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Contos Minilua: Paranoia #43

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                                                     Paranoia

Por: Carol Costa

Ele chegou em casa cansado, depois de mais um dia de trabalho exaustivo na loja de ferramentas. As luzes estavam todas apagadas, mas ele percebeu um movimento dentro da casa. Procurou mentalmente sobre alguma lembrança, ligação ou algo que lhe dissesse que alguém – um de seus filhos ou a ex-mulher – estaria ali naquela noite. Não estavam. Eles haviam viajado para a casa de parentes, na zona rural.

Ele havia se aposentado mais cedo e mudado de nome e identidade… Mas eles o encontraram. Ele devia estar sozinho aquela noite, alguém soube e veio matá-lo. Ele não pensou duas vezes. Voltou à garagem e abriu o compartimento secreto. Ele a guardava ali, em segurança, caso precisasse. Não achou que seria aquele final de semana…

Voltou para a porta da frente. Dessa vez ele podia ouvir alguém conversar baixinho.

“Estou ferrado. Vieram muitos…”.

Resolveu fazer o que seu instinto de mafioso aposentado mandava, afinal. Metralhou a casa toda, com a arma que havia buscado. Não havia outra opção, se era uma emboscada para matá-lo.

Depois de um minuto inteiro descarregando toda sua munição, abriu a porta devagar. A fumaça das lâmpadas estouradas ainda enchia o ambiente. Estava escuro…

Mas de repente a luz de emergência se acendeu e ele pode ver…

Dezenas de corpos no chão… Todos pertenciam a membros da sua família… Na parede, um cartaz meio detonado:

“FELIZ ANIVERSÁRIO, PAPAI”.

De repente ele entendeu. E não havia mais nada a fazer. Apontou para a própria cabeça e disse:

“Eu disse que não gostava de surpresas… Me desculpem”

Foram suas últimas palavras.