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Quando o Cristianismo pecou… #2

Antes de mais nada, esta série visa expôr as contradições que muitas igrejas praticam, contrariando o seu próprio livro sagrado. Se você vê estes erros em sua igreja ou mesmo os pratica, por favor, reflita sobre o assunto e lute contra isso, tornando o mundo ao seu redor cada vez mais humano, menos injusto e seguindo os verdadeiros ensinamentos de sua igreja.

As igrejas cristãs usam os ensinamentos da Bíblia Sagrada para representar Deus, um ser perfeito, que está em todo lugar, tem poder para fazer qualquer coisa e é ciente de tudo, desde o início dos tempos. Porém as representantes dele não costumam ser tão perfeitas assim, cometendo desde pequenos preconceitos até alguns dos mais absurdos erros da história, que custaram a vida de milhões de pessoas. Preconceito, anti-humanismo, machismo… uma lista enorme de erros e enganos:

Pedofilia, estupro e vergonha

Supõe-se que os padres são homens, de certa maneira, santos, afinal eles são os representantes de Deus mais próximos do povo e tem como dever ensinar as pessoas a seguirem as regras existentes nos conceitos religiosos, além de serem exemplos para a sociedade religiosa. Contudo, nem sempre é assim.

Qualquer pessoa que se mantenha informada sobre o mundo e as religiões, com destaque para a católica nesse caso, já ouviu histórias de padres que abusaram de crianças de todas as maneira possíveis. Os abusos vão desde “simples” toques nas partes intimas, até sexo com menores de idade, que muitas vezes são forçados a fazer coisas sobre a ameaças divinas. Como por exemplo: “É Deus que está mandando” ou “Se você não fizer vai para o inferno.”

Estudos feitos nos EUA, um país de predominância cristã, assim como o Brasil, mostraram que, entre os anos de 1950 e 2002, 4% dos padres tiveram acusações de abusos sexuais, ou seja, a cada 50 padres, dois usaram sua posição de influência para obter favores sexuais de crianças.

Entretanto, o mais surpreendente de tudo isso, além do fato de homens tão religiosos e dedicados a Deus cometerem crimes hediondos, é a falta de punição por esses crimes.

Quando você viu a notícia de um padre sendo preso, julgado e declarado culpado de seus crimes? Ou mesmo ouviu a Igreja repreender seriamente esses homens e entregá-los à justiça?

Deus absolve?

Colm O’Gorman, um repórter que, aos 14 anos de idade, foi abusado por padres católicos, fez uma das mais importantes e marcantes reportagens contra os abusos feitos por homens santos.

Ele viajou pela Irlanda, Estados Unidos, Itália e Brasil onde descobriu um fato aterrador: A Igreja acoberta os padres tarados.

Um dos casos citados pelo repórter aconteceu no Brasil, mais precisamente na cidade de Anápolis, Goiás. Um garoto de 5 anos de idade chegou em casa falando para os pais que “sabia fazer amor”. Estranhando o fato, os pais acabaram fazendo o menino confessar a verdade: O padre, que tinha se oferecido para dar aulas de violão a ele, estava abusando sexualmente do garoto.

O estuprador de crianças, conhecido como Padre Tarcício Tadeu Sprícigo, já havia sido transferido da cidade de São Paulo em 1991, quando foi acusado de abusar de um menino de 13 anos. No total, esse bandido, acobertado pela instituição para qual trabalhava, foi transferido de localidade 4 vezes, sempre sob acusação de abuso contra menores.

O mesmo padre escrevia um diário, que continha suas táticas e preferências. Ele sempre escolhia as crianças com idade entre 7 e 10 anos, que eram pobres e viviam apenas com a mãe. Sua tática era oferecer aulas de violão e ganhar a confiança da família.

O simples fato de um padre ter abusado de uma criança já é um absurdo sem precedentes, mas a Igreja ter acobertado os crimes torna tudo mil vezes pior. A transferência era uma nova chance do estuprador atrair novas vítimas. Isso torna a Igreja tão culpada quanto o padre, afinal ela estava sendo cúmplice do crime e apoiando o mesmo, pois, aparentemente, o padre não sofria nenhum tipo de castigo e não era entregue as autoridades.

Mas por ser uma entidade muito poderosa e praticamente intocável, a Igreja nunca sofre represálias por seus crimes, podendo apoiar os padres criminosos sem que nada aconteça. Nem mesmo os fiéis, que deveriam repudiar esses absurdos, fazem alguma coisa. Em muitos casos, eles também “passam a mão na cabeça” da instituição, mesmo ela sendo tão criminosa quanto os padres que acoberta. Também são raras as vezes em que os padres acabam atrás das grades.

Muitos podem pensar que os abusos são casos isolados, mas a verdade é outra. Apenas nos EUA foram registrados 11 mil acusações contra representantes do cristianismo (fora os casos que jamais chegaram aos ouvidos da justiça)! Imagine quantos casos devem haver em todos os países cristãos ao redor do mundo.

A própria Igreja Católica admite mais de 3 mil casos de abuso entre 2006 e 2013 (esses são os número oficiais dados pelo próprio Vaticano), que, mesmo se forem reais e exatos, ainda deixam uma grande questão em aberto: “Cadê a notícia com 3 mil padres sendo destituídos de seus cargos e sendo presos?”

Kirsten Sandberg, Presidente do Comitê da ONU que anda investigando a maior Instituição Cristã do mundo, afirma: “A maioria dos padres tem se beneficiado da impunidade. As leis canônicas impõe o silêncio sobre as vítimas e existem inúmeros casos nos quais a Santa Sé se recusou a colaborar com a Justiça local.”

E a coisa não para por aí, basta uma pequena busca na internet, levando em conta apenas fontes confiáveis para encontrarmos essas manchetes aos montes:

Escândalos podem forçar papa a abrir arquivos secretos, diz vaticanista – O Globo

ONU acusa Vaticano de ‘sistema de ocultação’ de abusos contra crianças – Estadão

Vaticano rebate acusações de que acobertou casos de pedofilia da Igreja dos EUA – O Globo

Bispo é processado por não denunciar padre pedófilo – BBC

Relatório da Igreja revela mais 11 mil casos de abuso sexual – BBC

E quem quiser ver uma lista com dezenas e dezenas de casos bem documentados em todos os cantos do mundo, pode conferir aqui: Abuso sexual feito por membros da Igreja