Seu vizinho grita “gol” antes? Entenda o delay na transmissão

radio-antigo

Uma das grandes chateações para quem vai assistir aos jogos da Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 2010 na África do Sul é o tal do “delay”. É algo completamente estranho para uma Copa do Mundo dita como a Copa da Tecnologia. É um problema antigo e muito me admira que ainda pouco tenha sido feito a respeito. Acredito que seja por que a maioria das pessoas não percebe isso, a não ser numa Copa do Mundo.

O Delay - traduzindo para o português seria “atraso” - é na realidade o tempo que o sinal da transmissão percorre para que os dados subam e desçam do espaço à Terra. No delay analógico o sinal demora cerca de um quarto de segundo para ir até o satélite e outro para voltar até a base, no máximo. Ou seja, se a transmissão for enviada para todo o País, o sinal ainda precisa fazer outra viagem de ida e volta até chegar às telinhas, o que pode acrescentar um pouco mais de atraso.

É preciso deixar claro o que acontece em cada tipo de transmissão. Eu fiz uma rápida medida na minha casa (Resende, RJ), nada absurdamente técnico feito em laboratório de alta precisão, com nanomedidores, mas com um bom cronômetro e uma boa dose de experiência de quem já foi, no início da carreira, editor e diretor de imagens. Eu testei alguns sistemas de recepção e cheguei aos seguintes resultados.

O delay (repetindo que a experiência foi realizada em Resende, RJ) pelo rádio não chegou a um segundo a partir da geração. Pela TV analógica no máximo 3 segundos; na TV a Cabo cerca de 5 segundos de atraso; e se assistir via web terá 12 segundos de atraso em relação à TV a Cabo, o que dará no final, um delay de 15 a 17 segundos em relação ao rádio. Isso quer dizer que, se assistir pela web, é bem possível que você veja o gol no mesmo tempo em que esteja passando o replay na TV analógica. Maluco, não?

Na hora do jogo do Brasil contra a Coreia do Norte (República Popular Democrática da Coreia - como pedem que chamemos), pelo Twitter, eu e alguns usuários estávamos medindo esse atraso. Em alguns lugares foi menor e em outros o resultado foi muito próximo do que eu medi aqui em casa. Pois é. Mesmo com toda tecnologia de geração e de captação de imagens (atualmente chegando ao 3D) a transmissão ainda é o maior problema. A tecnologia analógica é a que demora menos tempo para executar todo o processo que é necessário para à transmissão digital, a mesma oferecida pela maioria das operadoras de TV a Cabo.

O caminho é longo. O sinal sai da geração (estádio de futebol, mesa de corte ou suíte de imagens, por exemplo), depois vai ao satélite. Após ser rebatido pelo satélite, o sinal tem que ser codificado, comprimido e transformado em formato digital. Parte desse processo é desnecessário no sistema analógico. Mesmo assim, há espaço suficiente para alocar vídeo e som de boa qualidade, mesmo em transmissão ao vivo. Em contrapartida, para assistir a uma programação em melhor resolução, o usuário tem mesmo que aguardar, em média, cinco segundos a mais para que a transmissão chegue ao seu televisor, seja ele de que formato for.

A promessa das operadoras de TV a Cabo é que isso acabe quando o modelo analógico não for mais maioria. Assim, segundo eles, o delay será reduzido a padrões semelhantes ao do rádio. Esta será a primeira Copa do Mundo com transmissão digital em grande escala. Esse processo começou em 2006. Hoje, cerca de 30% da base de assinantes têm sinal digital. Pelo andar da carruagem o fim do problema ainda demora mais alguns anos ou talvez mais uma Copa do Mundo.

As empresas se justificam dizendo que mesmo com atraso vale a pena acompanhar um jogo de futebol pela tevê com imagens nítidas e boa resolução com o som surround de 5.1 e com toda a sensação de estar em um estádio. Mas eu acredito que não é bem isso que a maioria deseja, pois eu mesmo não gostaria de ver uma imagem linda, um som maravilhoso e ser interrompido no meu deleite audiovisual pelos gritos esbaforidos do meu vizinho comemorando um gol que eu ainda não vi. Ou seja - estou pagando para assistir a um videotape de alta qualidade onde, mesmo sendo ao vivo, o que não importa é a instantaneidade da informação. Questão de gosto.

Este delay não é apenas privilégio de eventos como a Copa do Mundo, mas em treinos de corridas de Fórmula 1 e Fórmula Indy, por exemplo, o problema é ainda mais grave. A pessoa que está em casa assistindo às 500 Milhas de Indianápolis não vê nem o treino e nem a corrida ao vivo, pois o “delay” é de oito segundos. Oito segundos é aproximadamente 1/5 do tempo que viraram os mais rápidos pilotos do Carb Day durante o treino final que antecedeu a corrida deste ano.

A Sky explicou alguns pontos sobre o problema. Segundo eles quanto maior a qualidade da imagem maior será o delay, pois “trata-se de uma característica de qualquer sistema de TV digital”. É estranho, mas o delay é ocasionado por uma “eficiência…” e isto é o que você perde por ter que comprimir um sinal com maior qualidade. Mas ainda tem outra: uma das maiores causas de delay é a entrega do sinal, desde a programadora, até o centro de transmissão da SKY.

O cálculo da SKY é um pouco diferente do que a gente consegue perceber na vida real. Segundo eles afirmam, um processamento MPEG2 provoca de 2 até 5 segundos de delay, o caminho do centro de transmissão até o satélite e deste até o assinante provoca mais 250ms de delay (1/4 de segundo). Essa é a parte que eu não concordo: “Se for feita uma comparação entre o delay de uma TV por assinatura via satélite e uma por cabo, considerando que o canal chegue ao centro de transmissão com o mesmo delay e considerando a mesma eficiência de processamento para compressão, o delay da operação via satélite seria apenas 250ms maior que o do cabo”, finalizam. Pois é, e considerando que meu rádio e minha TV analógica não estão “malucos” eu não posso concordar com isso e nem com essa conta.

Minha sugestão: compre um radinho e faça este teste em casa. Se o seu vizinho estiver assistindo o jogo pela TV analógica, você, com a sua arma secreta (o rádio) vai gritar gol antes dele. Assim, não fica tão feio você ter gasto uma grana alta comprando uma TV Digital e uma assinatura de TV a Cabo. Lembre-se, para que isso acabe ainda será necessário que a quantidade de TVs analógicas seja inferior à de TVs de formato digital. Como vai demorar ainda alguns anos, então, quando for assistir aos jogos, leve seu radinho de pilha.

Fonte: Terra

  1. PATROCINADOR

    25 de novembro de 2012 em 00:39

    CURTINDO ALTAS FLASHBACK

  2. Pacman Amarelo

    28 de fevereiro de 2012 em 22:37

    Comentei.
    Avá.

  3. Matheus Guimarães

    28 de fevereiro de 2012 em 22:35

    Interessante. hehe

  4. Fernando rock

    17 de março de 2011 em 03:14

    na minha casa,tenho uma televisão conectado a sky,e uma televisão de + ou – 25 anos de idade….

    meu pai realmente ligou as 2 televisões e a  velhona já tava acabando o replay,enquanto na tv da sky,ainda estavam fazendo o gol.

    ps:.quem é fã de futebol é o meu pai,eu não gosto de futebol nem pra torcer pro Brasil.

  5. Fabiano Queiroz

    27 de junho de 2010 em 08:16

    Cara, eu tenho o mesmo problema aqui em casa… Mas agora eu vou me vingar com meu radinho de pilha!

    fabianoaqueiroz.com.br

  6. Nathalia Martins

    18 de junho de 2010 em 17:20

    Que legal isso daí hehe (OBS:coencide tbm moro em Resende : D)

9 Comentários
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