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Contos Minilua: Não era pra dar certo #92

Bem, e para participar, não tem mistério. Para tal, envie o seu conto para: equipe@minilua.com! A todos, uma excelente leitura!

Não era pra dar certo

Por: Betânia Lopes

Seis e quarenta de uma tarde de sábado. Céu nublado. Dia sem cor. Estava a uma quadra de casa, quando veio como um raio a lembrança: – é hoje?! Apertei o passo e comecei a correr.

Era o dia do casamento de minha irmã, no qual era madrinha, e não podia me ausentar em hipótese alguma. 
– como pude esquecer… ?!

Quanto mais corria parecia que mais distante ficava, acelerei e… puff! Cai, machuquei a perna e quebrei o salto. Continuei andando até chegar em casa mancando. Quando procurei pela chave da casa – cadê? Não estava na bolsa… só podia ter caído quando ocorreu o acidente. Voltei pelo trajeto e a encontrei.

Ao chegar em casa fui direto tomar banho, tinha que me apressar. Na metade do banho a água acabou. – aff. Estava toda ensaboada. Depois na hora de me vestir, procurei por minha blusa, a favorita. Revirei tudo, deixei a casa de pernas pro ar, e não encontrei. Sentei na cadeira com a cabeça entre as mãos. Olhei pra frente. Suspirei e avistei toda molhada no varal, o sangue ferveu na veia, mas me contive.

Quando fui vestir a calça, ela simplesmente não quis entrar, a usara na semana anterior, e ela cabera perfeitamente, agora parecia que tinha vida própria. Deitei na cama e a puxei. 

– Que sufoco! Mas consegui. Fechei o zíper e abotoei. Ufa… levantei da cama e plafft!!! A calça rasgou, tentei manter o equilíbrio estava “pê da vida”.

Enfim, terminei de me arrumar, quando cheguei na porta pra sair, adivinha? Começa a chover. Peguei meu guarda-chuva, e sai debaixo daquela tempestade. Antes de chegar na primeira esquina deu um vento que virou meu guarda-chuva, ele havia quebrado.

Em um descuido meu o vento tira de minhas mãos e o leva consigo. Agora estava eu, debaixo daquela chuva, sem nenhum tipo de proteção, toda molhada. –Só me falta agora ser acertada por um raio. No mesmo instante ouço um trovão. 

– É, devemos tomar cuidado com as palavras.
Resolvi então de uma maneira precipitada apertar o passo.

– Pra quê? Foi só fazer o ato e tibum!!! Cai de bunda na lama. Essa nossa região norte! Essas ruas de Acrelândia!!!. Quando chove e a água passa nas ruas sem revestimento, sem asfalto, é lama ao certo.

Me encontrava agora toda molhada, suja…, mas estava determinada a ir, depois de tudo que passei… simplesmente não podia desistir. Ao chegar na igreja parecia uma alma penada, mas… havia algo de estranho, não havia ninguém ali. – Tarde demais? Não é possível!!!!
Tentei me informar e descobri que a festa só seria no domingo…… ataque nervoso em 5…4…3…2…1 puft! – Quem apagou a luz?

Poxa, vida só me faltava essa, acabou energia! Me encontrava em uma escuridão sem fim, quando ouço um barulho… Ghrumm – O que foi isso? Ghrumm…Wouf! wouf! Me deparava agora com dois olhos brilhantes – Aahhh! Um cachorro!!! Agora eu corria desesperadamente em meio a escuridão. Ahh sim… e com uma fera atrás de mim! Quando de repente Ploft! Bati a cara no poste e tibum no chão – Ahaai, quem colocou esse poste aqui???

Minha situação agora era lastimável. Meu objetivo? Chegar em casa viva.
Me levanto toda lameada, pelo menos parou de chover, dói cada parte do corpo. A cabeça pesa… e o cachorro? Vlump! O cachorro pula em cima de mim… Slug, slug, slug – Argh, que nojo, sai cachorro nojento!

O cachorro me lambia desenfreadamente, de repente… Xiiiiz – não acredito. Essa criatura maligna passa a urinar em mim! Quando de repente… Poomn! Vejo uma moto em alta velocidade vindo em minha direção – Ops, não é uma moto… é um… caar… Pow!!!

É… não era uma moto, era um carro com um dos faróis quebrado. 
Peraí? Porque eu estou voando? E aquela luz? Será que eu… ? eu só queria ir pra uma festa…

– Ao menos estou subindo, não sinto mais dor nenhuma… ai que alivio, posso voar! Mas cadê minhas asas? Fiiiiiiiiiiiwh. Estou caindo!!! Mas se estou morta pra onde vou?… Se não vou pro céu… só me resta…

Ahh não! Adeus mundo cruel!!!Tic…Tic…Tic…Acordo assustada. Sinto algo gélido e percebo que há uma goteira em cima de minha cama a qual me chapisca o corpo todo. Ahh, que alívio. Tudo não passou de um sonho, um grande pesadelo. É agora tenho que me levantar… Mas tarde tenho que ir…Bom melhor não. Prefiro não arriscar.