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Segunda Guerra Mundial: Operação Frankton

A Segunda Guerra Mundial foi uma das últimas guerras onde a tecnologia não criava um desequilíbrio muito grande. Naquela época, não existiam misseis teleguiados, nem armas de destruição em massa. A guerra era travada em campo, com soldados invadindo terra inimigas e a grande tecnologia do momento eram os aviões, que mais caiam do que voavam.

Com todas essas limitações, os exércitos precisavam, a cima de tudo, de coragem e uma dose de loucura para completar suas missões:

Operação Frankton

A Operação Frankton foi uma das mais perigosas missões realizadas durante a Segunda Guerra Mundial. O porto de Bordeaux, um dos maiores da França, estava tomado pelos alemães e era usado para fornecer suprimentos para diversas divisões e locais. Vendo isso acontecer em sua porta, os britânicos começaram os movimentos para atacar essa instalação de uma maneira que ninguém jamais imaginou.

Treinamento

O treinamento para missão foi iniciado em 1942, coordenado por Capitão Hasler. Trinta e seis homens foram selecionados, todos tendo como principal característica a coragem. Todos os selecionados eram voluntários e durante seis meses receberam treinamento de navegação noturna em mar aberto, orientação no mar e aprenderam a remar sem fazer barulho algum. No final, apenas 12 foram selecionados.

O ataque

A missão era clara a todos: destruir embarcações no porto de Bordeaux. O meio era algo totalmente inesperado: os soldados seriam deixados em alto mar e teriam que remar por 10 quilômetros no mar e mais 70 quilômetros rio acima para chegarem ao porto, tudo isso dentro de caiaques minúsculos, carregando uma dupla em cada. Se conseguissem chegar ao destino a salvos, eles teriam que encostar em navios grandes e colocar bombas magnéticas no casco das embarcações que seriam afundadas.

Os soldados ficaram sabendo dos detalhes de sua missão no dia 1 de Dezembro 1942, quando já estavam dentro do submarino que os levaria até o local de início. Cada dupla iria em um caiaque e teria apenas os remos, uma metralhadora e uma pistola, além de ração e das bombas que deveriam colar nos navios. As dez da noite do dia 7 de dezembro, os soldados foram soltos em alto mar apenas com seus caiaques e remos e uma missão suicida para ser cumprida.

A missão

O grupo foi dividido em duas forças-tarefas e cada força era composta de três caiaques:

A Força A tinha os seguintes codinomes: Catfish, Crayfish e Conger.

A Força B era composta pelas outras três embarcações: Cuttlefish, Coalfish e Cachalot.

Já na partida, o primeiro problema atingiu os soldados. O caiaque Cachalot teve problemas técnicos ao sair do submarino e dois soldados ficaram para trás. Na entrada do rio, outro caiaque quebrou e teve que ser rebocado pelos demais, mas isso começou a atrasar a missão. Os dois soldados do caiaque foram jogados na água e deveriam chegar a margem, depois fugir para Espanha. Nenhum dos dois jamais chegou a terra firme e o corpo de um deles foi encontrado em uma praia meses depois, o outro até hoje está desaparecido.

O Coalfish foi o terceiro a se perder na missão. Após um problema no casco, ele naufragou. Os dois tripulantes conseguiram nadar até a margem do rio, mas foram capturados por alemães. Mesmo tendo sido torturados, não contaram nada sobre a missão. Dois dias depois foram mortos. O mesmo destino recaiu sobre o Cuttlefish no dia seguinte.

Na noite do dia 11 para o dia 12 de dezembro, após cinco noites remando rio a cima e se escondendo durante o dia, 2 caiaques chegaram ao porto.

Os dois caiaques se separaram no porto, cada um seguindo as sombras de navios maiores para andar no local sem serem avistados. Catfish colocou 8 bombas em quatro barcos, enquanto Crayfish fixou oito bombas em dois barcos.

Os soldados rapidamente iniciaram a fuga. A algumas milhas do porto, os soldados afundaram os caiaques e seguiram por terra. Os quatro sobreviventes se separaram e deviam encontrar soldados da resistência francesa que os levariam a Espanha.

Dois dos quatro foram capturados e fuzilados por alemães. Depois de dois meses na estrada, dois soldados britânicos chegaram a Espanha e conseguiram retornar a sua terra natal para contar a história.

A missão afundou um navio e destruiu mais quatro, fazendo com que o porto ficasse praticamente inútil. O custo dessa missão foram oito mortos.