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Contos Minilua: Jéssica (parte III) #188

E sim, aos pouquinhos, vou postando todos os contos enviados. Sei que não é fácil, mas…E-mail de contato: equipe@minilua.com! A todos, uma excelente leitura!

Jéssica

Por: Phoebe Junie

– Jéssica! É a mamãe, eu sei que você está ai. – grita Josie com um jeito carinhoso.
Ela vai andando por todos os cômodos a procura de Jéss, mas quando finalmente chega ao quarto onde ela estava, Michele a segura pelo braço. As duas se olham por um tempo então Josie faz um movimento brusco com a mão, se “libertando” de Michele. Agora ela tinha certeza de onde sua filha estava.

– Jéssica, onde você está filha? – pergunta ela. Na hora, ela escuta um barulho vindo do armário.
– Filha? – pergunta Josie olhando para o armário.
Silêncio. Ao seu lado Michele apenas observava, sem se intrometer.
– Jéssica… Abre a porta, por que está se escondendo da mamãe? – logo o armário se abre e Jéssica sai de dentro.
– Mamãe… Você sabia?

– O que…? – pergunta Josie com uma cara de desentendida.
– Jéssica foi para o céu, igual ao papai. Aquela Jéssica não existe mais, ela morreu.
– Do que você está falando – pergunta ela com um sorriso de nervoso – você está aqui na minha frente.

– Meu nome não é mais Jéssica Martins… é Jéssica Ferreira – dizendo o sobrenome de Michele – e eu moro aqui com minha mãe.

– Jéssica… Filha… – Josie tenta segurar para não chorar – Você me ama não me ama?
– Mamãe…
– Você me ama não é Jéssica? Ou você não gosta mais de mim?
– Mamãe… Eu não gosto ou desgosto de você. Por que… Você não é mais minha mamãe.
Josie não responde, sai correndo do apartamento deixando Jéssica e Michele a sós.
– Filha… Tudo bem se chorar… Pode chorar se quiser. – diz Michele se ajoelhando em frente Jéssica.

Jéssica a abraça, chorando em seu ombro. Dois minutos depois, Michele pede que Jéssica espere, e também sai para rua, tentando alcançar Josie que já estava na esquina, andando passo… por passo… devagar.

– Josie… – diz Michele puxando-a pelo braço – Espere. Não sei o que houve entre vocês duas para que Jéssica fosse maltratada, mesmo que houvesse centenas de motivos, eles são igualmente certos e errados. Não há uma mãe que nunca tenha se cansado de seu filho, ou nunca pensado em batê-lo. Silêncio… Josie apenas fica ouvindo o que Michele diz.

– Mas eu não entendo você… Você quase a matou!! Lembra-se daquela noite que você colocou ela em uma sacola de lixo? Você não pensou no que aconteceria se ela tivesse passado a noite lá naquele frio? Crianças nunca devem odiar seus pais.

– O que você sabe!! – interrompe Josie – Já se cansou dela? – pergunta ela, com uma pequena risada sarcástica – Está abandonando Jéssica?

– Eu a amo. Porém foi você quem deu a luz a ela. Ela é uma menina amorosa criada por você. – responde Michele. Mas… se viver com a mãe biológica significar felicidade verdadeira para ela, eu a devolvo para você. Se você for abraçá-la e amá-la do fundo de seu coração, eu estou disposta a me entregar a policia.

– Já é tarde demais… Ela já não me ama mais. – responde Josie.

– Se ao menos você tentar… eu posso falar com…

– Já chega!!! – interrompe Josie – ela já disse que não me ama mais. Para mim… ela seria melhor se estivesse morta. E se você pensa que eu vou ficar sem fazer nada, está enganada. – continua ela dando uma volta e indo embora.

– Eu vou me tornar mãe dela!!!! – grita Michele. – eu vou me tornar sua mãe…

A tarde foi maravilhosa comparada a manhã. Jéssica e Michele se divertiram muito, desenharam, brincaram de pega-pega, esconde-esconde, brincadeiras típicas para uma criança de 7 anos. Até que no dia seguinte por volta do meio-dia, aparece alguém batendo na porta. Michele abre e se depara com 5 policiais, quatro homens e uma mulher.

– Você está presa por sequestro e cárcere privado de menor. – diz um deles, se colocando na frente. Na hora ele pega as mãos de Michele e coloca-lhe algemas.

Atrás dela vinha Jéssica com um casaquinho rosa por cima de uma blusa branca. Ela fica parada sem entender nada.

– Mamãe…?

– Jéssica… – caiam lágrimas dos olhos de Michele enquanto dois policiais seguravam Jéssica, que se debatia para segurar a mãe.

As duas são levadas até a calçada, onde haviam 3 viaturas da policia, e mais policiais armados.

– Mamãe!!!!!!!! – gritava Jéssica, enquanto via sua mãe ser colocada no carro com algemas.

– Jéssica!!!!! Filha!! – no carro, Michele gritava com as mãos tentando inutilmente segurar Jéssica.

No fim… Michele foi levada a delegacia, onde falava com o delegado que disse que Josie havia passado na delegacia dizendo que sabia quem havia sequestrado sua filha, e lhe deu o endereço mas foi embora sem aguardar até que Jéssica fosse achada. Logo o delegado permite que Michele espere pelo processo em condicional.

Logo que saiu da delegacia, Michele foi até o apartamento que tinha alugado e decidiu voltar para São Paulo, em sua casa que tinha comprado antes de se tornar professora. Arrumou suas malas, mas antes de ir ligou a TV para ver se passava o caso de Jéssica, e sim praticamente todos os canais falavam sobre o caso que havia abalado o País.

“ Voltamos agora no caso de Jéssica Martins, mas agora vamos falar sobre os pais dela. Hoje cedo a policia confirmou que a mãe da menina, Josie Martins, cometeu suicídio em sua própria casa, e seu namorado Fernando Bittencourt está foragido, porém a policia não para com as investigações. Logo após os comer… “

– O que eu fiz… o que eu fiz… – pergunta Michele para sí mesma.

Ela decide não ir embora naquele dia, antes ela tinha que fazer uma coisa: visitar Jéssica no orfanato. Com seu advogado ela conseguiu o endereço do orfanato e a escola que sua filha ia e o horário que ela saia para voltar ao orfanato. Sem pensar duas vezes ela corre até o local e vê Jéssica indo embora sozinha com sua mochila vermelha nas costas.

– Jéssica!!!! – grita Michele correndo em direção a menina.

Ela se vira e se depara com sua professora.

– Mãe… – sussurra ela para si mesmo enquanto espera Michele correr até ela.

Com um pouco de distância, Michele fica parada em frente Jéssica.

– Mãe… posso te pedir uma coisa?

– Claro. O que?

– Me sequestre novamente? Mãe… Me leve com você…?

– Jéssica… eu não posso… não posso fazer isso de novo, não teremos paz se eu fizer isso – responde ela enquanto caia uma lagrima de seu olho. – mas o que acha de nos despedirmos com um sorriso no rosto?

– Não!! E eu consigo ir embora sozinha. – responde Jéssica enquanto se vira para seguir seu caminho.

– Sim eu sei que consegue… Só não sei se consigo me despedir de você.

– Está triste? – pergunta ela já se virando novamente e olhando para Michele.

– Não, eu estou feliz.

– Está chorando mesmo estando feliz?

– Sim, algumas pessoas choram mesmo quando estão felizes.

– Mãe… Então vamos falar sobre nossas coisas favoritas, ficaremos alegres se falarmos sobre nossas coisas favoritas.

– Está certo. –responde Michele fazendo sinal com a cabeça – começa você.

– Hum… uma piscina a noite.

– O fantasma do guarda-chuva. – na vez de Michele.

– Uma pessoa dormindo no trem.

– Último dia de férias de verão.

– As girafas…

– Dividir o guarda-chuva com alguém.

– O sol da manhã.

– Os trovões.

– Suas sobrancelhas….

– O seu jeito de andar. – assim as duas começam a caminhar até se encontrarem.

– Quando você pendura a roupa para secar.

– O jeito de você escrever.

– Sua voz.

– Jéssica…

– Mãe…

– Filha, leia isso quando fizer 18 anos está bem? – diz Michele, entregando uma carta à Jéssica.

– Está bem, vou indo então. Adeus mãe.

– Adeus filha, pode ir, estarei aqui te olhando.

– Ok.

– Não perderei você de vista.

Assim, Jéssica vai indo embora enquanto Michele ficava observando seu andar.

Na carta dizia…:

“Estou escrevendo isto para você…

Você sabe… Amanhã, terei de dizer adeus para você, não teremos permissão para nos vermos, não teremos permissão de nos reconhecer como mãe e filha.

Mas ainda acredito… seremos capazes de nos vermos outra vez algum dia, e serei capaz de segurar suas mãos. Imagino como você estará… quando tiver 20 anos.

Imagino que tipo de dama você se tornará.

Você tinha apenas 104cm quando nos conhecemos, mas você estará vestindo roupas da moda.

Seu pé tinha apenas 16.5cm quando nos conhecemos, mas você estará de salto alto.

O que devo dizer para você. ‘Com qual pergunta devo começar? Você me reconhece?
Qual sua altura? Está apaixonada? Tem um melhor amigo? Ainda gosta de azul claro?
Gosta de Cream Soda? Gostaria de comer um comigo?’

Meu coração dispara sempre que penso em ver você quando tiver 20 anos… e acabo com um grande sorriso no rosto. Aguardarei ansiosa… pelo meu futuro com você. Estou de feliz de tê-la conhecido. Estou contente de ter me tornado sua mãe mesmo que tenha sido por pouco tempo…

Os dias que passei com você… Os dias que passei como sua mãe…Aqueles dias significam tudo para mim, eu era uma pessoa fria… mas você me ajudou a mudar. Esperar pelo dia em que irei encontrá-la novamente… é como esperar para abrir minha caixa de tesouro.

Amo você.

Da sua mãe

P.S.:

Cream soda é… um drinque.”
E… FIM…!!!