Contos Minilua: O último adeus #229

Sim, suspense, mistério, terror, enfim! Todos eles são aceitos. Se preferir, encaminhe desenhos, matérias ou contos. O e-ma de contato: [email protected]! A todos, uma excelente leitura!




O último adeus




Por: Suelen Sales

Olá, cara!

Eu não sei bem como escrever isso, já que essa coisa de cartas é pra humanos, mas eu queria que você soubesse que eu não vou te esquecer. Eu sei, improvável, mas eu quero te deixar com a certeza disso.

No momento em que você estiver lendo isso, eu provavelmente vou estar correndo atrás de carros, ou rasgando sofás e mijando nas plantas que tem por aqui. Só que eu sempre vou sentir saudade do seu sofá, e das suas plantas. Eu te deixei bravo as vezes, não é?

Mas não fique triste, eu estou feliz agora.  Se lembra do primeiro dia em que nos vimos? Foi paixão à primeira vista, não é? Na verdade não foi, eu sei, você não ia me escolher, você queria o fhote com cara de bonzinho ali do nada. Mas aconteceu uns imprevistos, e lá estava eu, destruindo seus chinelos e rasgando suas almofadas.

Eu sentia tanta saudade quando você saia. Lembra quando você chegava quase chorando e me abraçava? Eu me sentia tão feliz! Ou quando nós fomos ao parque, você me levou pra passear e jogou aquela bolinha amarela pra mim. Eu nunca vi sentido nessa de ter que ir pegar ela depois que eu te devolvia, parece que perdia ela de propósito! Mas você ficava tão feliz quando eu voltava com ela, que todo esse cansaço valia tão a pena!

Ou quando você me apresentou aquela garota, eu não queria mesmo fazer xixi na bolsa dela. Mas eu estava apertado, e você não me deixava sair! E depois ela te fez me levar naquele lugar horrível, eu jurava que a gente ia pra pracinha!  Eu queria me desculpar por todas as meias, travesseiros, lençóis, comidas, cocôs em lugares indesejados e todas as minhas fugas. Nós também precisamos de momentos de paz, sabia? Mas eu não queria te deixar magoado, só precisava de uma folguinha. Mas eu voltei, lembra? Eu jurei que ia voltar!

Obrigado por ter me aguentado quando os trovões eram fortes demais, ou quando aqueles foguetes me deixavam com medo e eu mijava embaixo da sua cama. Obrigado por me desculpar quando eu pulei na sua mãe, mas ela estava tão tristinha.. eu só queria animá-la. Eu também agradeço por todos os brinquedos que você me comprou, por toda a comida. E eu espero que você tenha me perdoado quando peguei aquela carne, mas eu tava com tanta fome.

Eu sei que nos últimos dias eu não te deixei dormir, que você chorou e ficou preocupado comigo. Mas já foram 16 anos. Eu vi seu primeiro beijo, vi você sair de casa e só me levar junto depois dos seus pais não me aguentarem mais chorando a noite (elas eram tão escuras sem você), eu vi você tirar seu primeiro zero e me implorar pra comer teu trabalho. (Desculpa, eu não gosto de papel)

Eu só queria dizer que amo você, chefe.

E aqui eu tenho muitos potes de bife, ossinhos de frango e postes para uma vida toda. Se eu te deixei triste, desculpe por isso. Mas eu precisava deixar esse recado com você, pra você saber que eu me lembro até da primeira vareta que tu me jogou. Pra saber que me lembro até da primeira bronca que eu recebi, e do meu primeiro abraço.

Obrigado por tudo, chefe.

Bly.

“Esse conto é uma pequena homenagem ao meu cãozinho, que acabou falecendo ontem a noite. Foi a única forma que encontrei de revivê-lo para sempre, aqui, perto de mim. E espero que muitos se identifiquem, as vezes eles chegam por acaso, mas ficam pra sempre.

Dedico à todos os Bly’s e a todos esses donos, que sofreram e choraram com seus bichinhos.”

  1. Lorença Ventorim

    5 de fevereiro de 2015 em 02:06

    Chorei!

  2. Ricardo Cerqueira

    26 de janeiro de 2015 em 14:53

    eu estou no ambiente de trabalho, segurando as lagrimas

  3. Anderson Alves

    22 de janeiro de 2015 em 23:17

    Sinto saudades dos chinelos destruídos

  4. Blue

    22 de janeiro de 2015 em 22:37

    Esses inúteis que ficam dizendo “ela não gosta de mim, vou me matar” não conhecem o valor da vida, não sabem o que é sofrer de verdade, a morte de alguém querido é triste, muito triste, algumas situações não possuem solução, mas o que não daríamos para passar mais um dia com quem amamos? espero não morrer cedo, mas também não quero sofrer, é melhor deixar uma pessoa que você ama descansar, o sofrimento já é demais, todo mundo ali está sofrendo, então só tire tudo da tomada e diga um último tchau, se você realmente ama aquele ser, então deixe-o ir, no momento é triste, mas lembre-se, há um arco-íris depois da chuva, não viva em luto sua vida inteira, aquela pessoa ou animal querido preferiria que você vivesse feliz, então pare de chorar e vá ser feliz, seja feliz pelo ser querido você ama que não está mais aqui. eu só espero que exista algo bom após a morte. Que os deuses me deem uma boa vida após a morte.

  5. Wagner

    22 de janeiro de 2015 em 21:30

    Uma das maiores preocupações da minha vida é como vou ficar sem minhas cachorras (sem besteiras, por favor).
    A mais velha, chamada Cristal (sim, o nome da protagonista da novela Estrela Guia que já passou na Globo com a Sandy rsrss), está com 12 anos e é mistura de pinscher com pequinês . Apresenta graves sinais de surdez, só me escuta quando grito com ela e o faro da coitada não é la dos bons, mas a vista dela tá legal ainda. Ela não tinha nem uma semana de vida quando veio aqui pra casa, pois os donos da mãe estavam de mudança e não poderiam levar os cachorros, então meu pai trouxe ela pra casa. Quando ela tinha mais ou menos um ano de idade, não fazia mais nada. Não comia, não andava e nem sequer latia e além disso ela estava muito, mas muito fria. Já estava entrando em desespero quando pensava em ficar sem ela. Por motivos financeiros, nunca a levei em nenhum veterinário. O vizinho que trabalha em casa de ração trouxe uma injeção e na mesma hora que aplicou nela, voltou completamente ao normal. Começou a pular, brincar e foi direto comer. Foi como se ela tivesse renascido pra mim. Ela já criou três vezes, oito cachorros no total. Apenas um da primeira cria que sobreviveu e cego de um olho. O nome dele era Simba. O nome foi porque não sei quem levantou ele igual da cena do Rei Leão e o primo da minha vizinha deu essa ideia. Quando ele tinha mais de ano, minha mãe disse que eu tinha que dar ele, já que eu já tinha o pai dele e cães machos são meio que mais porcos que as fêmeas. A menina pra quem dei ele trocou o nome dele pra Pastel ._.
    O pai dele, chamado Nico (sei lá o motivo, mas achei legal na hora) ficou uns cinco anos comigo, até minha mãe dar ele quando eu estava na escola. Ele era meio porquinho, mas adorava ele mesmo assim. Ele jogava bola na rua com o povo aqui e buscava a bola de tênis que eu jogava.
    E um mês depois arranjei a Miguinha (que fique claro que foi meu pai quem deu esse nome pra ela). Faz 7 anos daqui 3 semanas e ela é mistura de pastor alemão com… tan tan tan… Com pinscher. Sim eu sei, é meio difícil de acreditar mesmo. Mas de onde eu peguei ela a casa era bem fechada e a mãe dela, que é pastora, tinha medo de rua. Então só sobrava o pinscher que tinha na casa né. Tanto que ela parece uma mini pastora heueheuheue. Ela já é meio velha, mas é meio louca. Meio não, completamente louca. Parece criança, não pode ver o povo daqui de casa que sai pulando em todo mundo. Ela jogava bola também, mas meu irmão deu uma bolada na fuça dela sem querer que ela não joga mais. Como alguns sabem, ela tem muito, mas muito medo de fogos de artificio, bombinha e dessas coisas em geral. Tanto que ela pula o portão do quintal delas ou passa numa greta minúscula. Passando numa dessa gretas, uma vez ela ficou presa pela pata traseira quando foi pular, então até hoje ela tem essa pata torta (a qual ela manca quando dou bronca nela, aquela safada).
    [i]Mas nossa, que texto imenso, maior que o post HUUUR DUUUR[/i]. Pronto, já fiz o seu papel de retardado caso viesse falar isso.
    Escrevi esse tanto pra mostrar o quanto sou apegado nessas criaturas que com nenhuma palavra, consegue alegrar meu dia,
    Ah, elas adoram picolé também, mas evito dar porque elas brigam uma com a outra ._.
    E ótimo post.

  6. Little Uchiha™

    22 de janeiro de 2015 em 20:54

    Meu cão tbm morreu pouco depois do ano novo, mas eu nao chorei porque eu já estava de luto com ele vivo, já estava conformado, já havia chorado muito. Foram alguns anos acompanhado pelas malditas convulsões, chegando ao ponto de eu pedir pra Deus levar ele, pq sacrificar eu não conseguiria.
    O remédio deixava ele a maior parte do tempo deitado.
    Lembro quando ele era mais jovem, quando eu chegava de algum lugar ele vinha no portão mordia minha mao grudava e acompanhava até a porta, um doce de pitbull q era muito carinhoso com todos em casa mas bem impaciente com cães de rua, nunca descobri se ele morderia uma pessoa.
    Enfim, talvez ele tenha dado azar em ter ficado comigo, não pude tratar a doença dele e nem protegê-lo de alguns perigos mas ele. Sabia q eu adorava ele, chegando ao ponto de literalmente bota-lo pra dormir, ele tinha uma mania de ficar ganindo e só dormia quando eu ficava com ele, às vezes isso me irritava.
    Quando os dois cães q restaram se forem eu não vou mais se afeiçoar a cão nenhum.

  7. Romulo Augusto

    22 de janeiro de 2015 em 18:00

    Ninjas estão cortando cebolas aqui perto……

  8. Lucas Rodrigues

    22 de janeiro de 2015 em 17:19

    Na ausência de pessoas confiáveis, um cão seria bem-vindo nesse momento…
    Ótimo conto.

  9. TKD kyosanim

    22 de janeiro de 2015 em 15:11

    [img]http://forgifs.com/gallery/d/167469-6/Tortoise-bites-dog.gif[/img]

    Gostei !
    I love dogs…
    =)

    • Daniel Champoski

      22 de janeiro de 2015 em 16:10

      oh shit… essa doeu em mim…

  10. Anne

    22 de janeiro de 2015 em 14:58

    É um saco quando vc tem um animal, cria vínculos cordiais, se apega ao bichinho e o amaldiçoado do seu vizinho coloca veneno pra ele morrer.
    O pior é que vc não pode provar que desgraçado que odeia gatos foi quem envenenou seu pobre animal.

    • Suelen Sales

      25 de janeiro de 2015 em 20:19

      Exatamente!

  11. André Silva

    22 de janeiro de 2015 em 14:48

    Muito bom o conto, espero que meus bichinhos não morram tão cedo, ficaria arrasado! eu tenho 3: um cachorro (Bob), uma tartaruga (Tartaruga) e um porquinho-da-índia (Fido). O meu maior medo é com o cachorro, ele já tá com 7 anos, tenho ele desde que nasceu, nem sei como será quando ele morrer.

    • chapolim do mal

      22 de janeiro de 2015 em 15:41

      Eu tenho 3, uma é tecnicamente da minha mãe, a mais velha tem 9, o do meio 5, e o caçula eu ganhei ano passado da de 9 anos, tinha outros filhotes só que eu só pude ficar com um, e ainda tenho muito tempo com eles, não vou me preocupar com isso, quando acontecer eu não posso fazer nada.

  12. Francisco Sam

    22 de janeiro de 2015 em 14:44

    maldito suor masculino escorrendo dos meus olhos.

  13. chapolim do mal

    22 de janeiro de 2015 em 14:37

    Quase chorei aqui, nem me lembro a última vez que isso aconteceu, eu me tornei uma pessoa fria com o tempo, a morte não me causa mais temor e nem luto mas não aguentaria ver um de meus cachorros sofrerem, aquele choro a noite que causa dor no animal e no dono animal, não aguentaria vê-los mais um dia uivando(chorando), no final a morte de quem sofre parece ser a menos pior saída mas apenas para problemas graves e não separações de adolescentes, enfim, se me verem sofrer numa cama de hospital faça como eu faria, acabe com tudo.

  14. larissa

    22 de janeiro de 2015 em 14:07

    [img]http://postimg.org/image/t4niutvon/[/img]
    http://postimg.org/image/wobuko7u3/

    Aiii gente… não faz isso que minha mamaezinha fica triste,com medo de me perder também …

    • TKD kyosanim

      22 de janeiro de 2015 em 15:04

      [img]http://weknowmemes.com/wp-content/uploads/2012/02/penis-dog.jpg[/img]

      so cute !
      =)

      • larissa

        22 de janeiro de 2015 em 15:40

        kkkkk bobinho 🙂

  15. Ana Vitória Almeida da Sliva

    22 de janeiro de 2015 em 14:06

    Comevente.;(

  16. Caciano Genz

    22 de janeiro de 2015 em 13:48

    Cucamonga!
    muito bom o conto, mas eu não curto muito contos desse tipo..

  17. Vinicius Passos

    22 de janeiro de 2015 em 13:47

    Que lindo. Animais sempre nos emocionam, criamos um vínculo tão profundo com eles, gatos, cães, uma fase, que belo.
    No início pensei q se tratasse de algo parecido com o filme Fluke, outro filme lindo q me fez chorar.

  18. Sabrina

    22 de janeiro de 2015 em 13:43

    O que tem geralmente 20 e poucos centímetros, é duro e faz uma pessoa gritar durante a noite?
    Um cachorro morto.

    • TKD kyosanim

      22 de janeiro de 2015 em 15:07

      [img]https://p.gr-assets.com/540×540/fit/hostedimages/1385992192/7270327.gif[/img]

      • Gameplay_ Kid

        12 de maio de 2015 em 16:28

        Pior q fez todo o sentido!
        Kkkkkkkkkkkkk

    • chapolim do mal

      22 de janeiro de 2015 em 14:31

      Uma mulher recebendo um cartão de crédito ilimitado.

27 Comentários
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