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Contos Minilua: Na zona da amizade #210

Pois é, e para participar, é muito fácil. Para tal, envie o seu texto para: equipe@minilua.com! A todos, uma excelente leitura!

Na zona da amizade

Por: Pedro Alencar

Era apenas mais uma manhã comum naquela bela cidade do interior. O céu estava bem claro, com algumas nuvens brancas o decorando. Era o último dia de aula, e Rafael mal podia esperar para chegar em casa e se ver livre de todas aquelas “chatices” que lecionavam seus professores, com seus livros grossos e pesados, e sua incrível habilidade de tornar as aulas ainda mais cansativas do que deveriam ser. O sinal finalmente tocou, e todos estavam liberados. Rafael pegou sua bicicleta, e partiu.

Ao chegar em casa, ele tomou banho, almoçou, e descansou um pouco vendo TV para mais tarde ir jogar bola com os amigos. Quando calçou a primeira chuteira, sua mãe lhe chamou a atenção.

– Ei mocinho, para onde você vai?
– Vou jogar bola mãe. Quer ir também?

Rafael era um rapaz de 15 anos extrovertido e brincalhão. Alto, magro e forte para a idade, gostava de jogar bola para manter-se em forma. Tinha cabelos castanhos claros, quase loiros, um pouco crespos.

A pele branca escurecida pelo sol. Os olhos castanhos escuros. Enfim, era um rapaz bonito, mas nunca havia namorado e tampouco se importava com isso. Até aquele dia.
A mãe riu e respondeu:

– Eu até iria, mas receberemos uma visita muito especial hoje. De alguém que você não vê há muito tempo.

– E quem é? – Perguntou o rapaz, curioso.
– Luana. Lembra dela? Vocês eram grandes amigos antes dela se mudar. Ela chega daqui a pouco, e está louca pra te ver e matar as saudades.

No momento em que foi dada a notícia, Rafael paralisou. Já faziam seis anos que sua melhor amiga de infância havia se mudado, e ele nunca mais a tinha visto. Ela era apenas alguns meses mais nova do que ele. Foi morar em uma cidade grande, no sul do estado. Depois de tantos anos, ele mal podia esperar para revê-la. Tratou de se arrumar e se preparar para sua chegada.

Duas horas depois, parado em frente à porta de tão ansioso que estava, ouviu um rápido bater de palmas e uma voz… Uma voz suave e doce como o mel. Era ela, tinha certeza. Abriu a porta e fitou-a nos olhos, ela fez o mesmo. Passaram um tempo se olhando. Os olhos de Rafael brilhavam.
– Fuinhaaaaaa! É vocêe! – Gritou Luana, correndo para abraçá-lo. Ela era a mesma de antes. E ela sempre o chamava assim.

Luana era uma garota alegre, e tímida com quem não conhecia. Ela tinha seu velho amigo Rafael como um irmão, e era totalmente aberta com ele, afinal, eles sempre dormiam juntos – às vezes até abraçados – quando um passava o final de semana na casa do outro. Eles cresceram juntos e construíram uma forte amizade.

Agora, Luana havia se tornado uma moça realmente linda. Cabelos ruivos naturais, olhos azuis como o céu daquela tarde. Pele clara. Baixinha, magrinha. Seios bonitos, de tamanho médio. Bumbum de tamanho normal.

E o rosto… Ah, o rosto… Era o que mais fascinava Rafael. Seus olhos azuis, suas sardas clarinhas, quase invisíveis, aquele sorriso verdadeiro… Os traços angelicais. Ele sabia. Estava apaixonado.
– Eu estava morrendo de saudades de você, cara de fuinha! – Ela o abraçava com força.
– Eu também… – Disse enquanto fazia um carinho em sua cabeça.

Os dois então entraram, e Luana cumprimentou a mãe de Rafael. Ele mostrou seu quarto a sua amiga, que adorou. Era um quarto deveras simples, porém espaçoso e aconchegante. Com um Playstation 2 velho…

Uma cama de casal que tinha sido de seus avós, que já haviam morrido há anos. O quarto ficou para Rafael, como ele dormia na sala e sempre quis um quarto só para ele.
Rafael e Luana foram, então, para a varanda nos fundos da casa. Que davam vista a um vasto matagal, com casas e serras ao longe. Era mais confortável conversar ali, onde era ventilado, do que dentro de casa.

Os dois passaram a tarde inteira relembrando sua infância, as brincadeiras que gostavam, os doces que comiam… Então, Luana relembrou que eles dormiam juntos também.
– Rafael corou e, rindo, disse: “É verdade!…”

Como estava anoitecendo, os dois entraram. Mas uma questão precisava ser decidida: Onde Luana iria dormir? A mãe de Rafael conhecia bem o seu filho. Ela era uma mulher liberal. Então deixou que os jovens decidissem. Rafael sugeriu dormir na sala, para que Luana dormisse em seu quarto.
– Já tá querendo se livrar de mim fuinha? – Contestou Luana – Pois não vai ser tão fácil! Hoje nós vamos virar a noite jogando videogame!

Rafael concordou, hesitante. “Como ela pode ser tão inocente?” – Pensou. “Depois de tantos anos ela continua a mesma? Não… Algo mudou…”

Ao entrar no quarto, Luana pulou em cima da cama enquanto Rafael ligava seu Playstation 2. Eles escolheram um jogo de luta. Tekken 5. Eles adoravam aquele jogo. Enquanto Rafael ajustava as configurações do jogo, Luana abraçou-o por trás, e sussurrou em seu ouvido:

-“Senti tanta falta de você…”
Rafael arrepiou-se todo. Sentiu seu corpo estremecer. Aquela era a hora. Ele sabia. E, num impulso, se virou, a envolveu em seus braços, e a beijou.

[…]

Muitas surpresas aguardam a parte 2. Novos personagens surgirão. Será que Luana corresponderá ao beijo de seu amigo? Os jovens dormirão juntos, assim como faziam quando eram crianças? Em breve!