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Monte a sua matéria: Dissecando um sex symbol às avessas #148

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Dissecando um sex symbol às avessas

Por: Gabriel Rios

Miley Cyrus. Que fenômeno peculiar. A trajetória da cantora até a fase atual é, pelo contrário, bem genérica. Sem emitir juízo de valor reducionista sobre as implicações dos fatos em seu talento: filha de cantor sub-famoso (talvez sua única “particularidade”), Disney kid, primeiros passos na indústria da música ligados à personagem e boom! A “verdadeira face”. Vanessa Hudgens, os Jonas Brothers (brandamente), Lindsay Lohan, Demi Lovato… Alguns mais estrondosos que outros, de fato, mas a lista continua.

“We Can’t Stop” é bizarra, ressalto que uso o termo sem qualquer carga pejorativa. A garota que há seis anos cantava que “não sabia o que aquecimento global significa”, de repente, não queria mais ser domada e aderiu ao espírito do “é nossa festa, podemos transar com quem quisermos”. O clipe então mostrou o que seriam as marcas da antiga Hannah Montana, subsequentemente: a língua; o twerking, baixo quando feito no funk, mas corajoso e expressão de liberdade quando feito por uma representante da “nossa juventude”” (sim, as duplas aspas são necessárias); a festa desregrada e as demais referências sexuais.

Enfim, há pouco menos de um ano, veio a famigerada apresentação no MTV Video Music Awards. Este que vos fala, como jovem velho careta que é, não fazia ideia do que a Rolling Stone anunciava com a manchete “a língua que lambeu o mundo” e ficou meio atônito com o que viu: uma reedição de tudo que havia no clipe de “We Can’t Stop”, mas ao vivo, para milhões de telespectadores, com participação do não menos bizarro Robin Thicke (okay, um pouco menos bizarro). Nota: conseguir deixar envergonhada a mãe de um tipo como o Robin Thicke, hein, Miley? Que fase! Como diria o Milton Leite.

O ursinho, a língua, a esfregada… Aquilo era a revolução musical anunciada e propagada? Sério? É tudo o que é preciso contemporaneamente? Agora com o fio de juízo de valor que me é permitido: a apresentação foi um gigantesco “antiereção”, desafio encontrarem alguém que, fora da hype sexual criada, ache aquilo sexy ou charmoso de alguma forma.

Voltando da ligeira digressão, Miley se tornou um sex symbol às avessas, possuindo relação mínima com a música (que é só um adereço discreto e pouco relevante), sem a expressividade de algumas “divas” do pop moderno e sem o sex appeal de tantas outras.

A tão “emocionante” “Wrecking Ball” não tem uma palavra escrita por ela (utilizando o próprio encarte do “Bangerz” como fonte), assim como a também “comovente” “Adore You”, e, mesmo assim, é identificada como uma representação do seu término com seu namorado ou noivo (cujo nome, por falta de informação e interesse, não sei), pela mídia e pelos fãs.

Percebam como tudo se encaixa, como todo o “por trás do palco/artista” é produzido. Cada clipe, cada letra, cada foto provocante, cada palavrão, milimetricamente, cirurgicamente planejados. A evolução da Miley como indivíduo (que naturalmente existe) é ofuscada pela evolução grosseira e vulgar da personagem.

A americana ganha as manchetes com exibicionismo barato e conquista os corações das infantes e post-teens da vida (ao menos teórica) cantada por ela e outros, com um falso sentimento de liberdade, uma plástica conexão catártica, que soa (aos meus ouvidos) como um mero clamor pós-adolescente de “já tenho 21 anos e posso fazer tudo que quero”, algo que, além de fútil, não é verdadeiro. A Miley versão “Bangerz” não choca e muito menos está em guerra contra a indústria que a projetou, longe disso, é só outra versão do produto.