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A história do mundo em 10 batalhas #3

Queira ou não, o homem é um animal feroz e violento, que ama mostrar seu poder através da força. No passado, o mais poderoso exército era sinônimo de poder e riqueza, por isso toda nação tinha um vasto poderio bélico. Essas forças de guerra moldaram o mundo e algumas grandes batalhas foram de extrema importância para a história, pois se tivessem tido resultados diferentes, o mundo que hoje conhecemos poderia ser muito distinto.

Batalha de Viena

O ano era 1683 e o cenário era a cidade de Viena, cercada pelos Otomanos. A guerra pelo domínio da Europa já tinha mais de 300 anos de história e o capítulo final dessa grande disputava estava por acontecer.

As lutas entre a Europa e o Oriente Médio se arrastavam por muito tempo, com pequenos períodos de paz, que pouco duravam. Essas batalhas também representavam a luta entre a religião islâmicas e a católica, algo que definiu quem era aliado de quem.

No ano de 1529, o Império Otomano fez a primeira investida contra a cidade de Viena. A tomada desse local era de extrema importância, devido a sua localização privilegiada. A cidade de Viena era ponto central de duas importantes rotas de comércio: A rota do Danúbio (entre o Mar Negro e Europa Ocidental) e a rota do Sul Europeu, que ligava o Mediterrâneo a Alemanha.

Apesar da derrota em 1529, os Otomanos nunca desistiram dessa empreitada. Durante 20 anos houve paz na região, mas, em 1681, as desavenças voltaram a crescer, devido, principalmente, as disputas religiosas e as lutas contra o Protestantismo e o Islamismo.

Com todas as tensões existentes, o Império Otomano começou a se preparar e, com a autorização de Mehmet IV, foi declarada guerra contra a Europa. Entre 21 de janeiro de 1682 e 6 de agosto do mesmo ano, o exército Otomano se preparou, mas desistiu de iniciar o cerco imediatamente, com medo de passar o inverno como sitiador, o que poderia causar sérios problemas.

Foi somente em 1683 que os Otomanos marcharam contra a cidade de Viena, porém, nesse meio tempo, os defensores, conhecidos como “Santa Liga”, haviam feito tratados de defesa mútua, ou seja, se algum deles fosse atacado, os outros deviam ajudá-los com tudo que pudessem.

No dia 14 de julho de 1683, depois de ter feito outras cidades menores reféns e ter assassinado seus cidadãos, os Otomanos bateram nas portas de Viena. Tendo apenas 16 mil soldados e 300 canhões para a defesa, contra 90 mil homens atacantes e o mesmo número de canhões, Ernst Rüdiger, que liderava Viena, não quis se entregar.

Com um número muito maior de homens, os Otomanos poderiam ter tomado a cidade, apesar de todas as fortificações. Só que o comandante deles preferiu o cerco, pois isso diminuiria o número de baixas, além de trazer uma cidade intacta para seu poder.

Só que a demora dos ataques fez com que houvesse tempo hábil para a Santa Liga se formar. Quando a cidade de Viena estava quase caindo, devido à falta de alimentos e o cansaço, o exército de salvação chegou, tomando as cidades próximas rapidamente.

A batalha final ocorreu as portas de Viena, com a Santa Liga esmagando os Otomanos. A luta resultou em mais de 15 mil mortos por parte dos invasores, além de 5 mil capturados. Essa derrota abriu espaço para o declínio do Império Otomano.

A vitória dos europeus foi de extrema importância para a história do mundo e também para a nossa. Caso os Otomanos tivessem vencido, você, provavelmente, leria o Corão e rezaria para Alá, em vez de Jesus. Pois, no final das contas, essa batalha foi quem decidiu qual seria a religião europeia da época, o que causa reflexos no mundo até hoje.