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Misterioso “surto coletivo” atinge sertão de Pernambuco, veja vídeo

Um acontecimento estranho vem intrigando pesquisadores e curiosos no sertão de Penambuco, em uma cidade com cerca de 80 mil habitantes.

No dia 25 de abril, 5 alunos da escola rural Vitalina Maria de Jesus, localizada em Araripina, tiveram um surto ao mesmo tempo, sentindo os mesmos sintomas.

A escola tem hoje 360 alunos e, de acordo com a direção estes casos vem ocorrendo há mais de um mês, totalizando cerca de 13 casos até agora. Os sintomas em todos os casos foram: dormência nos membros superiores e inferiores, sonolência e, por fim, acabam desmaiando.

O caso foi coberto pelo programa “Fantástico”, da Rede Globo, que divulgou também um vídeo, onde aparecem jovens sentindo mal estar no mesmo instante, confira.

“Eu comecei com uns arrepios de frio e as mãos endurecendo. Outra aluna passou  pelo mesmo, a gente fica nervosa e fica com medo mesmo. E acaba desmaiando”, disse Edivânia, de 21 anos, uma das alunas da escola.

O pai de uma das estudantes relatou que sua filha, Jacira de 15 anos, teve surtos em sua casa, no quarto: “Ela se trancou no banheiro. Uma amiga dela foi socorrer, e ela pegou a amiga e jogou na parede”.

Alguns jovens foram levados ao hospital, porém nada foi encontrado. Para os médicos o caso ainda é um mistério já que após observação, os adolescentes levantam como se nada tivesse acontecido.

Testes na merenda da escola e na água já foram realizados pela Secretaria de Saúde.

“É possível que o fato de uma pessoa ter se sentido mal possa ter influenciado, sugerido as outras a referirem os mesmos sintomas”, disse uma das médicas sugerindo que o fato seja um “distúrbio coletivo emocional”.

Outros porém acreditam que seja um fenômeno conhecido como “histeria coletiva”, que ocorre quando uma pessoa passa mal e seus amigos e pessoas que convivem com ela acabam sentindo as mesmas reações, compartilhando o mal estar.

“Isso é muito comum de acontecer em escolas, fábricas, em vilarejos pequenos. Então, uma pessoa tem um sintoma, outra pessoa vê e se impressiona com aquilo. E e acha que aquilo pode ser contagioso e começa a apresentar a mesma coisa”, ressalta Daniel de Barros, psiquiatra.

Para especialistas este fenômeno é mais susceptível em mulheres, pois são consideradas “mais sugestionáveis e podem se impressionar um pouco mais com o sintoma que a amiga está sentindo”.

Outros casos como estes já ocorreram em 2007 quando 600 jovens de um internato no México simultaneamente apresentaram dificuldades para andar. Em 2011, 15 jovens de uma escola nos EUA apresentaram tiques nervosos considerados graves, que começaram a se espalhar rapidamente. Em 2010, no Ceará, 20 alunos também tiveram surtos, ficando cada vez mais agressivos. A escola obrigou-se a suspender as aulas durante um mês, mas ao retornarem tudo estava normal.

“O ciclo em uma pessoa é rápido, mas dependendo do tamanho do grupo isso pode durar dias mesmo. Às vezes, semanas e meses. Quanto mais tranquila e mais sossegada ela fica, já sabendo que isso não é nada sério, menor a chance ela tem de desenvolver esse sintoma”, concluiu Barros.

Além dos casos serem ainda um mistério para os pesquisadores, o que mais preocupa é a frequência com que estes vêm ocorrendo.

 

Adaptado de globo