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Contos Minilua: Histórias do pátio #117

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Histórias do pátio

Por: Davi Paiva

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Olá, meu caro leitor. Aqui quem vos fala é o pátio de uma faculdade. Posso não ser as Termópilas, Waterloo ou a Normandia, no entanto já fui palco de inúmeras guerras. No meu caso, eram de estudantes contra o tempo, a fome, o cansaço, os prazos ou o mau humor dos professores. Já vi homens virarem heróis e infelizmente, muitas derrotas que no fim acabaram em outro palco: o bar.

Contudo a história que vou contar a vocês hoje é diferente.

Foi em um período de paz que um rapaz se sentou em uma cadeira e colocou sobre uma mesa o seu refrigerante gelado e olhava-o com um ar triste em vez de apreciar o seu conteúdo, vendo as gotas se acumularem na lata e escorrerem. Ele faria isto por mais tempo se uma garota da sua idade não se aproximasse e perguntasse:

— Oi, Vitor. Tudo bem?

— Ahn? Ah. Oi, Isadora. Tô legal. — respondeu o rapaz.

— Tá? Com essa cara aí..? — indagou a garota, enquanto se sentava à frente dele. — Fala aí o que houve.

É engraçado meu caro leitor como algumas mulheres têm o hábito de perceber quando um homem está mal. Vitor não teve escolha senão desabafar:

— É a Samantha.

— Sua namorada? O que tem ela?

— Terminou comigo.

— Ai… por quê?

— Disse que não consegue esquecer o ex-namorado.

— Puxa… sinto muito. Mas eu te disse que ela estava mal e não estava pronta para um relacionamento.

— E você estava certa. Ela e a Nicole não estavam.

— Você não esquece mesmo a Nicole, hein? — indagou Isadora — Ela foi a sua penúltima namorada. Não foi?

— Não. Antepenúltima. Depois dela veio a Bruna e aí sim a Samantha. – confessou Vitor.

— Eu me lembro das duas. A Nicole disse que não estava pronta para algo sério. Já a Bruna namorou contigo por um tempo e falou no fim de três meses que queria se focar nos estudos. — relembrou a garota.

— É. Só que nestes dois casos eu não fiquei tão mal assim. A Nicole você já havia dito que ela não é muito de compromisso com ninguém. E a Bruna você me falou que ela é muito insegura e prefere enfiar a cara em um livro do que falar com uma pessoa.

— E você mesmo assim namorou as duas.

— Ah, eu estava meio chapado quando fiquei com a Nicole. Vimos que tínhamos interesse e resolvi arriscar. Já a Bruna eu estava meio carente mesmo.

— E qual foi a sua desculpa para namorar a Samantha?

— Atração física. — confessou Vitor na maior cara de pau.

A maioria das mulheres torceria o nariz para tal justificativa. Entretanto Isadora era sincera em confessar que já havia namorado homens por achá-los bonitos. Os relacionamentos não duravam muito, porém ao menos ela saciava a vontade. Já presenciei muito disto. E em vez de repudiar, ela riu e disse baseado em sua experiência:

— Relacionamentos assim não duram muito tempo mesmo. Você brigou com ela quando terminaram?

— Não. Ela veio a mim e disse que não queria mais. Eu quis uma justificativa e ela me contou que não queria mais por não esquecer o ex. Só.

— Hum… sinto muito. Mas se você só queria ficar com ela por atração, por que está tão mal?

— É que no fundo eu estava começando a gostar dela. Sabe… ela é uma garota legal. Meio sem ideia, mas é legal.

— Ahahahahah… sei como é.

— E você e o Thiago, como vão? — perguntou o rapaz tentando não ser o único alvo de perguntas.

— Nós também terminamos.

— Jura? – indagou o rapaz, surpreso — Por quê?

— Ele não queria nada comigo. Disse não estar afim de um relacionamento entre outras coisas. — desabafou Isadora.

— Quais?

— Prefiro não entrar em detalhes. — disse a garota, que ao ver a cara preocupada do amigo, completou — O nosso relacionamento não era muito bom. A gente não conversava… entende o que quero dizer?

— Entendi sim. — disse o rapaz finalmente tomando um gole de seu refrigerante e oferecendo um pouco para a amiga. – E agora o que vamos fazer?

Ela tomou um gole e disse:

– Ah, eu não sei. Eu queria encontrar uma pessoa legal. Que quisesse algo e com quem eu pudesse conversar.

— Isto é fácil. O duro é eu achar alguém que queira um relacionamento. — desabafou o rapaz.

— Eu quero.

Nesta hora meu caro leitor, se eu tivesse uma boca teria rido. Os dois fizeram um silêncio que soava até cômico e se olharam como se nunca tivessem se visto antes. Depois deram um beijo caloroso e rápido, daqueles que até faz um barulho de um estalo e quando se afastaram, ela falou:

— Bem… o que foi isto?

E ele, concluiu com um sorriso tão grande quanto o dela.

— Se você não sabe, temos muito a conversar.

 

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