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Fui! Bispo Edir Macedo burla justiça brasileira e deixa o país

O bispo Edir Macedo é alvo de uma ordem da justiça que determina que ele não deve deixar o país enquanto responde processo por lavagem de dinheiro. Edir Macedo e outros três integrantes da cúpula da IURD (João Batista Ramos da Silva, o presidente, Alba Maria Silva da Costa, a diretora financeira e o bispo Paulo Roberto Gomes da Conceição) estão respondendo por terem utilizado os serviços de uma casa de câmbio de São Paulo para enviar recursos de forma ilegal para os Estados Unidos, entre os anos de 1999 e 2005. Além disso, em 2005, Silva foi pego em flagrante com R$ 10 milhões em espécie em um jato da Universal no aeroporto de Brasília.

 

Fraude na compra da Rede Record

Para complicar ainda mais, em junho de 2012, a Polícia Federal encaminhou à Justiça Federal e ao Ministério Público um relatório no qual aponta para indícios de ilegalidade na aquisição da Rede Record pela Igreja Universal do Reino de Deus, negociação que aconteceu a cerca de 20 anos. Entre outras irregularidades, a PF investiga a prática de suposto crime de lavagem de dinheiro na transação, envolvendo 14 pessoas.

 

O assassinato de Waldir Abrão

Na denúncia de formação de quadrilha, o MPF usou informação do depoimento registrado em cartório por Waldir Abrão, ex-diretor da Universal e ex-vereador do Rio. Waldir declarou ter sido usado como “laranja” pela igreja em 20 operações de empréstimos fictícios que trouxeram dinheiro do exterior para a aquisição de uma TV de Goiânia (GO).

Abrão registrou uma declaração, de 23 páginas, onde contou em detalhes como entrou na igreja nos anos 70 pelas mãos do líder Edir Macedo, os métodos de arrecadação da igreja e a suposta falsificação de sua assinatura em inúmeros documentos.

Seis dias depois de lavrar a escritura, passo inicial de uma futura ação judicial por cobrança de débito, Waldir Abrão, de 81 anos, foi encontrado caído e com escoriações pelo corpo no corredor do prédio em que vivia, no Rio de Janeiro, em consequência de uma forte pancada na cabeça. Ele morreu de traumatismo craniano dois dias depois no hospital Souza Aguiar. Até hoje a polícia não descobriu o autor do crime.

 

O golpe de mestre

Em dezembro de 2012, no dia 19, a 2ª Vara Federal Criminal de São Paulo enviou ofício para a Polícia Federal do Aeroporto de Guarulhos (SP) comunicando que o religioso não poderia deixar o país enquanto estivesse respondendo o processo. Mas, no fim das contas, a justiça brasileira comeu poeira, pois o bispo foi mais rápido, e um dia antes se mudou para Portugal, onde vive desde então.

Macedo e sua esposa, Ester, possuem passaportes diplomáticos desde 2006, um passaporte especial, concedido pelo Itamaraty, que facilita a entrada e saída nos aeroportos internacionais e só deve ser emitido para atender a “interesse do país”.

Agora participando em cultos da Universal em Portugal, o bispo inclusive comentou, entre risadas, a notícia da revista americana Forbes de que é o pastor mais rico do Brasil, com patrimônio líquido avaliado em R$ 2 bilhões. “É mentira, porque eu sou o mais rico do mundo”, debochou.

 

Investigado nos EUA

Desta vez, o bispo preferiu não ir aos Estados Unidos, onde morava desde 2000, pois agora também está sendo investigado pela promotoria de lá devido às operações financeiras da Universal.

Especialmente depois da condenação de Regina da Silva (foto à direita), tesoureira da Igreja Universal nos Estados Unidos, por apresentar documentação falsa para obter 11 empréstimos hipotecários no total de US$ 22 milhões (R$ 38,8 milhões).

A Justiça americana costuma ser implacável com os lavadores de dinheiro, conforme sabem muito bem os pastores Estevam Hernandez e Sônia, sua mulher, da Igreja Renascer. Além de pagar multa de US$ 30 mil cada um, eles ficaram presos por 140 dias em Miami por ter entrado nos Estados Unidos com US$ 56 mil (R$ 99,9 mil) não declarados.

 

Teoricamente, o governo brasileiro poderia solicitar a extradição do bispo, ou mesmo, a exemplo do que aconteceu em Angola, encerrar as salas de culto, congelar as contas bancárias e penhorar os bens existentes no Brasil. O que você acha? Há chances de que isso possa acontecer?