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Monte a sua matéria: Quando há um Tarantino por trás das lentes #104

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Quando Há um Tarantino por Trás das Lentes

Por: Vinícius Salfer

O cinema, desde a sua criação, sempre foi uma das artes favoritas de muita gente e durante todo esse tempo, algumas pessoas se destacaram por levar essa arte aos gostos de todos os outros que sobraram. Pode-se dizer que Tarantino não teve tanta importância para o cinema como George Méliès nos primórdios do cinema, como Kubrick que fez o cinema dar um passo importante para aquilo que temos hoje, como Spielberg, como Scorsese e tantos outros. Mas Tarantino teve a sua contribuição, sem duvida alguma.

Conhecido como um dos diretores de cinema mais pop da atualidade, Quentin Tarantino trouxe para as telonas, no começo da carreira, a força que existia nos filmes independentes no final do século passado. Filmes que grandes produtores julgavam um tiro no escuro num ambiente sem alvos. Sua paixão por cinema começou cedo, chegando até a fazer aulas de atuação, mas foi como roteirista que ele começou a se encontrar.

Tarantino trabalhava em uma locadora de filmes, foi nesse lugar onde conheceu Roger Avary, uma das peças fundamentais para a obra prima de Tarantino. Quentin era uma enciclopédia ambulante quando o assunto era cinema, tudo isso misturado a sua genialidade o dispensou de precisar se graduar em alguma grande universidade de cinema para ter o seu nome na história.

O estilo único que Tarantino inventou, ultrapassa até grandes diretores que o influenciaram, como Scorsese em “Taxidriver”. Por exemplo, se você visse “E.T” do Spielberg e depois assistisse “Cavalo de Guerra”, você certamente não diria que era o mesmo diretor. O que Tarantino conseguiu foi: Até mesmo nos créditos iniciais do filme você consegue pensar: “Esse com certeza é um filme do Tarantino.”.

Marés de sangue, diálogos mais bem escritos que você pode encontrar em qualquer lugar, desfechos inusitados de situações inusitadas, pés femininos, entre outros só aqui. Abaixo segue os principais exemplos desse Diretor genial.

Cães de Aluguel (1992)

Fruto de um “Ei cara, gostei dos filmes que você escreveu até agora, que tal dirigir um?” de Lawrence Bender, produtor que Tarantino conheceu numa festa e viria produzir boa parte de seus filmes. Daí nasceu o primeiro filme dirigido por Quentin Tarantino e o começo de sua lenda. Um filme que traçaria o estilo de Tarantino, um estilo que ele manteve do inicio de sua carreira até agora. É um filme que conta a história de um grupo que planeja roubar um banco, até ai tudo, existem centenas de filmes sobre isso, mas não contados dessa maneira.

O filme é contado de trás pra frente, no começo do filme vemos o grupo que é contratado pra roubar o banco sentado num bar discutindo o que Madona quis dizer com a letra de “Like a Virgin”. Se fosse outra pessoa que tivesse escrito a longa cena dessa discussão certamente seria um saco assisti-la e você logo desistiria do filme, mas não foi esse o caso. A cena é demorada, sim, mas de longe é chata, é muito engraçada aliás.

A questão é: A primeira cena é muito calma, amigos bebendo e rindo, como se tivessem acabado de sair do escritório para um happy Hour, tudo isso antes de ser cortada para uma cena onde um dos assaltantes está no banco traseiro de um carro nadando num rio de seu próprio sangue implorando para que o salvem depois de algo ter dado errado no assalto ao banco. O que deu errado no assalto ao banco nós descobrimos ao longo do filme. É um filme estiloso, muito bem escrito e dirigido, com cenas marcantes e diálogos memoráveis.

Pulp Fiction (1994)

Depois do sucesso de “Cães de Aluguel”, choveram propostas no colo de Tarantino para dirigir outros filmes, inclusive “Homens de Preto”, mas ao invés disso, Tarantino foi para Amsterdam para terminar o que viria ser a sua obra prima. Lembra de Roger Avary no começo do texto? Então, é ai que ele entra. Junto com Avary, Tarantino escreveu “Pulp Fiction”. Esse filme trouxe aquele estilo de “Cães de Aluguel” e o levou às alturas junto com a fama de Tarantino.

Esse filme, sem duvida fora responsável por botar o seu nome na história do cinema e trazer a fama de volta para John Travolta que na época andava mais apagado que a normalidade de Dali. O filme ganhador do Oscar daquele ano de melhor roteiro original, conta diversas histórias de vários personagens que em algum ponto se ligam.

Histórias de violência gratuita, roubo, sexo gay, intervenção divina, drogas, mais violência, sangue, um pouco mais de sangue e por fim uma pitada de violência. Elenco de primeira, atuações memoráveis, até mesmo Tarantino faz um bico de ator numa das histórias. É um filme genial, diálogos como sempre digno de notas, que deve estar na lista de qualquer um que ame cinema.

É o que traz a tona aquilo que Tarantino faz de melhor, que traz aqueles momentos de “Ah, está tudo bem, tudo calmo, uma conversa amiga para acalmar os nervos” e de repente “Bang!”, sangue pra todo lado, você não sabe mais de quem é a perna de quem e toda esse contraste de sentimentos entra numa harmonia genial.

Kill Bill vol I. e II. (2003; 2004)

Esse filme é uma singela homenagem de Tarantino para os filmes de Kung Fu e outras artes marciais do oriente. Esse sem duvida é o filme mais sanguinário de Tarantino, necessário assistir com um guarda chuva. Uma Thurman, que também fez o papel de Mia em “Pulp Fiction”, interpreta uma noiva ex assassina em busca de vingança contra o seu antigo chefe Bill e antigos companheiros de.

A primeira cena do filme já mostra Uma Arrebentada no chão no dia do seu casamento grávida enquanto vê os responsáveis por isso olhando pra ela. Não é uma das obras primas de Quentin, mas vale a diversão, Kill Bill se tornou um personagem querido na cultura pop. Rola boatos que vem por ai a parte III.

Bastardos Inglórios (2009)

Nesse filme Quentin deixa para trás de vez o gênero que o deixou famoso, mas sem perder o seu estilo. É um filme que flerta com a história do mundo, mas não a repete. Com Brad Pitt no elenco, o filme conta a história de um grupo de soldados americanos com descendência judia que vai para a Europa dominada pelo Nazismo para a simples missão de quebrar a cabeça de vários nazistas.

Outra história que ocorre em conjunto é a do caçador de Judeus. Um membro da SS, interpretado pelo ganhador do Oscar de melhor ator coadjuvante com esse filme:Christoph Waltz, especialista em encontrar judeus foragidos. Uma outra historia que também ocorre junto aos acontecimentos é uma das sobreviventes do caçador de judeus que busca uma vingança que pode estar bem perto dela.

Com esse filme, Tarantino nos lembra a sua genialidade e nos mostra que ela não tem limites. Um filme maduro, com uma dosagem de sangue um pouco mais baixa que “Kill Bill”, mas ainda o bastante para o selo de qualidade Tarantino, diálogos de primeira, acontecimentos inesperados e com um estranho humor negro. Em resumo, um filme genial.

Django Livre (2012)

O ultimo filme de Tarantino até então. Pode não ser o melhor filme dele, mas chega perto. O alvo dessa vez é o velho Oeste de uma velha América racista. Com uma atuação impecável de Christoph Waltz, que também ganhou o Oscar de melhor ator Coadjuvante com esse filme, de Leonardo DiCaprio, Jamie Fox e Samuel L. Jackson (Que, diga-se de passagem, está em todos os filmes do mundo).

O filme conta a história de um caçador de recompensas que com ajuda de Django, um escravo recém liberto por ele, tentam encontrar alguns foragidos da lei e mais tarde o amor de Django que é tida como escrava de um dono de terras que usa negros em lutas. E tudo isso claro ao estilo Quentin Tarantino de ser. É um filme violento com cenas que faz você se retorcer na cadeira algumas vezes, mas também com cenas muito engraçadas, claro com aquele velho humor negro de Quentin.

É um filme também que nos faz pensar e sentir nojo de uma época que infelizmente nossa história passou. A primeira cena do filme, com aquelas letras que nos lembram quadrinhos, com aquelas musicas que só o Tarantino sabe escolher para os seus filmes já nos faz pensar: “Sem duvida é Quentin Tarantino, melhor pegar meu guarda chuva”.

Curiosidades

– Durante a filmagem de “Cães de Aluguel”, um paramédico ficava no set de filmagens para garantir que a quantidade de sangue perdida por Mr. Orange era compatível com a quantidade de sangue perdida por uma vitima real de tiro.

– A cada país novo que vai, Tarantino faz questão de ir ao McDonald´s local para ver o que é diferente e o que não é. Segundo ele as batatas fritas de Estocolmo são as melhores da rede.

– Testes revelaram que ele tem um QI de 160.

– Em Portugal o filme “Bastardos Inglórios” tem o curioso nome de “Sacanas Sem Lei”.

– Tarantino coleciona jogos de tabuleiros relacionados com programas de televisão.

– Tarantino é um tarado em pés femininos, alguns de seus filmes há cenas inteiras dedicadas aos pés femininos.

– Em 2007 ele participou de um projeto com outros diretores, inclusive Robert Rodriguez, chamado Grind House que fazia uma espécie de paródia de filmes de terror dos anos 70. Sua contribuição foi o filme “À Prova de Morte” que conta a história do dublê Mike.

– Tarantino tem um grupo de atores que participa em boa parte de seus filmes como: Uma Thurman, Samuel L. Jackson, Tim Roth, Christoph Waltz, Bruce Willis, entre outros.

– Em 2005 ele fez uma participação especial como diretor convidado, onde dirigiu uma cena no filme de Frank Miller, “Sin City”.

– Há muitas teorias sobre os personagens dos filmes do Tarantino, que há ligações entre eles, um bom exemplo é um curta com Selton Mello e Seu Jorge chamado “A Mente de Tarantino” onde eles discutem a ligação entre os filmes. Vale a pena dar um assistida, tem no Youtube.

“Quando me perguntam se eu fui à faculdade de cinema, eu repondo: Não, eu fui ao cinema.” – Quentin Jerome Tarantino.