foi nota dez ja li umas três vezes eu tbm crio alguns contos ñ postei nenhum ainda(no minilua) pois gosto de polir bem eles e pretendo levar o seu conto como inspiração.Eu nunca viso a opinião dos leitores somente as criticas e de preferencia as construtivas ^_^ espero poder ler mais contos seus e eu tbm fiquei um pouco curioso qual foi sua inspiração pra esse conto.

      • Aluizio Franco

        9 de junho de 2014 em 07:25

        Bom, João, em suma, eu me inspirei em Labirinto do Fauno para construir um universo entrelaçado entre a fábula e o real. Personagens como o Shinigami Imorhad, teve uma inspiração na personalidade do capitão Hector Barbossa de Piratas do Caribe. No mais, todo o restante foi criado do zero. Mas têm várias referências de filmes no conto. Como o “pó de nebulosa” de Haradad que tem um efeito semelhante ao do Harry Potter, ou quando David chega à cabana de Haradad apenas de ceroula e camisa de manga longa, uma referência ao “Jack” vulgo “Tyler Durden” de “Fight club”, escrito por Chuck Palahniuk. Enfim, fiz algumas referências a filmes, pois sou fã de cinema, mas deixei tudo escondido. Tem que saber procurar para encontrar as relações do conto com filmes. No mais foi isso. Obrigado por ter gostado do conto e lido até o final. Espero em breve ler um conto escrito por ti aqui no minilua. Valeu João!

    • boradeh

      2 de junho de 2014 em 17:54

      eu gostei muito de seu conto. ele mostra o real e o irreal. eu ate copie aqui no meu pc pra ler de vez em quando ^^

      • Aluizio Franco

        2 de junho de 2014 em 20:15

        Valeu brother. Agradeço pelo apreço. É muito difícil, aliás, é quase impossível fazer alguma coisa que agrade as pessoas. Fico muito feliz quando eu consigo produzir algo que alguém goste e se sinta bem. Meus sinceros agradecimentos a ti!

    • DCemblemático

      2 de junho de 2014 em 13:13

      Valeu he-he-he

  5. Adriano Saadeh

    2 de junho de 2014 em 07:23

    Esse post foi tão longo que me lembrou a creepy do zelda

    • Thiago.

      2 de junho de 2014 em 13:15

      Falo nada do conto da infernal então… trocentas partes enormes… D:

  6. Nameless

    1 de junho de 2014 em 23:30

    Bom conto. Esperava que David se tornasse Shinigami, como não ocorreu, me surpreendeu.

  7. DCemblemático

    1 de junho de 2014 em 23:13

    O cara teve o trabalho de escrever esse conto enorme, e so recebe nota 5,0 coitado he-he-he

    • Jeff Dantas

      1 de junho de 2014 em 23:56

      Hahhaha, q nada!! Aos poucos, vai melhorando… 🙂

      • DCemblemático

        2 de junho de 2014 em 13:11

        Que bruxaria e essa? he-he-he

  8. Gustavo Amorim

    1 de junho de 2014 em 22:55

    o final foi meio ruim, mas o conto é bom parabens 🙂

  9. Forasteira

    1 de junho de 2014 em 22:18

    Assim como o David fazia, eu procuro não acreditar no sobrenatural, pois prefiro acreditar no nada após a morte. Sinceramente, não tô afim de queimar no fogo do inferno ou ficar ouvindo musiquinha de anjo algum…
    Se sono é tão sagrado, é assim que eu quero passar o resto da eternidade dormindo, ou melhor, sonhando.

    • Rei Leão

      2 de junho de 2014 em 00:54

      pq falam q o inferno é flamejante? ele poderia ser congelante, uma hipotermia eterna, queimar de frio, isso é muito pior, eu sei pq já me queimei uma vez, 3º grau, mas nem doeu, to bem, mas frio é muito pior D:

    • DCemblemático

      1 de junho de 2014 em 23:06

      Que newton te ajude irmã he-he-he

  10. Terrorista

    1 de junho de 2014 em 22:06

    Eu escolho ler bons contos…Mas acho que no minilua é difícil isso né.

    • Jeff Dantas

      1 de junho de 2014 em 22:12

      Ah.. depende dos autores, né? Se preferir, pode mandar 1 tb 🙂 ^^

      • Terrorista

        1 de junho de 2014 em 23:41

        As chances de vc postar algo q eu mandar são de 0,1%

      • DCemblemático

        1 de junho de 2014 em 23:09

        Jeff quero que o meu conto seja o 10.000 jae? he-he-he

  11. Thiago.

    1 de junho de 2014 em 22:02

    Que conto
    [img]http://img2.wikia.nocookie.net/__cb20101209192757/guilherme-pt-br/pt-br/images/d/dc/Enormossauro.jpg[/img]

    • Allen Walker

      1 de junho de 2014 em 22:06

      Que piada

      [img]http://zueirasemlimites.files.wordpress.com/2013/09/desnecessauro.jpg[/img]

      • Thiago.

        1 de junho de 2014 em 22:10

        Não entendi essa foto da Gretchen aí, mas de boa.

  12. Xion

    1 de junho de 2014 em 21:57

    Ash vai pedir Direitos Autorais.

    [img]http://4.bp.blogspot.com/-1-ABqiBEZU0/UYpB6C-j9TI/AAAAAAAANnc/LZJD7EeB5gg/s640/Ash-Ketchum-anime-18141902-640-480.jpg[/img]

    • Mutley

      1 de junho de 2014 em 22:06

      Red mandou abraços …
      [img]https://encrypted-tbn2.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9GcTwZhjSbyEnDCO4fE2GqBLYC3029YT3WB8WIWWgqPboc18Mt117[/img]

      • Xion

        1 de junho de 2014 em 22:11

        Green mandou muitos bjs

        [img]https://encrypted-tbn1.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9GcTRo8pwCB7HiFFdlPMS4jXP2P4n2AWjDY9TqFITVFGs3Be_m2cQ[/img]

        • Thiago.

          1 de junho de 2014 em 22:17

          [img]http://www.sadiconsati.com/wp-content/uploads/2011/10/Azul-Klein..jpg[/img]

          • Mutley

            1 de junho de 2014 em 22:43

            [img]http://www.baboo.com.br/wp-content/uploads/2012/09/tela_azul_windows.png[/img]

            Há!

        • Mutley

          1 de junho de 2014 em 22:16

          Ash era saco de pancadas do Green/Gary que era saco de pancadas do Red …

          • Adriano Saadeh

            2 de junho de 2014 em 07:25

            Ash é um bundão

          • Mutley

            2 de junho de 2014 em 07:35

            Depois da Liga Johto então …

          • Adriano Saadeh

            2 de junho de 2014 em 07:36

            sim, muito perdedor

          • Xion

            2 de junho de 2014 em 08:33

            Ash ganhou a Liga Laranja…pelo menos ganhou alguma coisa.’-‘

          • Lucas D

            2 de junho de 2014 em 09:43

            E a batalha da fronteira também, não que seja grande coisa

          • DCemblemático

            2 de junho de 2014 em 13:15

            E ganhou a equipe Rocket he-he-he

  13. Mutley

    1 de junho de 2014 em 21:53

    Eu escolho o Squirtle ^^
    [img]http://1.bp.blogspot.com/_iHZajStv-FE/SuDswJp-qQI/AAAAAAAACUE/OfAlJKV-8EY/s400/squirtle.gif[/img]

    • DCemblemático

      1 de junho de 2014 em 22:59

      Acabe com ele Snorlax
      [img]http://static.comicvine.com/uploads/original/14/147536/2814834-snorlax_15771_20070714111046.jpg[/img]

      • Mutley

        2 de junho de 2014 em 06:42

        Maldito Snorlax ! mal posso ver seus movimentos … o.O

        • Forasteira

          2 de junho de 2014 em 13:59

          Poxa, qual o grau do seu óculos? ehuehueheh

    • Xion

      1 de junho de 2014 em 21:56

      Eu escolho Charmander!!

      [img]http://faqsmedia.ign.com/faqs/image/ani004.gif[/img]

      • Allen Walker

        1 de junho de 2014 em 22:05

        eu escolho o Magikarp

        [img]http://cdn.bulbagarden.net/upload/thumb/0/02/129Magikarp.png/250px-129Magikarp.png[/img]

      • Mutley

        1 de junho de 2014 em 22:01

        Gosto do Squirtle ,pois ele evolui pra um Blastoise , e o Blastoise é foda bagarai …
        [img]http://media.animevice.com/uploads/0/3503/202076-blastoise.gif[/img]

        • Xion

          1 de junho de 2014 em 22:08

          Gosto do Charmander,pois ele evolui pra Charizard,e o Charizard é extremamente foda e a mega evolução X é mais ainda.

          [img]https://encrypted-tbn2.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9GcTLiJwBWj_HUFzYFg4uZxVwAVEYgImaDvSXNtmYST5qFSPfRhy0[/img]

          • Mutley

            1 de junho de 2014 em 22:15

            Só usando o canhão d’água o Blastoise já enxarca o Charizard u.u

  14. Gato Endiabrado

    1 de junho de 2014 em 21:53

    Vai PIKACU!

  15. Allen Walker

    1 de junho de 2014 em 21:52

    Não li nem a parte 1 ‘-‘ to uns 15 contos atrasados aqui

    • Marvelunatico

      2 de junho de 2014 em 07:09

      E eu que to atrasado uns 194 contos

  16. Jeff Dantas

    1 de junho de 2014 em 21:50

    Olha, não sei vcs, mas eu teria medo dele!! http://static.minilua.org/wp-content/uploads/2014/06/shinegami.jpg

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