Minilua

As grandes falácias modernas #2

Nós vivemos na Era da Informação e da liberdade de expressão, por isso muitos temas que antes eram “indiscutíveis” acabaram se tornando tema de acalorados debates. Porém muitas pessoas cometem falácias na hora de defenderem seus pontos de vista, algo que não deveria acontecer.

O que é uma falácia?

Muitas pessoas usam falácias diariamente, porém não sabem o que é isso. Uma falácia é um argumento “furado”, que parece fazer sentido, mas não faz. Por exemplo: O aquecimento global é uma mentira, pois o inverno nos EUA foi extremamente frio.

A princípio, isso parece fazer todo o sentido, porém é um argumento completamente errado. O fato de um ponto do planeta ter passado por um frio intenso, não invalida o aquecimento global, pois, como o próprio nome diz, estamos falando de algo que afeta todo o planeta e não apenas um lugar, no caso os EUA.

Existem diversos tipos de falácias, das mais simples, as mais elaboradas, por isso vamos conhecer algumas clássicas:

Argumentum ad verecundiam

Conhecido também como apelo a autoridade, o Argumentum ad verecundiam é um dos mais usados em discussões, pois ele parece ser um ótimo argumento, mas, na verdade, é uma grande furada.

Seu foco consiste em usar o nome de alguém famoso, importante ou inteligente para dar suporte a uma ideia. Um dos exemplos mais clássico de argumento é muito usado por mães e pais. Em algum momento, você deve ter ouvido: “Ele é vivido, sabe bem o que está falando.”

O fato de uma pessoa ter mais experiência, não torna sua resposta automaticamente correta. O mesmo ocorre com grandes mentes. É muito comum pessoas citarem Einstein em argumentos, como se tudo que ele tivesse dito na vida estivesse correto. Contudo, a opinião dele só é válida como autoridade em um assunto quando estamos falando de física e, mesmo assim, outras opiniões precisam ser levadas em conta.

Ainda existem outras variações desse argumento, muito usado em mesas de bar: “Eu ouvi que fulano falou”, ou “Uma pesquisa disse”. E quando essas pessoas são perguntadas sobre quem era o fulano e qual a fonte da pesquisa, elas ficam se resposta. Esse argumento é conhecido como apelo a autoridade desconhecida.

Complexo do pombo enxadrista

De repente você está discutindo com uma pessoa e ela fala: “Não quero mais saber, eu sei que estou certo e ponto.” Esse é o famoso pombo enxadrista. Esse tipo de argumento, nada mais é que uma pessoa que se cansa da discussão (onde ela normalmente está perdendo) e sai gritando que venceu, mesmo que seus argumentos sejam ruins ou não passem de falácias.

Essa expressão foi cunhada por Scott D. Weitzenhoffer, enquanto comentava o livro “Evolucionism Vs Creationism: An Introduction (Evolucionismo Vs Criacionismo: Uma introdução”. Em seu comentário, ele disse: “Debater com criacionistas sobre o tópico evolução é comparado a tentar jogar xadrez com um pombo – ele derruba as peças, defeca no tabuleiro e volta voando pro seu bando para cantar vitória.”

Ou seja, o ponto enxadrista é aquela pessoa que usa argumentos ruins ou idiotas e, mesmo assim, acha que está “ganhando”. E quando cansa de discutir, sai cantando vitória.

Inversão do ônus da prova

Essa falácia é clássica, principalmente em questões sobrenaturais. Quando uma pessoa faz uma afirmação, é seu dever provar o que está dizendo. Esse conceito é tão bom e simples, que é usado pela justiça em todo o mundo. Quando alguém é acusado de um crime, essa pessoa é considerada inocente até que se prove o contrário, pois quem acusou é quem tem a obrigação de provar sua acusação.

Digamos que alguém chegue em você na rua e fale: “Eu tenho um milhão de dólares no meu bolso.” A pergunta é: Quem deve provar que ele tem o dinheiro? Você ou ele, quem está contando a história. Obviamente ele, afinal a afirmação inicial não foi sua.

Esse argumento é muito usado por religiosos, que afirmam a existência de deuses. Como normalmente a única coisa que usam para suportar essa ideia é a fé, que é a falta de provas, eles tendem a dizer que os não crentes devem provar que os deuses não existem. Mas como a afirmação da existência de um ou mais deuses é uma premissa religiosa, quem realmente deve provar algo são eles, que fizeram a afirmação inicial.