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Monte a sua matéria: A cartada final #144

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A Cartada Final

Por: Edilson Santos

Eu acho difícil uma pessoa me conhecer sem saber que eu gosto de Yu-Gi-Oh!. Na verdade, se você não sabe disso, possivelmente você não me conhece. O que pouca gente sabe é o quanto eu sempre gostei deste anime e deste jogo. Talvez as únicas pessoas que saibam o quanto eu gosto sejam meu irmão e meu primo do interior, além de alguns amigos da escola que com certeza tem uma conta no PS3. Eu acho que tudo que gostamos de verdade merece a nossa atenção, e a tudo que somos gratos devemos uma homenagem.

Pois é, sendo assim, creio que chegou a minha vez! Hoje mesmo eu terminei de assistir todas as temporadas clássicas de Yu-Gi-Oh!. Digo o Yu-Gi-Oh! de verdade, e não as seguintes com cartas esquisitas e duelos escrotos que eu tive a infelicidade de conhecer. Foram 224 episódios que demoraram 1 ano para serem vistos. Entre muitas vezes em que eu não tinha tempo, mais a falta de coragem que me bateu pra assistir os 4 últimos episódios (eu sabia que ia chorar, e chorei pra valer!), eu consegui ver cada cena, cada desafio, cada duelo e cada triunfo dessa turma.

Desde que eu comecei a assistir até hoje, nunca havia passado pela minha cabeça que um dia eu veria um último episódio, era impossível acreditar em um fim. Obviamente, Yu-Gi-Oh! nunca teria um fim pra mim. E sendo assim, eu queria prestar minhas homenagens, sem ligar quem tá afim de me criticar, me chamar de nerd, virgem, gordo, viado, forever alone, sem namorada e sem emprego. Eu estou aqui pra mostrar que eu não tenho vergonha de quem em sou, dentre tantas outras coisas: um duelista!

Conheci essa duplinha quando ainda estava na pré-escola. Cheguei da escola um dia (eu chegava por volta das 7h) e estava passando um “desenho” interessante na Nick. Assisti uma vez. Assisti outras. Comecei a tomar gosto pela coisa. Antes de aprender a ler e escrever, eu entendia os efeitos das cartas e as regras do jogo, e em pouco tempo veio a febre das 1° cartinhas de Yu-Gi-Oh! nas bancas de jornal: agora eu era um duelista. Ainda quando eu era pequeno ganhei um PS ONE, que veio com o jogo original do Yu-Gi-Oh! Forbidden Memories. Eu já sabia ler mas não fazia ideia do que dizia no jogo, porque era tudo em inglês. Ainda assistia o anime (só depois eu fui aprender que os “desenhos” que eu adorava são animes) e duelava com as cartinhas.

Eu não fazia ideia de o quanto esse duelo de monstros fazia bem para o meu desenvolvimento intelectual, e hoje eu devo pelo menos 140% da minha inteligência ao jogo de cartas.
Se eu disser para vocês que foi apenas isso que eu aprendi com Yu-Gi-Oh!, estaria mentindo. Essa duplinha me ensinou muito mais que isso, ela me ensinou valores também. O valor da amizade acho que é o principal a ser transmitido. Os amigos podem sim, arranjar muito mais do que vocês possam imaginar, e eu já senti na pele como isso funciona.

Quem corre 100m, consegue correr 100km com os amigos ao lado. Também aprendi que não há nada de errado em ter um lado sombrio dentro de si, pois não há luz se não houver trevas. E essa luz também reside dentro de nós. Ela pode ser o que você mais precisa em certos momentos, e pode ser um motivo para que você corra atrás de algo, mesmo que seja para correr atrás da sua luz interior.

Ainda sim, acho que o mais importante que eu aprendi nesses mais de 10 anos que eu tenho contato com Yu-Gi-Oh!, é que nunca devo desistir. Mesmo que você fraqueje, que fraqueje para se levantar, nunca deixe de acreditar. É preciso nunca se dar por vencido. Além disso, é preciso acreditar de verdade naquilo que você quer. A única coisa que eu conheço, até o presente momento, que pode mudar o destino, é a força de vontade.

Toda vez que era preciso sacar a carta certa, confiava no coração das cartas que tanto o Yugi quanto o Atem poderiam triunfar. Na vida, as vezes precisamos da carta certa também. Mas costumamos esquecer facilmente do “coração delas”. Eu não sei como vocês chamam o coração das cartas, pode ser a perseverança, pode ser o seu sonho de se tornar hokage, pode ser o Pikachu lutando dentro de você até a última de suas faíscas. De qualquer modo, quando as coisas parecerem perdidas, confie no coração das cartas e encare cada desafio como se a vida estivesse falando “é a sua vez!”.