Minilua

Os maiores mistérios da ciência #4

A ciência não sabe tudo, nem deseja, ela apenas quer aprender tudo que puder para tornar nosso entendimento da realidade melhor e, consequentemente, melhorar nossa condição de habitantes do Universo. Mas apesar de termos aprendidos milhões de coisas durante toda nossa história, ainda existem muitas questões que deixam os cientistas de cabelo em pé:

Por que os animais migram?

Nosso mundo vive em constante mudança. Um local, durante certa época do ano, oferece calor e alimentos para sustentar diversos animais, porém o mesmo lugar pode se tornar totalmente inóspito em outros meses. Isso criou algo chamado migração, que consiste em uma mudança de ambiente de animais. Os seres migrantes mais famosos são os pássaros, que viajam milhares de quilômetros, normalmente fugindo do frio do inverno.

Esses ciclos migratórios normalmente duram um ano e são extremamente complicados e trabalhosos. O animal que faz a migração mais longa do planeta é a Andorinha-do-mar-ártico, que chega a voar 22 mil quilômetros todos os anos.

Outra espécie que faz uma migração incomum é a borboleta monarca, sua viagem pela vida é tão estranha, que a ciência ainda não conseguiu entendê-la.

Quem trouxe o GPS?

O ciclo migratório dos pássaros é muito simples de explicar. O tempo começa a ficar frio, eles seguem os mais antigos do grupo e chegam ao lugar certo para passar o verão. Dessa maneira, os mais novos aprendem o caminho e podem reconhecer o destino na próxima vez.

É aí que o mistério aparece com as borboletas. Todos os anos, as borboletas monarcas viajam milhares de quilômetros para o sul, fugindo do inverno americano para curtir o veraneio no México. Contudo, borboletas que voam para o sul, não são as mesmas que voltam para o norte e vice-versa.

Como a expectativa de vida dessas borboletas é muito pequena, nenhuma delas é capaz de completar o circuito de ir e voltar. Sendo assim, de alguma maneira, as recém-nascidas sabem o caminho de volta e o local correto para ficar. A precisão dessas borboletas é tão grande que, na migração para o sul, elas ficam nas mesmas árvores todos os anos!

O grande mistério fica em torno de como esse conhecimento é passado de geração para geração. Alguns cientistas apostam em genética, outros em orientação magnética ou mesmo memória inata. Porém a precisão do local de chegada é tão grande, que esse tipo de informação não parece ser bom o bastante para explicar a migração das borboletas monarcas.

As hipóteses

Instinto: a primeira ideia que vem a cabeça é o instinto. De alguma maneira, a memória genética desses animais passa de uma geração para outra, criando uma espécie de mapa mental que qualquer representante desta espécie consegue seguir, mesmo sem conhecer o caminho. O problema dessa ideia é que a precisão do local encontrado pelas borboletas é muito grande, o que seria quase impossível de ser transmitido apenas com a genética.

Marcadores químicos: essa ideia, bem mais refinada, propõe que as borboletas, todos os anos, soltam alguma substância química que é detectada pela nova geração. Assim, elas conseguem refazer o caminho e chegam sempre ao mesmo lugar, exatamente como João e Maria fizeram com os pedaços de pão. O problema com essa ideia é que a substância teria que ser muito duradoura e também existe o fato dela ainda não ter sido detectada.

Posição do Sol: essas borboletas possuem uma substância chamada Cryptochrome em suas antenas. Esse composto química permite perceber a luz ultravioleta, sendo assim, elas poderiam usar esse tipo de informação vinda do Sol para se localizarem. Essa ideia é boa, mas também esbarra na precisão da localização.

Apesar de todas essas ideias serem plausíveis, ainda não existe uma resposta correta para esse tipo de migração. A verdade é que esse misterioso fenômeno é tão intrigante, que sua resolução pode revelar como a memória genética dos seres vivos funciona ou mostrar para todos que os seres humanos não são os únicos animais que sabem indicar o caminho coreto para os outros.