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Religiões antigas: Animismo #2

Não existe uma definição simples de religião que expresse todas as dimensões. Abrangendo elementos espirituais, pessoais e sociais. É um fenômeno que aparece em todas as culturas, desde a pré-história até os dias atuais, conforme evidenciado nas pinturas das cavernas, nos costumes funerários de nossos ancestrais distantes e na contínua busca por um objetivo espiritual na vida.

Nessa nova série, vamos apresentar a base e como funciona algumas das religiões mais antigas do mundo, de forma prática e direta. Confira.

Animismo

Aqui vamos falar um pouco sobre uma religião de uma cultura que deu origem/base para muitas outras religiões, como umbanda, espiritismo, entre outras.

Principais seguidores: Aino

Quando e onde: Hokkaido, Japão

10000-300 a.C: Povos jomon, do período Neolítico – anecestrais remotos dos ainos -, vivem em Hokkaiko, provavelmente cultuando as divindades do clã.

600-1000 d.C: Caçadores-coletores okhotsk, ocupam o litoral de Hokkaiko. Parte de seus rituais, como adoração a ursos, é encontrada mais tarde nos ainos.

700-1200 d.C: A cultura okhotsk mescla-se a satsumon, dando origem aos ainos.

1899-1997: Os ainos são obrigados a se integrar à cultura japonesa. Parte de suas práticas religiosas é banida.

2008: Os ainos são oficialmente reconhecidos como um povo indígena com uma cultura própria.

Origens: O termo “animismo” aparenta ter sido desenvolvido inicialmente pelo cientista alemão Georg Ernst Stahl, por volta de 1720, para se referir ao “conceito de que a vida animal é produzida por uma alma imaterial”

Pelo termo Animismo, dado por Sir Edward B. Tylor, em 1871, designou a manifestação religiosa imanente a todos os elementos do Cosmos (Sol, Lua, Estrelas), a todos os elementos da natureza (rio, oceano, montanha, floresta, rocha), a todos os seres vivos (animais, fungos, vegetais) e a todos os fenômenos naturais (chuva, vento, dia, noite); é um princípio vital e pessoal, chamado de ânima, o qual apresenta significados variados.

Já Segundo Alexandre Aksakof: Animismo corresponde aos fenômenos psíquicos inconscientes se produzidos fora dos limites da esfera corpórea do médium, ou extra-mediúnicos:

A base: “Até uma rocha tem alma”.

Tudo no mundo tem uma alma. Mesmos os seres humanos são apenas recipientes para a alma. As almas são imortais. As almas mais importantes são os Deuses. Cerimônias, músicas e oferendas dão aos deuses status no outro mundo. Se tratarmos bem os Deuses eles nos darão comida. Tudo no Cosmo tem ânima. Todo o ânima é transferível. Tudo ou todo que transfere ânima não perde a totalidade de seu ânima, mas quem ou que o recebe perde parte ou a totalidade de seu ânima, o qual será tomado pelo ânima doador.

 

Eu também continuo pairando eternamente atrás dos humanos, zelando por sua terra.

Canção do deus Coruja

Os ainos consideram o corpo um mero recipiente de alma. Após a morte, a alma sai pela boca e pelas narinas e renasce no próximo mundo como um kamui, palavra que significa ao mesmo tempo “deus” e “espírito”. Quando o kamui morre no próximo mundo, ele renasce no nosso mundo. As almas sempre reencarnam no mesmo gênero e espécie.

Os kamuis podem ser animais, plantas, minerais, fenômenos geográficos ou naturais ou até ferramentas e utensílios produzidos pelos humanos. Por serem todas as almas, mesmo as de objetos inanimados, consideradas imortais após a morte a casa de uma pessoa deve ser queimada, para assegurar que seu kamui tenha uma moradia no outro mundo. Seus utensílios também devem ser quebrados (para libertar o espírito que tem dentro) e queimados juntos com o corpo, para serem reutilizados no próximo mundo.

Alguns kamuis desempenham funções tanto no mundo humano quanto no mundo sobrenatural. Kotan-kor-kamui, por exemplo, é o deus criador, mas também é o deus da aldeia e pode se manifestar na Terra como uma coruja de orelhas longas.

Na crença dos ainos até as palavras são espíritos e o uso delas é um dos dons que os humanos possuem que os Deuses e as coisas não tem. Palavras podem ser utilizadas para fazer tratos com deuses e coisas e também para dar prazer aos Deuses.

 

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