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Monte a sua matéria: O bruxo de Northampton #103

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O Bruxo de Northampton, Garth Ennis e Quadrinhos pra Gente Grande

Por: Vinícius Salfer

Gente que voa, mutantes que lançam raios pelos olhos, paraplégicos que leem mentes, nerds picados por aranhas radioativas entre outras coisas assim nos lembram muito os quadrinhos, pois é de lá que elas vêem. Aqui no Brasil o ato de ler um quadrinho, que não seja a turma da Monica enquanto usa o banheiro, é uma coisa muito rara, talvez pelo péssimo ato do brasileiro de não gostar de ler.

Quadrinhos a algumas gerações supriam a falta de ação que o cinema ainda não podia dar para essas pessoas que devoravam cada nova edição que Stan Lee mandava para as prateleiras. Primeiramente para enlouquecer crianças quando o super-homem levantava um carro com o minguinho esquerdo para salvar a mocinha, ou até mesmo para o governo mostrar o que era o certo para essas jovens mentes quando mostravam o capitão América limpando o pé depois de ter dado uma bela bicuda na bunda de algum comunista.

Quadrinhos sempre retrataram como uma geração pensava, o que estava acontecendo no mundo, o que os jovens deveriam julgar bom. Mas este texto vai lhes contar uma época onde não eram mais a crianças que enlouqueciam com essa arte, uma época onde sexo, drogas, violência gratuita saíram dos becos das grandes cidades e foram dividir espaços com os super heróis. Segue a história de dois carinhas que contribuíram muito para essa fase.

Alan Moore, O Bruxo de Northampton

Expulso aos 17 anos da escola por uso de drogas, esse Inglês nascido em Northampton que é protagonista de diversas páginas de agradecimentos, tanto em livros quanto em quadrinhos, foi uma das principais causas pelo nascimento dessa visão mais adulta nos quadrinhos. Esse brilhante escritor, endeusado por seus companheiros de profissão, foi responsável por grandes títulos que começaram a aparecer depois de alguns trabalhos seus não tão brilhantes assim no início dos anos 80.

Foi apenas quando ele começou a contribuir para a revista warrior foi que ele começou a ter a liberdade que precisava para ser o que é hoje. Nessa época, duas de suas grandes contribuições foram: “Marvelman”, que depois passou a se chamar “Miracleman”, e “V de Vingança” que além de ser um historia brilhante virou um sinônimo de luta do povo contra os seu lideres. A primeira é uma releitura mais sombria de um super-herói clássico, enquanto a segunda já vai por um tema mais policial, com temas mais profundos, como injustiças e como governos ditatoriais podem ser.

Depois de verem do que Moore era capaz, a DC comics o convidou para fazer algumas contribuições, tudo começando escrevendo histórias para a criação de Len Wein e Bernie Wrightson: “O monstro do Pântano”, mudando aos poucos a visão inicial que seus criadores tinham. “O monstro do Pântano” não trouxe apenas popularidade e prêmios para a DC, mas também um personagem memorável para a cultura pop, John Constantine, que mais tarde viria a ter a sua própria revista como “Hellblazer”.

Outras Obras

Watchmen: Não há como falar de Alan Moore sem citar a que talvez, para muitos, seja a sua obra mais importante. Considerada o divisor de águas dos quadrinhos, a série “Watchmen” nos trás super-heróis muito diferentes do que estávamos acostumados a ver. Supers que tem os mesmos problemas pelos quais sociopatas passariam nas situações apresentadas. Heróis que bambeiam o tempo inteiro sobre a linha que separa os mocinhos dos vilões. Com essa série Moore entrou no hall da fama definitivamente dos autores de quadrinhos.

Do inferno: Narra a violenta e sangrenta história de Jack Estripador, trazendo o psicopata para a nona arte em uma série que demorou uma década para ser finalizada.

Piada Mortal: Claro que Moore também deveria ter metido um dedo num dos heróis mais famosos de todos os tempos: Batman. Considerada umas das melhores histórias do Batman, Piada mortal conta uma história onde, spoiler, o coringa com um plano que deixaria o comissário Gordon louco, atira em Barbara Gordon (Batgirl) a deixando paraplégica assim que ela atende a porta. Há boatos que após isso ela tenha sido violentada sexualmente enquanto o Coringa tirava as suas roupas e tirava fotos, mas nada certo ou claro enquanto a isso.

Garth Ennis

O que falar de Garth Ennis? Nascido na Irlanda do Norte, esse escritor ácido criou títulos clássicos para qualquer fã da nona arte. Começou a fazer história quando assinou com o selo Vertigo da DC, um selo mais voltado para o público adulto.

Seu primeiro trabalho para a indústria de quadrinhos americana foi um arco da história de “Hellblazer”. Também foi responsável por algumas histórias de Hitman. Conhecido por seu humor negro e banhos de sangue esse premiado autor se mostrou ao mundo com a sua polêmica criação: “Preacher”. 

Alguns títulos

Preacher: “Preacher” narra a história de Jesse Custer, um pastor com um passado traumático, que é possuído por uma entidade chamada Genesis. Junto com a sua namorada e um vampiro irlandês alcoólatra, eles viajam os EUA a procura de deus que fugiu do céu para dar um puta chute na bunda do Todo-Poderoso. Palavrões por todos os lados, sexo, índices absurdos de humor negro, atrocidades que seres humanos podem fazer, filosofia, rios de sangue, tudo isso e muito mais em uma série com 66 edições e mais 6 especiais. Essa série deu a Ennis o Eisner de melhor roteirista.

The Boys: Umas das últimas séries escrita por Ennis e talvez a mais polêmica. Em um mundo cheio de super-heróis e diversos grupos deles, a Cia cria um grupo para cuidar para que os supers andem nos eixos. Uma história regada a sangue, humor negro e a sexo. As polêmicas de The boys são tantas que é muito difícil saber por onde começar.

Por exemplo: O líder do grupo, O açougueiro, está atrás dos “supers” por que eles fazem o que querem, a sua esposa foi estuprada por um super e o filho que nasceu dentro dela com super poderes acabou a matando quando ainda era um feto e claro, o açougueiro matou ele com um telefone depois de fazer isso.

Outro exemplo é o caso de uma heroína ser recrutada para o melhor time de supers da mundo, Os sete, mas para isso ela tem que fazer sexo oral com os homens do grupo, moral da história, ela entra para o grupo. Apesar das partes mais pesadas como essas, é uma ótima história, muito bem escrita e desenhada, vale muito a pena ler.

Esses são alguns exemplos dos Quadrinhos para adultos, claro que aqui poderia ter sido citados mais nomes que fizeram parte dessa evolução dos quadrinhos, como por exemplo Frank Miller (Sin City). Muitos dos títulos citados aqui já saíram nas telonas e não deixaram duvidas das grandes historias que estão por detrás dos quadrinhos. O que resta agora e pesquisar e ler essas perolas que vale muito a pena.