Contos Minilua: Um simples Oi #235

E mais uma vez, lembramos que todos os temas são aceitos. O mais importante, claro, a sua participação. E-mail de contato: [email protected]! A todos, uma excelente leitura!




Um simples Oi




Por: Bruno Barros

Era noite de natal na casa dos Medeiros. E como comumente se pensa de um dia como este, a casa estava empestada de artefatos luminosos. Na sala, uma grande árvore de natal ostentava enfeites de diversos tipos e emanava luz à um ritmo determinado. Havia pessoas por todos os lugares: fora de casa, onde os convidados podiam conversar sobre temas não apropriados para uma festa natalina; na cozinha, onde diversas mulheres preparavam a ceia enquanto conversavam; na sala, onde se encontravam a maioria dos convidados jogando conversa fora e contando as mais diversas histórias que lhes ocorreram.

Num canto, afastado de todos, estava Yago. O garoto prestava atenção na conversa daqueles homens. Achava as interessante, ria baixinho quando se tratava de uma piada. Se emocionava com os dramas passados por aquelas pessoas. Desejava poder estar sentado com eles. Mais ainda: desejava ter o que falar com eles. No entanto, era uma tarefa fora de cogitação. Se o fizesse, logo os convidados começariam a fazer perguntas sobre sua vida (como sempre fazem), e isso os levariam à inevitável descoberta de sua estupidez. De sua pessoa patética.

Um covarde social.Isso o assustava. Preferia não ser notado do que expor sua vergonhosa identidade. Mas era uma espada de dois gumes. Ficar escondido em um lugar escuro não tornava as coisas mais fáceis. Era, talvez, até pior. Porque dói. E muito. Não é uma dor física, como se arrebentar no chão e em seguida passar pomadas para aliviar a dor.

Era uma dor que não tinha remédio. E perdurava por dias, semanas, mês, vida. Pensando nisso, Yago deixou de prestar atenção na conversa dos camaradas e passou a olhar para a porta. Esperando que ninguém a abrisse até a noite acabar.

Mirava a maçaneta ininterruptamente. Permaneceu assim por Deus sabe lá quanto tempo. Era sua forma de evasão à situações como essas. Se perder no infinito mundo mental, onde tudo é melhor e mais interessante que sua própria vida. Onde podemos ser qualquer coisa, podemos viver qualquer aventura com um grau de realismo sobrenatural.

Cuidado,Yago! Isto é uma coisa muito perigosa. Enquanto você vive uma ilusão, sua vida se vai aos poucos. Quando você menos esperar, já vai ser tarde demais, percebe que não viveu se não no imaginário. E não pense que tudo vai mudar de forma mágica, com uma situação inusitada. Se quer algo, se quer mudar algo ou a si mesmo, vá intervir! Ponto.

Neste momento entra, pela porta, uma jovem de cabelos cacheados, negros como o céu sem lua e olhos verdes como os de um felino selvagem. Os olhos da jovem fisgam os do garoto, que fica completamente sem ação.

Ela vestia um vestido bordado, longo e negro como os seus cabelos. Tinha uma beleza exorbitante. Seu olhar continha um sentido implícito, que Yago preferia não descobrir. Ela fica lá parada, olhando o como um animal preparando um movimento súbito. Alguma coisa queimava dentro dele, uma mistura de ansiedade com medo, com desejo de fuga, com vontade de atacar.

Não sabe o que fazer. Tem vontade de desviar o olhar, mas há algo naqueles olhos que o atraem como um buraco negro, ou melhor, um buraco verde. É quase torturante. De repente, a jovem liberta o pobre garoto de sua armadilha visual. Fecha a porta delicadamente e anda em direção à sala, onde os homens conversam livremente.

- Marlene, minha filha! - diz um dos homens na sala - Por que demorou tanto?
Já estava ficando preocupado.

- Estava me arrumando, pai. Além disso, tive de vir a pé. O carro não queria ligar.
- Esta é sua filha, Igor? - pergunta um homem de bigode denso, vestindo um blazer preto. - Você é muito linda para ser filha desse aí — abanou com a mão em um gesto de desprezo.

A garota deu um sorriso por educação.
- Sente-se, estávamos falando sobre aquele dia na chácara de sua mãe. Quando os garotos atearam fogo no cabelo de sua tia, Justina. A garota parecia não se divertir com o episódio. Yago se sentiu obrigado a observá-la.

Agora, à distância, se sentia mais confortável. Conforto que logo se extinguiu, pois a jovem voltou a mirá-lo. Seus olhares não eram nada amenos. Eram extremamente intimidadores, queriam dizer alguma coisa, ou melhor, gritavam alguma coisa. Toda vez que ela olhava para Yago, ele se sentia ameaçado e a falta de ar o atacava.

Algo dizia ao garoto para abordar aquela princesa negra. Algo dizia que os olhares dela não eram nada senão um chamado. Um pedido de socorro. Uma repreensão. Um desejo. Um pecado. Uma perdição.

Mas então surgia aquela voz em sua cabeça. Você espera que, depois de todo esse tempo escondido, vai chegar lá e conversar normalmente? Acha que não repararam no seu esconderijo? Acha que não sentem seu cheiro de medo? Acha que não vão lhe fazer vergonha? E o mais importante: acha mesmo que tem alguma chance com ela? Acha que…Ratifico, Yago.

A mente é uma coisa perigosa. É um instrumento traiçoeiro. Em um momento lhe oferece abrigo, noutro, lhe sabota. Lhe impede de progredir. Cria-lhe medos inexistentes. Cuidado! Uma palavra. - Contra argumentava ele. - Uma palavra. Um simples oi. Pelos menos isso!

A garota continuava a mirá-lo em intervalos regulares.Olhe para você, um perdedor. Escondido como um castrado! Os olhares dela são de puro nojo. Cada vez que te olha se sente mais enjoada. Em algum momento vai acabar vomitando sua estupidez.

- Uma palavra - sussurrava para si mesmo, tapando os ouvidos e batendo os pés num ritmo acelerado.- Uma palavra, uma palavra. Por favor! Levante-se, vá lá. Cumprimente-a.

Vá, vá, vá!

Não importava o quanto se esforçasse, era inútil. A mente o oprimia e inibia seus movimentos, mas o permitia olha-la. Permanecer naquela situação torturante. Fez um acordo com si próprio. Iria contar até três.

No três, iria até ela sem hesitar, ignorando quaisquer obstáculos futuros. Um, dois, três! Levantou-se de um salto, voou em direção à dama. Caminhou a largos passos para chegar o mais depressa possível. Pois a cada passo seu nervosismo aumentava mais e a tentação da desistência o enfadava.

- Oi - forçou-se a dizer. Os homens que ali conversavam se meteram em silêncio. A garota o olhava de baixo para cima com um sorriso inocente. Yago ofegava.

- Ah, Yago. Até que enfim apareceu, achava que não ia sair de seu quarto. - disse seu pai.
-  Yago, - apressou-se o homem ao lado - quero que conheça a minha filha, Marlene. Eu já devo ter te falado dela, não?

Marlene sorriu-lhe docilmente.
- Olá, Marlene.
- Olá, Yago?
- Não ligue para ele — falou o pai do garoto. — É um menino muito tímido. Marlene murmurou em concordância.

Por um momento o garoto sentiu raiva do pai por lhe entregar desse jeito. Se deu conta de que não podia demorar muito tempo ali. A qualquer momento alguém o iria convidar para sentar-se, e então seria tão queimado que nem as cinzas sobrariam para serem jogadas no mar. Chame-a para outro lugar, ande! Chame-a!

- Ah… Marlene - disse o garoto com a voz trêmula. Ela o fitou nos olhos, mas não de forma agressiva como há momentos atrás, mas como que esperando por algo. Yago hesitou um pouco, engoliu em seco, e continuou.

- Eh… prazer em te conhecer. Idiota, Idiota! Maldito, covarde! Desta vez o próprio Yago sentiu raiva e repugnância de si mesmo. Depois de tanto esforço para chegar até ela é assim que ele age? Talvez fosse mesmo um castrado, como dizia sua mente. Ainda assim, as vozes em sua cabeça continuavam a lhe reprimir mesmo depois de sabotar sua abordagem.

Não te disse? Uma pessoa como você não tem chance com uma garota como ela. Espere o vômito. Ele virá, sim, ele virá logo. Andou lentamente até o seu canto escuro. Concordando com o que sua voz interna dizia. Sentia uma dose de sentimentos opostos que o impediam de pensar. Ódio e alívio
eram os principais.

Ódio de si mesmo por não ter coragem para proferir uma simples frase. Alívio por agora estar livre da tentação de abordá-la. Finalmente vai poder esperar o fim da noite em seu lugar, observando. Ou em algum lugar de sua mente.

- Yago!
Ele parou imediatamente. Era a voz dela. Não pôde conter um sorriso de alegria
antes de virar em sua direção.

- Sim?
- Pode me mostrar onde fica o banheiro? Desde que cheguei estou apertada.
- Claro, venha comigo.

Ela ergueu-se da cadeira e o seguiu. Enquanto caminhavam até o banheiro Yago não falou nada. Nem sua voz interna. Por mais que tentasse achar algo para quebrar aquele silêncio atormentador, nada lhe vinha a mente. Ao se aproximarem do banheiro, Marlene parou, causando o mesmo efeito no garoto.

- Na verdade, eu não estou apertada. Só queria arranjar uma forma de sair da sala. As conversas deles são muito chatas. Yago não respondeu nada. Não achava que podia fazer melhor que aqueles homens, os quais conversavam o tempo todo. Ela o fitou por um instante.

- Olhe, você não tem nada legal por aí? O garoto ficou confuso, tentava decifrar a linguagem oculta daquela dama de negro.

- Tipo o quê?
Ela deu um passo em sua frente, outro, e encostou em seu corpo. O coração do rapaz deu um salto ao sentir os seios dela pressionados contra seu peito. A garota aproximou-se da sua orelha e sussurrou:

- O que você faria se eu estivesse nua agora? Coladinha em você? Yago arregalou os olhos. Não esperava por essa. O que ela estava falando? Ele nem a conhece direito. Deve estar bêbada. Melhor pensar em algo, rápido!

- Marlene — ele começou, ofegante -, não acho que esteja…
- Não me leve a mal, Yago — ela o interrompeu, ainda em seu ouvido. - Não durmo com qualquer um que aparece na minha frente, como você bem deve está pensando. Acha que nunca conheci caras como você na vida? A verdade é que posso ser considerada expert em curar esse tipo de… timidez, digamos.

Ele já suava frio.
- Caras como você são como carros velhos. Só precisam de um empurrãozinho e depois funcionam a todo vapor. Yago preferiu não processar a analogia. Ela desgruda do corpo dele.

-  Agora realmente preciso ir ao banheiro. Talvez você possa me ajudar a tirar a roupa. Ela entra no banheiro e fecha a porta. O garoto não sabe o que fazer. Suspira, respira fundo. Conta até dez. Esfrega o rosto nas mãos. Mas nada parece reduzir sua tremedeira.

Isso não está acontecendo. Como? Melhor ainda, por quê? Não, não. É algum engano, certeza. O pobre rapaz olha para cima e depois solta uma longa baforada. Dá um passo em direção a porta do banheiro, para. Verifica se não vem ninguém e entra de uma vez. Encontra Marlene bem à sua frente, esperando o, imóvel como uma estátua.

- Se quiser, venha pegar. Faz parte do tratamento. Pela primeira vez Yago sentiu possuir algum tipo de iniciativa. Avançou até ela e deu-lhe um beijo furioso. Os lábios delas eram quentes como um cobertor. Podia sentir o gosto de bala de limão em sua língua. Continuou beijando-a e arrastando - a para traz até ela se sentar na privada.

Depois foi em direção ao seu pescoço. Percebeu que a pele dela era mais macia e quente do que pensava. Desceu mais ainda, sem se apressar ou se preocupar com que alguém pudesse entrar no banheiro. De repente, já estava na região dos seios.

Marlene foi mais apressada. Levantou a saia e guiou Yago para área da perdição, fazendo o deleitar-se alí por vários minutos. Envolto de ligeiros gemidos, respiração aflita e afagos, o jovem só parou sua proeza quando Marlene começou a apresentar contrações involuntárias.

Após se recuperar do êxtase momentâneo, a própria dama negra atirou Yago no chão e o fez entrar nela. Ela não parou de cavalgar como uma cavaleira feroz até sentir as sementes do garoto dentro de si. Alguns minutos depois, ambos voltaram para a sala de mãos dadas. O jantar estava sendo servido e cheirava muito bem. Yago ainda não entendia como algo assim ocorreu. Mas tinha certeza de algo: muita coisa pode acontecer depois de proferir um simples “oi”.

  1. Carlos Henrique

    4 de abril de 2015 em 15:16

    ‘– Marlene — ele começou, ofegante -, não acho que esteja…
    – Não me leve a mal, Yago — ela o interrompeu, ainda em seu ouvido. – Não durmo com qualquer um que aparece na minha frente, como você bem deve está pensando. Acha que nunca conheci caras como você na vida? A verdade é que posso ser considerada expert em curar esse tipo de… timidez, digamos.

    Ele já suava frio.
    – Caras como você são como carros velhos. Só precisam de um empurrãozinho e depois funcionam a todo vapor. ‘
    Tó rindo pakas dessa parte :v

  2. Mutley

    15 de março de 2015 em 15:59

    ”Muita coisa pode acontecer depois de proferir um simples “oi”.”
    Quem dera se fosse assim , mas esse texto foi muito louco , eu pensei que iria ficar naquela chove e não molha sempre , ai a guria arrasta o garoto para o banheiro e começa altas sacanagens . Realmente ,comprovado mais uma vez que as ”santinhas” são as piores xD

  3. Caciano Genz

    7 de março de 2015 em 21:31

    Sociofobia é foda!!

  4. Cold

    7 de março de 2015 em 15:01

    [img]http://cdn.teckler.com/images/OdilonHonorato/2a71b70845154c5ee5eedf53ffc1a21d.jpg[/img]

  5. Little Uchiha™

    7 de março de 2015 em 14:11

    Resumindo: muita ansiedade, só quem tem sabe o q é.
    Se fosse em criminal minds o garoto iria a aulas de pegação, iria virar o don juan, ir atrás da. Primeira garota q o havia rejeitado, colocar ela de quatro, e ia colocar os intestinos da moça pra fora opor um tempo antes de matá-la.
    Eu só não gostei do final feliz Do conto, mas foi bom.

  6. Greengineer

    7 de março de 2015 em 00:38

    A mente é muito traiçoeira mesmo. Temos que ter cuidado para não ficarmos presos nela.

    • Jeff Dantas

      7 de março de 2015 em 03:11

      Né? Ainda mais, em situações como essa… 🙂 ^^

  7. Gabriel Ferreira

    6 de março de 2015 em 20:44

    ‘ Levantou a saia e guiou Yago para área da perdição, fazendo o deleitar-se alí por vários minutos. Envolto de ligeiros gemidos, respiração aflita e afagos, o jovem só parou sua proeza quando Marlene começou a apresentar contrações involuntárias.

    Após se recuperar do êxtase momentâneo, a própria dama negra atirou Yago no chão e o fez entrar nela. Ela não parou de cavalgar como uma cavaleira feroz até sentir as sementes do garoto dentro de si”
    parabéns bruno, essa parte foi eufórica, ri alto, principalmente na parte da área da perdição

  8. Blue

    6 de março de 2015 em 19:31

    [img]http://i1.kym-cdn.com/photos/images/original/000/353/279/e31.jpg[/img]

    • Junior Fodastico

      6 de março de 2015 em 19:58

      Caramba agora refletindo,estou ainda nesta mesma condição deplorável do Yago

  9. Jeff Dantas

    6 de março de 2015 em 18:48

    Heheh Confesso que eu era bem parecido com o Yago. Pior ainda, se me elogiassem…http://cdn.minilua.org/wp-content/uploads/2015/03/79f80c2b14614eff3be496c10f40caf9.jpg

    • Um qualquer

      7 de março de 2015 em 12:31

      É, eu era mais ou menos assim também.

12 Comentários
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