Contos Minilua: O tempo não espera #225

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O Tempo não espera




Por: Suelen Sales

Ela estava andando calmamente até que passou, meio que por querer, em frente aquele maldito cemitério. Eu até poderia contar que ela viu algum fantasma lá ou algo assim, mas esse não é um conto de terror. Enfim, não vamos nos perder: Ela estava andando calmamente, até que passou em frente ao cemitério da cidade.

Os portões pesados, sempre trancados e de uma cor cinza sem vida, estavam, pela primeira vez nos 10 anos em que ela passava por lá, abertos. Ao longe ela podia ver uma fila que ia se seguindo, provavelmente de mais um morto daquela cidade pacata. Tão pequena que ela se surpreendeu por não conhecer ao menos alguém da família do morto.

Enquanto ela via a procissão ficar mais e mais pequena conforme descia o morro, tentava imaginar como seria a vida daquele cara, teria ele filhos? Ou talvez netos? Será jovem, velho, casado? Pensou em como a vida tem fim, e em como as coisas acabam assim, no meio de uma frase. Tentou imaginar o que aquele cara sentiu pouco antes de morrer… Mas, outra duvida, seria mesmo um cara?

Pensou em como a vida é tão curta e ao mesmo tão longa, tão cruel e bela e em como ela consegue surpreender a todos as vezes, graças aquele fim inesperado. Estava voltando pra sua casa enquanto meditava, simplesmente ainda não entendia o por que. Por que alguns iam embora tão cedo, e outros iam embora tão tarde? Ela observava um pôr-do-sol e imaginava que talvez fosse assim, tipo, a ida, talvez fosse só uma longa noite de sono, como se fôssemos acordar logo pela manhã.

A vida pensou, talvez não tenha exatamente um fim. Talvez não tenhamos mais nenhum sonho, nenhuma qualidade, talvez não tenhamos mais nada e quando o último sinal de esperança aparecer, como deve ser o caso daquele homem, ela vai acabar, e desaparecer em nossas mãos.

Imaginou como aquele cara deve ter tido uma vida medíocre, mesma pela quantidade de pessoas, e se ele foi uma pessoa sozinha? E se não teve a chance de viver com alguém, se fosse ignorado, e todas aquelas pessoas estivessem lá apenas pela culpa, Sim, deve ser esse sentimento que fazem as pessoas lotarem os cemitérios em certos dias. E logo, ela pensou que talvez fôssemos todos assim, se todos fôssemos sozinhos, e se não tivéssemos ninguém.

E ela notou que o tempo não espera que não temos chance de apenas esperar o amanhã, talvez ele nem exista. Eis uma coisa que falamos tanto, mas que sabemos que não existe: o amanhã. Do mesmo jeito que para ela era só mais um dia, para aquele morto, para aquela vida que já chegou ao fim, aquele era só mais um começo. Mais uma pessoa que vai ser jogada na sarjeta do esquecimento, mais uma pessoa que não vai mais ter a chance de viver.

Quando chegou em casa, havia um jornal em cima da mesa: “MILIONÁRIO MORRE APÓS NOITE COM STRIPPERS.” Leu um pouco da matéria e soube que o corpo vai ser velado e enterrado em uma cidade do interior. Ela deu de ombros, imediatamente pensou na procissão. “É, talvez ele não tenha sido tão medíocre assim, talvez a vida não seja tão sacana. Pelo menos, morreu feliz”.

E sendo assim, foi dormir, porque não tinha mais sentido pensar naquilo. E porque só com talvez não se conte uma história…

  1. Suelen Sales

    1 de janeiro de 2015 em 15:46

    HÁHÁ! Obrigada!

  2. Gabriel Frigini

    25 de dezembro de 2014 em 18:34

    muito bom!

  3. Blue

    25 de dezembro de 2014 em 15:14

    A vida é curta, por isso quero aproveitá-la, aprender tudo o que conseguir, amar, sentir, fazer amizades, inimizades, ser feliz, quero fazer o que gosto, quero crescer, espero que depois da morte exista algo, o pensamento de sono eterno me faz ficar triste, pensando que tudo o que fiz foi inútil, por isso prefiro acreditar que existe algo depois, talvez eu vá conversar com Hades, talvez eu vá festejar em Asgard, talvez eu vá participar da festa no Inferno, não sei pra onde vou, mas espero ir pra algum lugar legal, eu queria não morrer, mas isso é impossível, talvez a ciência descubra a imortalidade e eu tenha dinheiro para pagá-la até lá, eu prefiro ficar aqui, vendo a evolução do mundo, vendo o que vai acontecer com a humanidade, aprendendo de tudo, aproveitando, pesquisando e descobrindo todas as coisas, mas sei que um dia tudo acaba, não sei como, mas espero que seja de um jeito bom.

  4. Caciano Genz

    24 de dezembro de 2014 em 21:30

    eu meio que não entendi o conto.. -___-

  5. Jeff Dantas

    24 de dezembro de 2014 em 20:42

    • Caciano Genz

      24 de dezembro de 2014 em 21:27

      conhece pessoalmente pra saber? as aparências enganam jeff..

    • Litzen Vampiro

      24 de dezembro de 2014 em 21:03

      Curto mas legal, ”Eu até poderia contar que ela viu algum fantasma lá ou algo assim, mas esse não é um conto de terror” po ta faltando uns contos com tela preta :/…

      • Jeff Dantas

        24 de dezembro de 2014 em 21:10

        Ah sim, quem quiser, pode mandar um conto de terror!! ^^

        • Daniel Champoski

          26 de dezembro de 2014 em 00:34

          challenge accepted

      • Litzen Vampiro

        24 de dezembro de 2014 em 21:04

        Eita não era pra ir como resposta esse comment, bom agora já foi .-….

  6. Jeff Dantas

    24 de dezembro de 2014 em 20:41

    E falando nisso, quem aqui acredita em reencarnação? 🙂

    • Sheron jesus silva

      14 de julho de 2015 em 20:50

      Eu

    • Little Uchiha™

      25 de dezembro de 2014 em 00:32

      Eu acredito… que seja coisa do capiroto.

    • Caciano Genz

      24 de dezembro de 2014 em 21:24

      não cara, “Eu to de boa”…

    • André Silva

      24 de dezembro de 2014 em 21:20

      Eu acredito!

    • Cold

      24 de dezembro de 2014 em 21:01

      Não vejo provas o suficiente pra me fazer acreditar. E vc Jeff, acredita?

      • Caciano Genz

        24 de dezembro de 2014 em 21:26

        provar que existe, ou não existe? o sentido é o mesmo mas o significado não.. (ou sera ao contrario o_õ)

        • Cold

          24 de dezembro de 2014 em 21:35

          Que existe. Eu acho O_õ

          • Caciano Genz

            24 de dezembro de 2014 em 21:49

            e que não tem nem provas que confirmam que existe, assim como não tem nem provas que confirmam que não existe. ou seja, logicamente pode tanto existir como não existir.

          • Cold

            24 de dezembro de 2014 em 22:09

            Eu parto do pressuposto que não existe, pois ainda não foi comprovado. A partir disto faço minha pesquisa/análise/reflexão buscando provas/argumentos á favor da ideia. Se não encontro motivos bons o bastante que me façam crer naquela ideia, ela continua não sendo real para mim. Entendeu?

          • Caciano Genz

            25 de dezembro de 2014 em 00:10

            saquei, mas uma questão como que o jeff fez não apela pra subjetividade própria, eu não creio então por que pra mim não faz sentido, enquanto o outro lado deixamos de lado por que não faz sentido pra nos, então o que faz sentido de perguntar algo cuja resposta ainda não existe. Mas foda se ainda não acredito…

      • Jeff Dantas

        24 de dezembro de 2014 em 21:09

        Então.. confesso, que tenho minhas dúvidas… 🙂

22 Comentários
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