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Esquecer para não ficar louco

A maior parte de tudo que acontece com a gente costuma sumir de nossa memória em pouco tempo. As vezes, quando tentamos lembrar o que almoçamos ontem já é difícil e essa tarefa se torna impossível depois de uma ou duas semanas, mas esse esquecimento não ocorre ao acaso.

Muita memória

Sempre que ouvimos falar de uma pessoa com memória fotográfica, nós pensamos nisso como uma vantagem, porém não é bem assim. Imagine ter a capacidade de lembrar de cada acontecimento de sua vida, com um grande detalhamento. Isso pode ser até útil em alguns momentos, mas também é um enorme peso e tormento.

Jill Price é uma mulher nascida em 1965, que possui hyperthymesia, uma espécie de síndrome que lhe faz lembrar de quase todas as coisas que ocorreram em sua vida. Basta fazer uma pergunta sobre sua adolescência para a mulher contar tudo nos mínimos detalhes.

Mas esse problema, que muitos consideram um dom, é um martírio para a moça: “A maioria chama isso de dom, mas eu chamo de fardo. Eu corro toda a minha vida pela minha cabeça todos os dias e isso me deixa louca!”

Por que esquecemos?

Em pessoas normais, a memória tem um limite e acaba sumindo aos poucos. Isso ocorre por motivos evolutivos, para que o cérebro possa ficar eficiente e não enlouquecer os donos, como faz com Jill. 

Para entender como esquecer pode ser bom, basta pegar uma memória bem ruim, como a morte de algum ente querido ou uma grande sofrimento vivido. Imagine você pode reviver esse mesmo momento milhões de vezes em todos seus detalhes… Certamente é enlouquecedor. 

Agora, pela primeira vez, os cientistas da Universidade de Basel, na Suíça, descobriram a substância faz o cérebro esquecer. Essa proteína, chamada Musashi ou (msi-1), trabalha diretamente com as sinapses do cérebro, onde as informações são transmitidas de uma célula para outra. Com o tempo, essa substância vai eliminando memórias pouco importantes e deixando do cérebro saudável.

Isso tudo foi descoberto utilizando vermes como cobaias. Os cientistas suíços modificaram geneticamente os vermes, para que eles nascessem sem a geração dessa substância. O resultado final foram seres que possuíam muito mais memória do que os outros.

Os pesquisadores pretendem estender essa pesquisa para humanos, o que pode ajudar quem sofre com o Alzheimer, pois elas poderiam ter essa proteína “desligada” e manterem as memórias. E também pode se tornar uma alternativa para quem quiser melhorar sua memória no futuro.