Contos Minilua: O terror em neve #142

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O Terror em Neve

Por: Júlio Taveira

Há algo de interessante em contar sobre os receios do homem. O que será que nos faz recear por algo que nunca deparamos? Ter pesadelos no limiar da noite, e acordar assustadoramente como se tudo – acreditando no mundo espectral – fosse a mais simples realidade?

Estas perguntas, que receio em responder; porém, tenho a total e simples certeza, é que se por algum acaso, - não que isso me faça um cúmplice. Não, senhor, de novo não. É que se uma pessoa, sendo extremamente próxima a mim, descobrir o que houve comigo em uma das minhas congelantes viagens ao sul, é certo que ao final deste conto, esta pessoa estará habilitada a maldição perpetua.

Então, ocorro em relatar, ó caríssimo leitor – e digo isto o mais abertamente possível – se, por algum sórdido e tenebroso acaso, e que tenha em mente uma responsabilidade madura e vil de continuar lendo, pois eu não serei o culpado pelo teu castigo. Pois “Ele”, “Ele” sabe do que eu estou falando. E é melhor eu começar logo, antes que alguma coisa aconteça comigo novamente, e a todos que me cercam. Ah! Inclusive com você, que pela lógica, já está envolvido.

Afinal, como começar…? Assim, assim. Meu nome é Jonathan, e eu era de uma família mediana, e morávamos em Petrópolis, Rio de Janeiro. O clima era chuvoso e congelante, mais eu adorava me aconchegar em meus lençóis, e clima melhor do que esse não há. Não que eu detestasse o clima tropical de minha cidade. Para falar a verdade, nunca gostei muito de sol, penetrando em meus olhos, mas adorava quando eu e minha família íamos á praia, ou ao Jardim Botânico, que então me alegrava bastante.

Mas foi no ano de 1975, quando meu pai, um homem de semblante único, que tinha um bigodão negro que vinha até os lábios, e os cabelos loiros como o meu, decidira de uma hora para outra, como era de seu costume, visitar os meus avós maternos que viviam no sul deste país, e por aquela parte, o clima era dez vezes mais congelante donde eu morava, e melhor de tudo, lá nevava, e eu rezava muito para que assim que nos chegássemos logo me deparasse com os flocos macios caindo sobre minha cabeça. Tinha um grande sonho em fazer anjos na neve, guerra de bolinhas e o meu preferido, bonecos de neve.

Sendo assim, partimos logo quando minha mãe arrumara as malas. Era um dia de domingo. Alugamos um carro, e caíamos em alta estrada. Minha mãe, Denise, tinha uma beleza exuberante, que vinha desde sua adolescência, e não parecia que ela tinha toda aquela idade adulta. Seus cabelos eram ruivos, porém, tinha mechas castanhas nas pontas, que a deixava perfeitamente bela para com seus olhos azuis.

Depois de horas e mais horas de viajem, alugamos um quarto em um hotel chamado Os Castanheiros. Nosso quarto tinha uma pequena televisão, um pequeno frigobar e um banheiro ao lado. Passamos somente aquela noite para voltar a ativo ás seis em ponto da manhã, pois assim que meu pai gostava das coisas, e não valia a pena reclamar com ele, isto o deixava irritado. Então assenti com a cabeça e voltei-me o mais cedo possível para cama, até que o sol da janela se pôs sobre o meu rosto. Eu tinha acordado mais cedo, e meus pais, ainda na cama de casa ao lado, ressonavam sem parar, enquanto o alarme os despertou, e todos num instante puseram as roupas e arrumaram de novo as malas.

Eu dormi (de novo) quase a viajem inteira, pelo o que eu me lembre. Fui acordado pela mão de minha mãe, me remexendo sem parar, enquanto despertava de um sono sem sonhos.

- Vamos Jonathan. Chegamos. Ajude seu pai com as malas de trás, que eu ajudo com as da frente. 

Por esquecimento meu, minha mãe naquela época, estava grávida de oito meses, e era uma irmãzinha que eu esperava. Portanto, ela não podia carregar qualquer peso que a possibilitasse em carregar. Fiz o favor como um cavalheiro, e a ajudei com todas as malas e curvei-me para fora do carro.

A neve começava a cair sobre meus lábios, e eu pude senti-la escorregar pela minha pele. Era uma sensação que eu nunca havia sentido antes. Naquele ano, eu tinha entre 12-13 anos de idade; no entanto, senti que aquilo realmente havia mudado minha vida, de poder sentir a gélida neve caindo em meus lábios.

Minha avó, Melissa, veio em primeiro. Deu-me um carinhoso abraço, e apertou minhas bochechas até elas parecerem cascas de maça. Seus cabelos eram brancos como aquela neve, e os olhos azuis como os da minha mãe. Tinha uma pele macia e cheirava a sabão. Estava vestida com um lindo vestido azul marinho, e parecia que estava há muito por nossa espera.

Meu avô; isto é, Armando, vinha lentamente logo atrás, segurando uma bengala, que pelo seu punho, pude notar uma cruz dourada. Meu avô usava óculos redondos, uma boina verde e um paletó bem passado com listras azuis e vermelhas. Também tinha uma pele muito clara, e seus cabelos estavam passando do loiro para o branco. Aparentava ter oitenta, mais dizia ter sessenta.

Levei as malas junto com o meu pai, enquanto minha mãe ia logo á frente, conversando com minha avó que a segurava pelo braço.

Estava frio demais, então meu avô ascendeu à chaminé, enquanto meus pais contavam sobre suas viagens e assuntos que nem um pouco me interessavam.

Pela janela, avistei ao longe, perto de uma floresta densa, um boneco de neve incompleto, que por estar ali, alguém em súbita consciência o construiu e por algum motivo não o terminou.

Meu avô percebera meu interesse pelo boneco de neve, que eu via atentamente pela janela fora.

Ele se aproximou de mim e cochichou em meu ouvido, enquanto colocava sua estranha bengala de lado.

- Eu não iria lá se fosse você. – Disse ele com sua voz rouca causada pelo frio – Se é para se estar incompleto, é porque se deve estar incompleto.

Aquilo entrou na minha cabeça, e nunca desejei esquecer tanto o que ele me disse.

De noite, depois de jantarmos, decidimos dormir, enquanto minha avó arrumara alguns colchões e bons lençóis.

Eu deitado no meio dos meus pais, enquanto a barriga de minha mãe me acomodava atrás. Meu pai estava roncando rudemente sem parar em meu rosto, e isto tudo fez com que eu ficasse acordado, rodeando com uma lanterna a casa para cima e para baixo como um zumbi sem destino.

Aquele gume de neve ainda estava lá fora, há uns 6 metros mais ou menos donde eu estava logo enfrente da mata obscura e fechada.

Aproximei-me dele em pequenos passos rastejantes, enquanto um frio mortal raspava pelas minhas pernas. Ele só tinha as três bolas de neve uma sobre a outra.

Arrumei dois galhos que mais se pareciam com braços, e coloquei firmemente sobre ele. Achei por sorte, um ninho de pinheiro, onde utilizei para os olhos. Voltei até a casa e roubei no cabide da minha avó, um chapéu vermelho, e um cachecol verde que era de meu avô.

Estava quase pronto, até que… Lá estava ele, completo. Estava mais aliviado comigo mesmo, tudo estava bem. Dei as costas o boneco, mais um toque sombrio havia caído sobre meu ombro. Pensei que o galho que tinha utilizado para o braço havia despencado por acidente, mais foi apenas o inicio do horror dessa parte história.

Um poder sobrenatural tomou a forma de um boneco de neve. Ele jogou-me de cara com a neve e correu em direção a casa. Tentei persegui-lo mais meu corpo estava preso ao gelo.

Eu ouvi gritos apavorantes, vindos do quarto e da sala. O que ele estava fazendo?

Ouvi gritos vindos da minha mãe e de meu pai. Era surreal. Meus avos também gritavam, e só queria poder correr e ajuda-los dessa ameaça. Depois, o boneco ensopado de sangue, saiu da casa, rastejando até a floresta que existia em volta.

Finalmente, senti uma leveza em meu corpo, e já podia levantar. Corri mais do que podia até a casa. Meu coração acelerava até fazerem uma de minhas veias estourarem. A pulsação era demais naquele momento. Antes de entrar na sala, eu só podia escutar o silêncio do meu próprio corpo, num forte som agudo e irritante.

Uma lastra de sangue percorria do quarto até a sala, da sala até o quarto. Enquanto eu me encurvava para visualizar o que tinha dentro, uma mão começou a balançar meu ombro direito. Eu me virei, e estava eu lá, dentro do carro mais uma vez, enquanto minha mãe virada para mim disse:

- Vamos Jonathan. Chegamos. Ajude seu pai com as malas de trás, que eu ajudo com as da frente. 

  1. Carlos Eugenio

    22 de julho de 2015 em 11:49

    muito legal,abordando os bonecos de neves,que acho muito interessante!!!

  2. Dark J

    20 de novembro de 2013 em 11:10

    FINALMENTE FIZERAM UM BONECO DE NEVE SER O ASSASSINO!!!!! OS BONECOS DE NEVE AINDA VÃO DOMINAR O MUNDO IDOTAS!!! ACEITEM ISSO!!!!!! MWAHAHAHAHAHAHA!!!!!!

  3. Li Syaoran

    20 de novembro de 2013 em 09:32

    Excelente conto, só acho que o final acabou ficando meio desconexo com o tom de perigo do início.

  4. Garota Infernal

    20 de novembro de 2013 em 03:54

    Muito interessante e , posso estar errada, mas lendo o conto, no começo, vi uns traços do estilo de escrita do autor de Lolita,Vladimir Nabokov. Eu senti uma riqueza de detalhes, não sei, o jeito que seu personagem falava me lembra muito Humbert H. Gostei bastante da história, da ideia dela, e do fato(eu acho) de mostrar as pessoas que as vezes n[os “vemos coisas” que não existem. Gostei da argumentação do personagem, ele parece ser o tipo de pessoa que eu queria conhecer, e isso quer dizer que o personagem mesmo neste conto curto trouxe-me uma pitada de realismo.
    Prós: Jogo de palavras bastante interessante e história interessante também.
    Contras: Não é bem um contra, mas , eu acho que deveria ter aproveitado mais a argumentação do personagem, deveria ter nos dado a chance de pelo menos mais um parágrafo sabendo o que há dentro da cabeça dele, mais sobre o que ele pensa sore o sobrenatural.
    Nota: 9,7
    Conto novo…
    [img]http://3.bp.blogspot.com/-C0L-viEBHiU/UoxKzK5zi9I/AAAAAAAAAGk/Fx4EUZ6n68Q/s1600/7uaxraeh.png[/img]
    http://contosocontadordehistorias.blogspot.com.br/2013/11/cancerigena.html
    Cancerígena
    Uma jovem com leucemia vê seu tempo de vida e juventude escorrer pelas suas mãos sem que ela possa fazer nada. Ela então, começa a procurar por sua libertação. (conto curto)

  5. O Segurança Doidão

    20 de novembro de 2013 em 03:10

    Se a uma coisa que aprendi com contos de terror e que quando o escritor manda você não ler e melhor você manter distancia, não li o conto

  6. Luís Felipe

    20 de novembro de 2013 em 02:22

    É. N li, mas deixo aq meu comentário. Obrigado por lê-lo.

  7. Litzen Vampiro

    20 de novembro de 2013 em 01:33

    Muito bem narrado, só que o final foi rápido demais, podia te-lô desenvolvido mais,ficaria mais interessante…

  8. Sawyer

    20 de novembro de 2013 em 00:33

    O conto foi bom, até consegui me imaginar
    Nele, e a narração muito boa, ate imagino
    Como São os personagens, parabéns.
    Só achei assim
    Começo: bem narrado
    Meio: bem narrado
    Fim: mal narrado (parece q vc correu d mais ai)

  9. Rodrigo Duarte

    19 de novembro de 2013 em 23:54

    Depois de tudo isso o menino devia ter visto realmente o boneco de neve incompleto, além de ter recebido a mesma recomendação do avô, o deixando perturbado, à noite insone ele devia escutar uma voz dizendo: “Me complete! Me complete!” depois de tentar acordar os pais em vão, num rompante de raiva ele devia ir ao boneco e o destruir, ofegante devia voltar à casa e lá se deparar com a seguinte cena… Pára de estragar o post dos outros, quer escrever um conto, então crie o seu!… Ré, ré eu me empolguei…

  10. Terrorista

    19 de novembro de 2013 em 22:16

    Eu nem leio esses contos, a maioria é tudo ruim mesmo.

    • Um qualquer

      20 de novembro de 2013 em 09:03

      Então porque está aqui? Ah, já sei, para não perder o posto de mais infantil do minilua né?

  11. Lucas Rodrigues

    19 de novembro de 2013 em 21:57

    Achei que fosse de terror. Mas foi interessante o ritmo da história. Muito suspense e mistério, dois elementos bem inseridos na narrativa. O final foi agradável, mas não foi surpreendente.
    Nota: 8,0 – Bom 🙂

  12. Estudante

    19 de novembro de 2013 em 21:48

    gnt
    esse conto tem mais erros ortograficos q a redaçao do enem da empregada da minha tia
    tao lixo q o jeff nem teve coragem de colocar tela preta
    boneco de tres bolas ne,um tremendo viadao isso sim

    • Jeff Dantas

      19 de novembro de 2013 em 21:55

      Magina, não pense assim.. O que eu não posso, eh alterar toda a estrutura do texto.. Por exemplo, alterando termos, palavras.. Aliás, quando eu fazia, todo mundo reclamava.. Incluindo os leitores… 🙂

      • Estudante

        19 de novembro de 2013 em 21:58

        na minha opiniao
        a melhor parte do conto foi:
        ”Minha mãe, Denise, tinha uma beleza exuberante, que vinha desde sua adolescência, e não parecia que ela tinha toda aquela idade adulta. Seus cabelos eram ruivos, porem, tinha mexias castanha nas pontas, que a deixava perfeitamente bela para com seus olhos azuis.”
        se minha mae fosse assim eu seria édipo
        zoa

        • Jeff Dantas

          19 de novembro de 2013 em 22:46

          Ufa, consegui terminar! Agora sim, totalmente corrigido.. 🙂

        • Jeff Dantas

          19 de novembro de 2013 em 22:10

          Ai, que raiva..Eu tinha feito a correção.. Pera aí, deixa eu arrumar novamente… 🙂

    • Lucas Rodrigues

      19 de novembro de 2013 em 21:54

      Desculpa eu tá te perguntando Jeff, mas a segunda parte do Ceifador ainda vai ser postada esse ano?

  13. Gabresto

    19 de novembro de 2013 em 21:46

    A imagem do conto é muito boa, só a imagem.

    • Lucas Rodrigues

      19 de novembro de 2013 em 22:01

      Eu achei um tanto perturbadora.

      • Gabresto

        19 de novembro de 2013 em 22:05

        Assim que é bom xD

  14. PATROCINADOR de madeira

    19 de novembro de 2013 em 21:39

    NÃO QUERO COMENTAR TEXTOS ENORMES SOBRE HISTÓRIAS EMOCIONANTES
    NA FRENTE DOS NOVATOS RETARDADOS, FLW

    • Lucas Rodrigues

      19 de novembro de 2013 em 22:31

      [img]http://4.bp.blogspot.com/-eW0SnQq3SE4/UWQmAalFRhI/AAAAAAAAF2o/pA7XDFHGW4U/s640/gif_risada.gif[/img]

    • Lucas D

      19 de novembro de 2013 em 21:52

      Ta muito exaltado Quinta-feira, se acalma que logo a Sexta chega pra te fazer relaxar.

25 Comentários
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