Minilua

Monte a sua matéria: A caixinha de música #16

Bom, galera, mais uma vez, muito obrigado pela participação. Saibam de antemão, que é muito gostoso trabalhar para o Minilua. PS: Curtam o texto desta semana, e não deixem de participar. Até a próxima!

                                                      A caixinha de música

Por: Markus Javarini

6h30 da manhã, Ana acorda para trabalhar. É mais uma manhã de inverno, e o frio lá fora, é cada vez maior. Enquanto se arruma, decide ligar a televisão. Na manchete do jornal, um desaparecimento lhe chama a atenção.

Pobre garota ela pensa. Apesar da consternação, o dever lhe chama, e ela logo percebe isso. Rapidamente, coloca o restante das roupas e as peças que lhe faltam. Tudo pronto, momento de dirigir.

No caminho do trabalho, um desastre, e seu carro quebra. Sem muitas escolhas, decide deixá-lo de lado, seguindo a pé o restante do percurso. O tempo urge, a reunião não pode esperar. 

Neste meio tempo, na rua, recolhe uma pequena caixinha de música. Bonita, ela é prontamente recolhida, colocada em seu colo, e em seguida, em seu bolso. 

Ainda no caminho, Ana avista uma menina, muito parecida, por sinal, com a da foto do noticiário. Atrasada, não dá muita importância e continua andando.

No almoço, já com o carro concertado, Ana vai ao restaurante de costume, quando novamente vê a menina, que mantém o olhar fixo nela, dessa vez pode observá-la melhor: cabelo castanho, olhos verdes, sete anos, como diria o noticiário.

Ana pensa em ligar para a polícia, para avisar que havia encontrado a menina, porém seu celular estava sem bateria, uma péssima hora pra isso acontecer. E será que realmente era a menina? Seria coincidência tê-la visto duas vezes no mesmo dia? Ana logo saiu do pensamento alto quando o garçom lhe trouxe o cardápio.

Ana volta para o trabalho, e novamente avista a pequena menina dentre a multidão do outro lado da rua. Ela começa a ficar com medo, e resolve ignorar a menina. Logo mais a frente Ana a vê dentro de um ônibus, e novamente do outro lado da rua, e no manequim de uma loja, como se houvessem várias meninas rodeando Ana. Ela está confusa, ela corre para o trabalho, e continua vendo a menina a cada lugar que ela olha.

Ana não conseguia se concentrar no trabalho, aterrorizada com a menina, ela só pensava uma coisa: seria ela um fantasma? O que será que ela quer comigo? Todas essas perguntas deixaram Ana abalada. Ela acabou adormecendo em sua mesa de trabalho. Ana têm vários pesadelos com a menina do noticiário, é quando um barulho ecoa na sala vazia e Ana desperta de seu sonho de terror.

Já são 11 da noite, Ana está sozinha no prédio. É quando ela se lembra da pequena e delicada caixinha de música, resolve pegá-la e abri-la, para ver se ainda toca alguma música. É quando ela nota alguma presença na sala, é novamente a menina que a perseguira o dia todo.

– O que você quer? Eu não fiz nada pra você. – diz Ana com uma voz aterrorizada e quase chorando de medo.

– Eu quero minha caixinha de músicas – diz a menina com sua voz doce e meiga, porém com um fundo macabro de terror.

Ana liga todos os pontos, e antes de entregar a caixa de músicas para a menina, ela a abre, dentro da caixa há uma bailarina, rodopiando conforme o ritmo da música clássica.

Aflita, a menina arregala os olhos, Ana não sabe mais o que fazer. Agora a menina está mudada, agora pálida com a roupa rasgada, cortes pelo corpo e os olhos vermelhos, ecoando um grito ensurdecedor, a menina começa a ser rodeada por uma fumaça negra, que a leva para dentro da caixinha de surpresas que se fecha assim que toda a fumaça entra.

Nesse momento, Ana acorda assustada em sua mesa de trabalho, tudo não passava de um sonho, até que vê a menina parada, em sua frente estendendo a mão, como se pedisse alguma coisa.

Dedicado a Ana Paula.