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Subcultura gótica no Brasil: Perguntas e respostas #2

Quais as peças utilizadas pelos góticos? Em que locais eles se encontram? Curioso? Bom, confira essas e outras respostas no post abaixo. Uma boa leitura!

Cid Vale Ferreira (em depoimento para o livro “Um passo na escuridão-As singularidades do universo gótico”.

1- Cid, em que momento você conheceu o universo gótico?

Eu tinha cerca de 12 anos.Tenho um irmão mais velho que estudava com alguns góticos, sendo que um deles frequentava bastante minha casa. Nessa época, eu era um aficionado por cinema de horror e li “Drácula” de cabo a rabo. Para alguém que só lia livros paradidáticos e clássicos “obrigatórios” na escola, essa leitura foi um choque. Fui atrás de informações sobre o romance e deparei com a expressão “romance gótico”. Naturalmente, fui atrás dos amigos do meu irmão e de um gótico que conheci por conta própria para conferir se a “música gótica” me agradaria tanto quanto a literatura.

2) A respeito da arte cemiterial, qual a sua avaliação?

Acho estranho que de cada dez auto-declarados góticos que se dizem apreciadores de arte cemiterial, nove jamais tenham valorizado esse tipo de arte antes de “se assumirem góticos”. O que quer dizer é que, na maior parte dos casos, o fascínio repentino pela arte cemiterial é um “gosto adquirido”, quase uma obrigação para aqueles que optaram em se inserir no meio gótico. Se alguns usavam a invasão de cemitérios durante a noite como forma de rito de passagem, outros passaram a sentir “natural” que todo gótico se maravilhe com a visão de túmulos e estátuas religiosas. O que me pergunto é: E se em vez de rock gótico essas pessoas ouvissem psychobilly? Será que teriam desenvolvido esse gosto? Não sei. Acho que essa “essa apreciação da arte tumular” faz parte de um pacote pré-fabricado, de um esteriótipo muito fácil de ser seguido por iniciantes desesperados por inclusão e auto-afirmação. O resultado é que, cada vez mais, os adeptos da subcultura gótica são associados a atos de vandalismo, invasão de propriedade pública, vilipêndio de cadáver e roubo de objetos de objetos de cemitérios. Muitos merecem mesmo a pecha, mas e quanto aos demais? Quantos adolescentes não apanharam nas ruas por essas associações? Eu acho que quem gosta desse tipo de arte deve assumir seus gostos independentemente da relação que mantenha com o estilo gótico, e isso também vale para que os góticos que simplesmente não entendem de onde vem esse clichê “góticos e cemitérios” e que não se sentem obrigados a dar satisfação a respeito. 

Márcia Martins Reggazon (Rio Grande do Sul)

Dentro da cena gótica, o que mais te atraiu?

O mórbido, a melancolia, a tristeza e a solidão. O uso de roupas pretas, e o gosto por literatura e arte. Enfim, características e gostos que eu realmente tenho.

Ainda falando do preto, é uma cor que eu realmente valorizo. Claro, gosto de outras cores também, mas aí, já é um gosto mais pessoal.  

Luciana Aparecida de Moura (São Paulo)

A respeito dos adeptos, qual a avaliação que você faz?

O gótico em si, é uma pessoa mais quieta, mais na dele. Com o tempo fui percebendo isso. Ele sabe se portar perante a sociedade, ele é mais quieto, mais ao mesmo tempo, ele sabe o limite de tudo.

E na sociedade atual, você acredita que o gótico ainda tenha espaço?

Tem, mas depende do jeito que ele se porta. O que pega muito, é a maneira dele agir na sociedade. Muitos se ridicularizam, acho que é uma questão de ponderação.