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Contos Minilua: A vida sem Internet #161

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A vida sem Internet

Por: Marcus Vinícius de Melo

Em certa cidade do Brasil, a vida fluía normalmente. As pessoas acordavam; comiam seus cafés da manhã; pagavam impostos; deixavam seus filhos na escola; pagavam impostos; iam para o trabalho; pagavam impostos; fingiam que trabalhavam, quando na verdade estavam na Internet; pagavam impostos; pegavam os filhos, na escola; pagavam impostos e de noite, ficavam na Internet para descansar antes de dormir.

Até que, em um certo dia, uma garota tentou comprar mais vidas, para seu “Sugar Crush”, mas não conseguiu. Um homem, foi assistir a um gordo atrapalhado se humilhando, no “TheyTube”, por coincidência ele também não conseguiu. Um garoto, resolveu assistir a vídeos pornô, misteriosamente não conseguiu. Por toda cidade, as pessoas tentavam acessar à internet, mas não conseguiam. Era como se, em toda a cidade, a Internet tivesse parado de funcionar. E de fato, ela tinha.

Durante, as primeiras semanas, as únicas consequências foram o aumento nas vendas de livros e revistas pornográficas -E, tenho certeza de que se alguns vendedores não se recusassem a vender as revistas, para menores de idade, o aumento de venda delas seria bem maior-. Mas, com passar dos meses, as coisas começaram a ficar estranhas, muito estranhas. As pessoas, começaram a enlouquecer; começaram a se afastarem da realidade; começaram a se sentirem vazias; começara a trazerem ao mundo real, a Internet.

Marta, entrou no carro, ligou o motor e começou a dirigi-lo. Estava ansiosa, tinha esperado a semana inteira para ter tempo para ir à Praça Pero Vaz de Caminha, recentemente apelidada de Praça Novo Facenote. No entanto, ela não contava com a enorme multidão, que estava parada no meio da rua. Decidiu que seria melhor ir a pé. Mas antes, queria saber o que estava acontecendo, naquele lugar. Ela estacionou, se aproximou da multidão e perguntou a um homem, o que estava acontecendo.

– Um bebê e um gato, estão dançando valsa. -Ele respondeu.
Marta, decidiu que precisava ver àquilo. Passou pela multidão, que discutia se aquilo infringia os direitos dos bebês ou/e se aquilo era real ou uma ilusão de ótica. Ela, conseguiu chegar à frente da multidão. E, era real. Enquanto algumas pessoas seguravam cartazes com logomarcas alheias, um bebê e um gato dançavam valsa no meio da multidão. Era incrível. Porém, depois de uns dez minutos, ela começou a se sentir entediada. E, continuou seu caminho até à Praça Novo Facenote. Dessa vez, a pé.

Não demorou muito, para ela chegar. Na verdade, ela soube que estava perto quando ouviu centenas de pessoas gritando. Não era possível saber o que exatamente as pessoas gritavam. Os “Vejam as minhas fotos, que eu tirei seminua”; “Em baile funk, zumbi passa fome”; “Ateísmo mata” e outras sábias frases, se misturavam formando um único som irreconhecível. Marta, não fez diferente, começou a gritar para chamar atenção.

– Deus não existe -Ela repetia o mais alto possível.
Até que, ela foi respondida.
-Você vai queimar no inferno, pelo ódio que carrega no coração – Gritou uma mulher.
Logo, as duas começaram a discutir. Com os mais diversos argumentos. “Você vai ter câncer”, “O mundo está assim por sua causa” e outras coisas do tipo. No final, as duas se sentiram cansadas e foram para casa. Enquanto estava indo para sua casa, Marta viu um homem entregando um importante aviso. Ela observou, prestando atenção em cada palavra. Aquilo era horrível, todos precisavam saber.

Decidiu, que iria avisar a todos sobre aquilo, no dia seguinte, quando voltasse à praça. Para ter certeza que não ia esquecer, ela anotou em um papel. “Tsunami irá chegar a Brasília, dentro de 9 dias”.