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Monte a sua matéria: A teoria da Pixar (parte I) #109

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A teoria da Pixar (parte I)

Por: Yago Lemos

Imagino que você já esteja sabendo da Pixar Theory. É uma teoria criada pelo jornalista Jon Negroni e postada no site dele na última 5ª (11/7): sabe aquelas várias conexões easter eggs presentes nos filmes da Pixar? Elas não seriam aleatórias, mas apenas as peças mais explícitas e óbvias de um cenário muito maior. O texto original, em inglês, tá aqui e recomendo muito a leitura.

Pra quem quiser ler em português, fiz a tradução. Deu trabalho pra caramba. Assisti todos os filmes da Pixar, mas alguns deles somente em inglês, então não conheço/lembro alguns dos nomes das versões nacionais de personagens/lugares/objetos, por isso incluí alguns links da Pixarpedia pra deixar claro que estamos falando da mesma coisa.

Outro problema é que o texto do Negroni tá sendo modificado constantemente, daí essa versão minha pode nem ser a mais atualizada de todas. Vou fazer igual o autor do texto: se alguém pensar algum furo na teoria e quiser traduzir algo recentemente adicionado ao texto original, só avisar nos comentários. Posto aqui e dou o devido crédito. Sem mais. Saca só:

A Teoria Pixar

Todos os filmes da Pixar estão conectados. Vou explicar como e os motivos.
Há alguns meses assisti um vídeo divertido no Craked apresentando (pelo menos para mim) a ideia de que todos os filmes da Pixar existem dentro de um mesmo universo. Desde então estou obcecado com esse conceito, trabalhando no que chamo de ‘Teoria Pixar’, um trabalho narrativo que conecta todos os filmes do estúdio em uma mesma timeline com um tema predominante.

Essa teoria cobre todas as produções da Pixar desde Toy Story, incluindo: Vida de Inseto, Toy Story 2, Monstros S.A., Procurando Nemo, Os Incríveis, Carros, Ratatouille, Wall-E, Up, Toy Story 3, Carros 2, Valente e Universidade Monstros.

Cada filme está conectado aos demais e seu desenrolar influencia todos os outros. Aqui vamos nós.Valente é o primeiro e último filme da timeline. Obviamente, esse filme sobre um reino Escocês durante a Idade Média apresenta o cenário mais antigo apresentado em produções da Pixar, mas é o único que explica o porquê de animais se comportarem como humanos de vez em quando nas produções da Pixar.

Em Valente, a Merida descobre que existe uma “mágica” que pode solucionar seus problemas, mas, sem querer, tornam sua mãe em um urso. Descobrimos que essa mágica vem de um estranha bruxa aparentemente ligada às misteriosas chamas de fogo-fátuopresentes na produção.

Nós não só vemos animais se comportando como humanos, mas também vemos vassouras (objetos inanimados) agindo como pessoas na casa da bruxa.Também descobrimos que essa bruxa inexplicavelmente desaparece toda vez que atravessa portas, nos fazendo acreditar que ela talvez nem exista. Vamos com calma, já volto a Valente.

Por enquanto, vamos deixar registrado que a bruxa é alguém que conhecemos de um outro filme dessa timeline. Algumas pessoas me lembraram que os animais em Valente gradualmente param de agir como humanos, botando em xeque essa ideia que essa é a origem desse comportamento. Minha resposta é simples. Eles regridem pois a mágica perde o efeito. Com o passar do tempo, a inteligência evolui naturalmente.

Após séculos, os animais de Valente que passaram por experimentos da bruxa se reproduziram, criando uma grande população de animais de personalidade e inteligência própria.Há duas linhas de evolução: uma de animais e outra de inteligências artificiais. Os eventos dos filmes seguinte apresentam uma luta de forças entre humanos, animais e máquinas. No que diz respeito a animais, o desenrolar desse conflito é apresentado cronologicamente em Ratatouille, Procurando Nemo e Up.

Perceba que não menciono Vida de Inseto, mas depois explico o motivo. Em Ratatouille vemos animais experimentando essa humanização em condições menores e controladas. Remy quer cozinhar, algo que apenas humanos fazem. Ele cria uma relação com um pequeno grupo de humanos e se dá bem. Enquanto isso, o vilão do filme, Chef Skinner, desaparece. O que aconteceu com ele?

O que ele fez com sua descoberta que animais são capazes de transcender seus instintos e realizar tarefas de forma melhor que humanos? É possível que Charles Muntz, o antagonista de Up, tenha ficado sabendo desse rumor e tido a ideia para suas intenções que expusessem os pensamentos dos animais, como seus cães, pelos seus colares de tradução.

Esses colares mostraram pra Muntz que animais são mais espertos e até parecidos com humanos do que pensávamos. Ele precisava dessa tecnologia para achar a ave exótica pela qual ele era obcecado, ele até chega a mencionar os vários cachorros que perdeu desde sua chegada na América do Sul.

Porém, após a morte de Muntz, Doug e os outros experimentos dele ficam livres e não sabemos as implicâncias disso, mas sabemos que é crescente a animosidade entre animais e humanos. Agora que os humanos descobriram o potencial dos animais, eles começam a ousar.
Para desenvolver novas tecnologias, os humanos começam um revolução industrial mencionada em Up.

Algumas pessoas me lembraram que Muntz estava trabalhando na América do Sul antes dos eventos de Ratatouille. É verdade, mas não é dito explicitamente quando e como ele começou a desenvolver os colares. Outra coisa: sabemos que Ratatouille está ambientado antes de Up por vários motivos.

Em Toy Story 3, um cartão postal na parede de Andy tem o nome e o endereço de Carl e Ellie (incluindo seus sobrenomes). Isso confirma que em 2010, o ano no qual Toy Story 3 é ambientado, a Ellie ainda está viva ou pelo menos não está morta há muito tempo. Isso reforça a ideia que Up é ambientado anos depois.

No começo de Up, o Carl é forçado a abandonar sua casa para uma empresa pois a cidade está sendo expandida. Pense nisso. Qual corporação é culpada por poluir a erra e terminar com a vida local em um futuro distante por excessos tecnológicos?

Buy-n-Large (BNL), uma corporação que controla aparentemente tudo quando chegamos a Wall-E. No comercial feito para o filme, ‘A História da BNL’, é dito que a empresa chegou a controlar até os governos. Já deu pra entender que essa corporação alcançou domínio global?
O interessante é que essa mesma organização dá as caras em Toy Story 3:

Em Procurando Nemo temos uma população inteira de animais marítimos agindo em conjunto para salvar um peixe capturado por humanos. A BNL volta a aparecer nesse universo em uma matéria sobre um belo mundo aquático. Os mundos estão colidindo em Procurando Nemo. Os homens estão se armando contra os animais inteligentes.

Pense em Dory por um instante. Ela é diferente da maioria dos peixes. Por quê? Ela não é tão inteligente. O problema de memória é consequência dela não ser tão avançada quanto as outras criaturas marinhas, o que também é um explicação razoável para a velocidade da evolução desses seres.

A continuação de Procurando Nemo, focada na Dory, deve provavelmente tratar desse tema e explicar mais. Também devemos ter mais evidências do clima hostil entre humanos e animais.
E esse é o filme mais distante do ponto de vista dos animais. Já sobre inteligência artificial, começamos com Os Incríveis. Quem é o principal vilão do filme? Você provavelmente pensou no Buddy, o Síndrome, que é quem basicamente comete o genocídio dos humanos com super-poderes.

Tem certeza que foi ele?

O Buddy não tinha poderes. Ele usava tecnologia para se vingar da descrença do Sr. Incrível. Soa um pouco estranho que aquele homem tenha chegado ao ponto de cometer genocídio.
E como ele mata todos os heróis?

Ele cria um robô assassino que registra os movimentos de todos os super-humanos e se adapta. Um hora essa inteligência artificial se rebela do Síndrome, o que nos leva a acreditar que ele estivesse sendo manipulado pelas máquinas o tempo todo para que elas se livrassem das maiores ameaça da dominação robótica, os humanos super-poderosos.

O filme até apresenta clipes de heróis com capas sendo mortos por objetos inanimados, como turbinas de avião…acidentalmente… O texto não está completo, por ser muito longo resolvi dividir em partes..

Continua…