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O lendário Barão Vermelho

Seja na “Corrida Maluca”, seja em um outro desenho ou filme, você já deve ter ouvido falar de um tal de Barão Vermelho, mas porque será que ele ainda é tão lembrado e idolatrado?

O Barão

Manfred Albrecht Freiherr von Richthofen, conhecido como Barão Vermelho, nasceu em 1892, na Polônia, que, na época, fazia parte do Império Alemão. A família de Richthofen era abastada e por isso ele recebeu uma boa educação formal, enquanto passava o tempo cavalgando, além de praticar algumas modalidades de ginástica.

Quando a Primeira Guerra Mundial começou, Manfred foi fazer parte da cavalaria alemã, porém a luta em trincheiras transformou os cavaleiros em peças dispensáveis. Transferido para um pelotão responsável pelo abastecimento do exército, Richthofen ficou extremamente desapontado e enviou uma carta aos seus superiores: “Eu não vim a guerra para recolher o queijo e ovos, mas para outra finalidade.”

Sua atitude ousada lhe rendeu o que desejava. Em pouco tempo, ele estava sendo treinado para pilotar aviões de observação. Ainda em 1915, ele já fazia missões na Frente Oriental, onde se encontrava o Império Russo. Em uma das missões de observação, Manfred afirma ter derrubado um avião inimigo, mas, por falta de testemunhas e pelo ataque ter ocorrido em território inimigo, essa morte nunca foi reconhecida oficialmente.

No final de 1915, Manfred se encontrou com Oswald Boelcke, um dos primeiros pilotos a ganhar grande destaque no ares. Esse encontro garantiu a Richthofen uma vaga em um batalhão de combate. Em março de 1916, o futuro ás parecia que nunca chegaria a se tornar um bom piloto de caça. Em seu primeiro voo, Richthofen caiu com a aeronave. Mas um pouco de tempo foi o bastante para ele dominar a máquina.

Em agosto de 1916, após alguns meses fazendo ataques de bombardeio, Manfred foi deslocado para a Jagdstaffel 2, um esquadrão de batalha aérea. Em setembro, Richthofen já havia derrubado seu primeiro inimigo. Para cada avião que derrubava, ele mandava fazer um copo de prata com a data e o modelo do avião abatido, mas seu número de vitórias se tornou tão grande, que seus copos tiveram de parar de ser feitos, devido à escassez de prata na Alemanha.

Ao contrário do que se pensa de Richthofen, ele não era um piloto espalhafatoso, mas sim um grande estrategista e ótimo atirador.

Em 23 de novembro de 1916, Richthofen enfrentou seu maior desafio em batalha, lutando contra Lanoe Hawker, o maior ás inglês. Depois de abatê-lo, Manfred decidiu que precisava de um avião com mais agilidade.

Em janeiro de 1917, Manfred recebeu a Pour le Mérite, a mais alta honraria do exército alemão na época, somente concedida a quem realizava grandes feitos em campo de batalha. Na mesma época, Richthofen foi escolhido como comandante do Jasta 11, um esquadrão que viria a se tornar um dos mais importantes da Alemanha.

Foi a partir daí que ele se tornou o Barão Vermelho, título ganho pela cor escarlate com a qual pintava todas as suas aeronaves. Apesar de todos os problemas que uma aeronave muito colorida podia causar em batalha, o governo alemão permitia as cores e pinturas personalizadas em suas aeronaves. Isso criou uma “febre” entre pilotos e cada esquadrão passou a ter sua cor identificadora.

Sob o comando de Richthofen, a Jasta 11 tornou-se temida por todos inimigos. O sucesso dele era tanto que abril de 1917 ficou conhecido como “abril vermelho”, quando Manfred derrubou 22 aviões inimigos, sendo que seu recorde em um dia foram 4.

Em julho de 1917, Manfred sofreu um grave ferimento na cabeça, o que obrigou o ás a fazer um pouso forçado e lhe custou alguns meses no hospital, onde várias cirurgias foram feitas. Acredita-se que o machucado tenha deixado sequelas, que causavam dores de cabeças e ânsia de vômito no pós voo.

Em 1918, a fama do Barão Vermelho era tão grande, que cada povo tinha um apelido para ele. Os franceses o chamavam de Petit Rouge e Le Diable Rouge, já os ingleses lhe chamavam de Red Knight e também de Red Baron, o apelido que acabou ganhando reconhecimento mundial.

Cada inimigo que via aviões alemães vermelhos temia por sua vida, mas a vida de Richthofen era algo muito precioso para o governo alemão, que temia uma morte em combate. A lenda de imortalidade do grande aviador era algo tão poderoso em todo o Império Germânico, que foi pedido ao Barão Vermelho que deixasse os ares, porém ele jamais aceitou isso, mesmo depois de seu ferimento.

O medo do governo alemão se tornou realidade em 21 de abril de 1918, quando uma bala acabou acertando o Barão Vermelho no peito. O grave ferimento ainda permitiu que ele pousasse sua aeronave, mas ele acabou não resistindo.

A lenda viva dos ares deixou a vida e entrou para a história. Com 80 vitórias em batalha, Manfred von Richthofen é considerado o ás dos ases e seu avião vermelho tornou-se um símbolo de luta nos ares.