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O que é a enxaqueca

Mal aquela pontadinha de dor na cabeça começa, você já não tem dúvidas: é a enxaqueca. Só quem sofre com ela sabe… Pode não parecer, mas é uma doença muito mais comum do que se imagina. Em estudo epidemiológico feito recentemente foi detectada a prevalência de 15,2% de enxaqueca no Brasil. No entanto é subdiagnosticada em todo o mundo, pois apenas uma minoria dos pacientes procura o médico por causa dela.
Existem mais de 150 tipos de cefaléias catalogados, mas a enxaqueca é inconfundível: pulsátil, intensa, se localiza na região temporal ou em qualquer lugar da cabeça, rosto ou pescoço, apenas de um lado. "É comum que o lado que dói varie em cada crise, podendo predominar um deles. Outros sintomas são náuseas, vômitos e intolerâncias para luzes e sons", explica o neurologista Kleber Carmo. A dor pode obrigar o paciente a ficar isolado. "A pessoa prefere ficar em um lugar silencioso e escuro. A cefaléia tende a piorar com o esforço físico", diz o médico.
Uma parcela de 15% das pessoas que sofrem de enxaqueca apresenta um sintoma adicional, a aura, uma manifestação do sistema nervoso. "Umas pessoas podem perceber pontos brilhantes em um dos lados do campo de visão ou ficar sem enxergar de um lado. Outras relatam ver imagens semelhantes em zig-zags", esclarece o Dr. Kleber. A aura pode envolver sintomas auditivos, formigamento ou perda da sensibilidade e da força.
Apesar de ter uma forte carga genética, os desencadeantes de enxaqueca variam entre as pessoas. Para algumas, basta um dos fatores para o início de uma baita crise, enquanto outras precisam de uma associação entre dois ou mais. Para descobrir, a ordem é observar e avaliar seu estilo de vida.
Luz forte, ruídos altos e alterações no clima são fatores ambientais que contribuem para a dor. Mudanças comportamentais como dormir demais ou de menos, estresse, períodos de jejum ou alteração na dieta, tabagismo, uso de álcool ou cafeína, também são facilitadores para a enxaqueca. Pessoas ansiosas e inflexíveis são bastante propensas a sofrer desse mal. Esse tipo de cefaléia também pode ter sua causa associada à desordem na coluna, às reações alérgicas, à ingestão de alimentos e até à atividade sexual. Sim, isso mesmo! Alterações na circulação do sangue são responsáveis pelas crises que aparecem durante ou após o orgasmo.
Em São Paulo, duzentos pacientes foram questionados sobre fatores que pudessem desencadear crises. Os resultados foram impressionantes: 83,5% apresentaram motivo alimentar, jejum foi o mais freqüente, seguido de álcool e chocolate. Dos fatores hormonais, o período pré-menstrual foi o mais citado. Atividade física causou enxaquecas em 13%, atividade sexual em 2,5%, estresse em 64% e 81% relataram o sono como fator desencadeante. Em relação aos fatores ambientais, odores foram facilitadores da enxaqueca em 36,5%.
Descobrir a causa é o primeiro passo para um tratamento de sucesso. O diagnóstico certo vem da combinação entre histórico do paciente e exame físico. É aconselhável preparar um diário com informações como a freqüência das crises, os dias, horários, a intensidade e qualidade da dor, onde se localiza, quanto tempo duram, manifestações associadas ou fatores desencadeantes. Esse dossiê é fundamental para auxiliar na investigação sobre o que provoca ou piora o quadro. Além de apresentar ao médico o seu relatório, estabeleça um diálogo franco: informe que tipo de medicação você usa, liste seus hábitos e tire as suas dúvidas.

Fonte: MSN