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Contos Minilua: Medo de palhaço #109

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Medo de palhaço

Por: Lucas Amando

Montville

“Uma das maiores perguntas que eu já fiz na minha vida foi: “por que as pessoas tem medo de palhaços?”. Que coisa boba. Palhaços são apenas pessoas tristes que deixam outras felizes. Nada mais. Bom, era isso que eu achava.

O que eu disse antes sobre palhaços serem pessoas tristes é verdade. Eu não consigo imaginar que uma pessoa possa manter um sorriso verdadeiro o tempo todo, sem ser levemente perturbado.
Uma vez eu conheci um homem que se tornou palhaço. Nasceu em família humilde, tal homem infeliz, estudou comigo em uma escola durante alguns anos em minha estadia naquela cidade. 

Não era lá um bom aluno, suas notas sempre foram medianas. Ele não tinha nenhum objetivo na vida, na verdade não sei se o que ele vivia podia ser chamado de “vida”.

Certo dia um palhaço foi a nossa escola, para uma apresentação aos menores, e foi nesse dia que eu vi, pela primeira vez, um brilho nos olhos do infeliz homem. Aquelas cores, as brincadeiras, as risadas, tudo chamou a atenção dele.

Mas aquilo tudo se foi quando o palhaço foi embora. Oh! Tristeza infeliz que atormenta o coração e destrói a alma. Tudo voltou como um relâmpago e a monotonia da vida serviu-o novamente.
Anos se passaram e o homem, que já era infeliz, se tornou apenas uma casca.

Não se formou, não. Pelo contrário, virou palhaço de festas infantis. Ele era engraçado, mas muito sinistro também. Tive a oportunidade de ver uma de suas apresentações e, graças a Deus eu não era criança na época. 

A maneira que ele olhava para os meninos (e meninas) era assustador. Futuras vitimas de sua maior piada sem graça: A morte.

Cresceu e ficou muito bom na técnica de conduzir pessoas até seu carro velho e leva-los a sua “cabana do riso”. Já me disseram uma vez que o rosto de desespero de uma criança é o prazer louco de mentes perturbadas, e depois de conhecer esse homem, eu acredito.

Pela segunda vez eu pude ver os olhos daquele infeliz brilhando enquanto sua risada amedrontadora ecoava pelos corredores de seu aposento de matança.

A minha sorte prevaleceu, consegui sair vivo da casa do homem. Vivo, sim, mas totalmente mudado e perturbado. Maldita risada de palhaço.