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Por onde anda o Bozo? #9

Mesmo depois de 19 anos do fim da presença do famoso palhaço Bozo no Brasil, o público ainda se lembra das brincadeiras que o personagem norte-americano – que teve sua versão brasileira – fazia.

Pois é, se lembrando disso, o Famosidades quis saber por onde andava o último intérprete do palhaço no Brasil, Arlindo Barreto, que teve um programa infantil no SBT. O Bozo fez muito sucesso naquela época, porém muitas crianças – que nem conheceram o programa do humorista – de hoje faz brincadeiras em referência ao personagem dos anos 1980. Quem nunca escutou a frase “E eu sou o Bozo!” quando alguém fala algo que é difícil de acreditar?

Arlindo Barreto tem hoje 57 anos e depois de sair da TV se tornou pastor evangélico. Mas para quem pensa que Barreto já iniciou sua carreira artística como o Bozo, está enganado. “Comecei como ator de novelas, como ‘Gina’, ‘Maria, Maria’, ‘Sítio do Pica-Pau Amarelo’, ‘Os Imigrantes’, ‘Cara a Cara’, ‘Dulcinéia Vai à Guerra’. Fui para o cinema, fiz 25 longas-metragens, mas aceitei o desafio de fazer as pessoas sorrirem. Achei que fazer chorar era muito fácil. O circo é um desafio para o artista”, contou ele, que foi escolhido por unanimidade pela empresa dona dos direitos autorais do Bozo e por Silvio Santos a ficar com o papel de Bozo no Brasil.

O programa do Bozo fez muito sucesso e foi sensação da TV brasileira por muito tempo, porém Barreto admitiu que foi muito cansativo. “Muito incômodo, pois o programa durava das 8 horas às 18 horas. Batemos o recorde de permanência no ar, recebemos cinco Troféus Imprensa, três discos de ouro, medalhas da paz, título de Embaixador da Boa Vontade pela UNESCO. Consegui uma galeria de prêmios invejável e isto sim, foi muito gratificante”, relembrou.

Arlindo Barreto fez sucesso na pele de Bozo, porém também garantiu problemas tanto para a sua vida pessoal quanto profissional. Foi por seu envolvimento com as drogas e álcool que o ator perdeu os direitos de dar vida ao palhaço, e foi aí que os rumos de sua vida mudaram completamente.

O ex-palhaço destacou o principal momento da vida que o fez mudar de Bozo para um pastor de igreja evangélica: a morte de sua mãe, a famosa atriz Maria de Windsor. “Eu já havia alcançado tudo aquilo que acreditamos ser a verdadeira fonte de alegria: cultura, fama, prestígio, dinheiro e uma família bonita. Nada disso conseguiu preencher o vazio que eu sentia. Márcia de Windsor, minha querida mãe, morreu. Eu sofri um choque”, contou.

Porém, Arlindo Barreto conseguiu inovar até a igreja evangélica. Pastor, o ator criou um personagem para pregar a religião onde quer que fosse. Mr. Clown nasceu e vestido com seu novo personagem, Barreto organiza atualmente espetáculos junto com seus filhos, David, Stacy e Diego e vai onde é chamado para ministrar. Questionado quanto custa por cada apresentação, Arlindo foi enfático: “Ao contrário do que muitos pensam, nunca cobrei nenhum centavo de qualquer igreja ou instituição evangélica para realizar cruzadas, congressos. Viajo de ônibus, hospedo-me em casa de irmãos, e se por ventura recebo alguma oferta, deixo naquela instituição como dízimo”.

Como Arlindo Barreto perdeu os direitos de se vestir como o Bozo, o ator criou o Mr. Clown com cabelos brancos e curtos. A roupa de seu novo personagem é parecidíssima com a do Bozo, e quem não presta muita atenção nos detalhes jura que Mr. Clown é um Bozo de cabelos curtos e envelhecidos. Porém, Barreto explica o processo de criação que fez para cada pedacinho do novo personagem.

“Detalhes pretos mostram a nossa separação deste reino por causa do pecado. Os detalhes verdes anunciam a esperança de podermos alcançar este reino através da vitória conquistada por Jesus Cristo na cruz do calvário. O azul do seu fraque estilizado anuncia o céu de onde virá seu Senhor e o amarelo, a riqueza da vida há neste santo lugar e finalmente o branco encontrado em sua cabeleira a paz”, relatou.

Além do novo palhaço que interpreta, Arlindo Barreto está cheio de projetos. Um deles é um filme que irá dirigir. “Fui convidado pelo roteirista e escritor do livro ‘O Mensageiro de Deus’, de Luis Carlos Schroder. O filme conta a história de um pastor evangélico”, contou.

Arlindo Barreto prega vestido de palhaço e afirmou que não cobra nada por isso. Mas quais são as fontes de sustento? Barreto respondeu: “Ministro palestras e cursos de comunicação efetiva aqui no Brasil, na Europa e recentemente na Flórida Christian University, nos Estados Unidos”. E Arlindo garante que tem mais metas a cumprir: “Dirigir um filme infantil com a dupla de palhaços mais querida do Brasil: Patati e Patatá”.

Fonte: Famosidades