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Monte a sua matéria: A beleza do ateísmo #117

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A beleza do ateísmo

Por: Diogo Luís

O objetivo do texto é tentar apresentar um novo meio de pensar, jogar uma nova luz sobre o tão marcado “Ateísmo”, e mostrar, a partir disso, a descrença em uma divindade com uma visão muito mais profunda e rica do que o pensamento pregado por nossa sociedade, onde a visão é tomada como monocromática e simplória.

Antes de iniciarmos a linha mais desenvolvida do nosso texto (que tomei a liberdade de colocar pausas cômicas, que, como dito por John Cleese [vídeo no final], são verdadeiros estimulantes para a criatividade) quero começar com uma questão básica. O que é um ateu?

Dependendo de quem você perguntar, achará milhares de respostas: Filho do demônio, um jovem rebelde, uma pessoa problemática, um cego de alma, um assassino, um adorador dos encostos do diabo, um estuprador, ou até ao simples “alguém que não acredita em Deus”.

Ignorando todas as respostas estereotipadas, marcadas por uma ignorância popular e por uma espécie de “medo”, de intolerância, filtramos o suficiente para ter uma única resposta, simples e satisfatória: “Alguém que não acredita em Deus”.

Pois bem, permita-me expandir o conceito. O que é um Deus? Por definição, mantendo-se abrangente e ainda coerente com base em todas as formas religiosas ao redor desse mundo, pode-se chamar de Deus uma manifestação inexplicável (geralmente podendo ser adotada como simbólica), da natureza, mas que, mais que isso, apresenta uma consciência e uma personalidade.

Essa consciência e essa personalidade acabam por ser os artifícios de criação de algo conhecido como “modelo de pessoa”. Agora chegamos numa parte crucial do texto. Pode parecer estranho, porém, entre todas as personalidades, todos os gostos e possibilidades de “ser” e “gostar” possíveis, não existe nada, em contexto argumentativo, que as hierarquize.

Como exemplo, o gosto de uma pessoa é profundamente ligado ao seu contexto pessoal, e não é nem superior nem inferior ao gosto de outra pessoa, ao “ser” do outro, sendo apenas diferente (é a frase “gosto não se discute” em um contexto expandido). 

Isso não acontece, por outro lado, com as relações interpessoais, essas sim começam a tomar um caráter discutível e a partir do surgimento delas emergem todas as discussões filosóficas e sociológicas. Além disso, algo que deve ficar claro, o gosto pessoal de um indivíduo pode sim influenciar (porém sendo em casos raros) em suas relações, porém nunca as define, e, quando se projeta uma imagem de um gosto definindo uma personalidade, surge o tão errôneo e infeliz estereótipo.

Muitos de vocês seguiram ou seguem a situação dos Trekkies (Fãs de Star Trek). O que os une é a ligação com a série, o gosto, uma característica pessoal. No seu surgimento, por outro lado, centenas de estereótipos (felizmente muito amenizados hoje em dia) surgiram, dizendo que todos eram pessoas (usando palavras que realmente vi sendo usadas) “autistas, infantis, tolos e inúteis”. E porque esses estereótipos surgem?! Onde eles vivem?! Com o que trabalham?! Como se comportam?! (Sexta, no Globo Repórter).

Voltando a discussão, eles surgem quando qualquer coisa ameaça esse ilusório modelo de “personalidade perfeita”, que só consegue ser construído com o infame dogma. Esses dogmas, portanto, saem de seu habitual espaço religioso para irem ao contexto social, aonde simplesmente vão construindo uma visão injusta de que existe algum tipo de gosto melhor que outro.

Podem não surgir junto com a ideia de um Deus, como sendo “a personalidade do Criador”, mas acabam surgindo de pessoas que, por estarem “acima” tem essa função de um deus. Exemplo? Claro, querido leitor, voltemos ao século XVI, quando a moda eram as grandes meias e casacas pomposas das vestes dos nobres. Isso acabava mostrando-se como um gosto superior, e até hoje herdamos essa tradição de “deuses mortais”.

E aí nos aproximamos de nossa estação final. A beleza do Ateísmo.
Quando ao invés notarmos de uma grande escada, uma montanha dizendo “esse é o gosto certo”, com uma figura da perfeição posta no topo, e passamos a ver tudo como um plano, onde nada está acima de nada, a perfeição permeia o mundo por completo.

Seja algo que você não gosta, ou que você gosta você sabe que é perfeito do jeito que é. E assim, o mundo sem deuses nos ensina que não existe erro em ser você, ser quem você realmente é; aprendemos então tolerância, amor, igualdade e amizade, a enxergar a beleza e a perfeição em tudo a nossa volta. Essa é a beleza do ateísmo.

O mundo é belo não pela existência de um deus, mas pela sua ausência, nos mostrando que tudo é perfeito do jeito que é. (Por mais clichê que isso pareça).

Isso pode servir de lição para muitos de vocês, que pelo que mostram em vários comentários, pertencem a fandoms diversas. Otakus, Trekkies, Bronies, Góticos, enfim, simplesmente sejam quem são e tenham orgulho de quebrar estarem quebrando estereótipos.

Brony e orgulhoso