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Queima de combustíveis fosseis resultará em 60m a mais no nível do mar

Cientistas calcularam o que irá acontecer se a humanidade ignorar a energia renovável e queimar todos os recursos de combustíveis fósseis – combustíveis formados por meio de processos naturais, como a decomposição de organismos mortos soterrados – restantes na Terra.

De acordo com o estudo, publicado na Science Advances, o aquecimento resultante seria suficiente para acabar com a Antártida e fazer com que os níveis do mar subam de 50 a 60 metros.

Isso seria o suficiente para acabar com a maioria das cidades costeiras do mundo. “Nossos resultados mostram que, se não queremos derreter a Antártida, não podemos continuar tirando combustível fóssil do solo e apenas lançá-lo para a atmosfera como CO2, como temos feito“, disse um dos pesquisadores, Ken Caldeira, do Carnegie Institution for Science, nos EUA.

Embora muitos estudos, no passado, tentaram prever o que aconteceria se nossos aumentos climáticos continuassem, este é o primeiro a modelar o efeito sobre a camada de gelo da Antártida, dado o cenário de pior caso, onde os seres humanos queimassem cada último recurso de combustíveis fósseis do planeta, sem restrição e sem se importar com as consequências. “A maioria dos estudos anteriores centraram-se na perda da Camada de Gelo da Antártida Ocidental. Nosso estudo demonstra que a queima de carvão, petróleo e gás também aumenta o risco de perda da maior camada de gelo do leste da Antártida“, disse Caldeira.

A equipe levou em conta os diversos fatores que impactarão a evolução da Antártida ao longo dos próximos 10.000 anos, e usou cada um destes fatores para tentar prever não só a rapidez com que o gelo irá derreter, mas também as áreas que seriam afetadas em primeiro lugar, tendo em conta as variáveis relacionadas, como correntes oceânicas, composição da atmosfera, e queda de neve. O modelo mostrou que, se as emissões de carbono continuarem nos níveis atuais entre os próximos 60 e 80 anos, em seguida, a camada de gelo da Antártida Ocidental seria instável (algo que já começou a acontecer). A boa notícia é que, se o aquecimento global não ultrapassar os 2 graus Celsius, o derretimento da Antártida só irá causar poucos metros de elevação do nível do mar. A cada décimo de grau que a temperatura aumenta, o risco de perda total do gelo antártico também é maior.

Os atuais níveis de emissões de carbono representam apenas cerca de 6 a 8 por cento das 10 bilhões de toneladas de carbono que poderiam ser libertadas se queimássemos todos os combustíveis fósseis remanescentes. “O manto de gelo da Antártida Ocidental pode já ter sido derrubado em um estado de perda de gelo irreparável, seja como resultado da atividade humana ou não“, disse um dos membros da equipe, Anders Levermann, do Instituto Postdam para Pesquisa do Impacto Climático, na Alemanha. “Mas, se queremos salvar cidades como Tóquio, Hong Kong, Xangai, Calcutá, Hamburgo e Nova York, precisamos evitar uma inflexão na Antártida Oriental”, acrescentou.

Ao longo de milhares de anos, o modelo mostrou que o nível do mar poderia aumentar em cerca de 60 metros, e a Antártida poderia ser semelhante à imagem inferior direita:

Fonte: Jornal Ciência